Análise Arkade: Just Dance 2026 Edition segue os passos precisos de uma coreografia já conhecida

2 de novembro de 2025

Algumas franquias são imbatíveis quando se considera um nicho específico e um público fiel, mesmo que em essência seja mais uma atualização dos princípios já estabelecidos do que um jogo novo. Just Dance é, muito provavelmente, a receita mais bem-sucedida desta fórmula de sucesso, e a edição deste ano é a prova de que um modelo de retroalimentação não só é sustentável, como atende tudo o que o seu público pode desejar.

Poderia ser uma DLC… e basicamente é!

Os fãs de longa data já compreenderam que Just Dance não é simplesmente o mesmo jogo lançado todo ano com suas atualizações pontuais, como pode ser a percepção, por exemplo, em jogos esportivos. A Ubisoft realmente criou aqui um ecossistema único, uma entrada padrão desde a edição 2023 que incorpora novos pacotes, como se fossem nossas temporadas de um mesmo grande jogo contínuo.

Isso significa que Just Dance 2026 Edition é basicamente um conjunto de novas músicas — são 40 no total — para um catálogo já parrudo e muito diversificado, sobretudo quando os jogadores assinam o plano de fidelidade Just Dance +, que basicamente abre acesso a todo o acervo histórico da franquia.

É possível ainda, para quem não tem, adquirir os pacotes dos anos anteriores dentro da própria interface do jogo. Parece complicado explicando em palavras, mas é um modelo que se aproxima muito mais dos passes de temporada de Fortnite, por exemplo, do que do EA FC anual ou jogos do gênero.

Um repertório de respeito

As novas canções disponíveis são as seguintes:

  • Abracadabra (Lady Gaga)
  • All Star (Smash Mouth)
  • Anxiety (Doechii)
  • APT. (Rose & Bruno Mars)
  • Azizam (Ed Sheeran)
  • Big Bad Frog (Austin & Colin)
  • Bluey Medley (Bluey)
  • Born to be Alive: Reborn Version (Patrick Hernandez)
  • Chichika (MariaDennis ft. Metamami)
  • Counting Stars (Onerepublic)
  • Cry Baby (Melanie Martinez)
  • Don Raja (Su Real and Distort)
  • Don’t Go Breaking My Heart (cover de Lulu & Levon)
  • Drip (Babymonster)
  • Feather (Sabrina Carpenter)
  • Girls Just Want to Have Fun (Cyndi Lauper)
  • Good Luck, Babe (Chappell Roan)
  • Houdini (Dua Lipa)
  • Hung Up (Madonna)
  • I Had Some Help (Post Malone ft. Morgan Wallen)
  • It’s OK I’m OK (Tate McRae)
  • Kitipo (Dixzon Waz, La Tukiti, e Amenazendel)
  • La Bamba (cover de The Sunlight Shakers)
  • Louder (Don Elektron & Derek)
  • Love Again (Dua Lipa)
  • Messy (Lola Young)
  • Moonlight (Aileen-o)
  • Pop Muzik (M & Robin Scott)
  • Prehistorock (Ricky Stone)
  • Rockin’ Around the Christmas Tree (Mrs. Claus and the Elves)
  • Say Cheese (Paul Russell)
  • Show Me What You Got (Boomborg)
  • Sokusu (Wanko Ni Mero Mero)
  • Spin Your Love (Kevin J Simon)
  • Strangers (Sigrid)
  • Thrift Shop (Macklemore & Ryan Lewis with Wanz)
  • Viva la Vida (Coldplay)
  • We Just Begun (Stush & Wost)
  • Zombieboy (Lady Gaga)

O jogo ainda conta com versões alternativas de algumas de suas músicas. São elas:

  • Abracadabra (Lady Gaga) – Extreme Version
  • APT. (Rose & Bruno Mars) – Graffiti Version
  • Born to be Alive: Reborn Version (Patrick Hernandez) – Aerobics Version
  • Feather (Sabrina Carpenter) – Parachute Version
  • Girls Just Want to Have Fun (Cyndi Lauper) – Sporty Version
  • Good Luck, Babe (Chappell Roan) – Drag Version
  • Houdini (Dua Lipa) – Extreme Version
  • Hung Up (Madonna) – Cosmic Fitness Version

Diversidade para todos os gostos

Como tem marcado as últimas entradas, Just Dance 2026 Edition apresenta uma setlist muito bem equilibrada, trazendo fenômenos recentes, como APT. e Abracadabra, e clássicos eternos, como Girls Just Want to Have Fun, Hung Up e Viva la Vida. Por mais que as coreografias disponíveis tenham suas variações na comparação com a versão da vida real, ainda são todas passíveis de repetirmos tantas vezes quanto forem necessárias na busca por ser um superstar.

Crianças e pessoas sem tanta afinidade com a dança também tem aqui um espaço leve para brincadeiras e diversão em família. Não só pela cativante faixa da animação Bluey, mas sobretudo pela generosidade do game em valorizar o esforço em detrimento da perfeição nas dificuldades menores. Acredite, a amplitude para um movimento perfeito é muito convidativa até para os iniciantes.

O Party Mode, aliás, que basicamente faz uma playlist aleatória a partir da dificuldade escolhida pelos jogadores, é exatamente sobre isso, possibilitando que experimentemos coisas que dificilmente escolheríamos por vontade própria por afinidade musical ou por achar complicado demais. O desafio é manter o fôlego depois de algumas canções mais animadas.

Jogar acompanhado é, definitivamente, a melhor forma de se apreciar toda a catarse proporcionada por Just Dance. Claro que dá pra se divertir sozinho, seja buscando uma pontuação cada vez mais alta para exibir em casa ou nos rankings mundiais, seja só pela diversão descompromissada sem julgamentos, mas compartilhar com alguém — ou “alguéns” se a sua sala de casa comportar até seis pessoas — é impagável.

Uma explosão de cores

Já não é novidade para ninguém que Just Dance não tem receio nenhum em se apropriar das características intrínsecas das músicas e seus artistas para criar um verdadeiro show pirotécnico em cada execução, e a edição 2026 não é diferente.

Cada faixa tem um tratamento especial cada vez mais surreal, com cenários dinâmicos e efeitos belíssimos. Não é raro que, fazendo um intervalo para assistir a família jogando, eu me pego admirando a construção rítmica das variações do ambiente. Se é verdade que muitas vezes a coisa flerta com o cafona, é aquela tipo de cafonice que se justifica, ou mais, que é necessária para a imersão proposta.

A comparação, quando voltamos a músicas de outras edições, é evidente. A saturação e o movimento sempre estiveram lá, mas este é o fator que cada vez mais traz ousadia estética para a experiência. Funciona bem e é muito necessário para evitar cair numa mesmice visual que, definitivamente, seria terrível para o que game está propondo.

A precisão dos movimentos também ganhou algumas novidades, com o aprimoramento do aplicativo para smartphones se apropriando não só do giroscópio, mas também da câmera para mapear o corpo por completo, não só a mão dominante. Confesso que, jogando no Nintendo Switch, não senti uma grande diferença usando o meu celular e não os joycons, mas isso se deve principalmente porque o controle original do console nasceu pra esse tipo de interação.

Conclusão

Just Dance 2026 Edition, como se poderia imaginar, não reinventa uma roda já redondinha e funciona ao trazer as músicas mais desejadas do momento — só faltou as canções e coreografias do fenômeno Guerreiras do K-Pop, mas é compreensível pelo timing da produção — incrementando o já robusto catálogo do Just Dance +.

É notório que, para uma longevidade maior, seja necessário sim incorporar as edições anteriores e o plano de assinatura, principalmente para quem desejar um estilo específico, como temas da Disney, por exemplo, ou a coleção de artistas recorrentes, como Dua Lipa, Madonna e, claro, a fonte inesgotável da franquia Lady Gaga.

Ainda assim, mesmo quem for começar só por está seleção tem muita coisa para sacudir o esqueleto e vai demorar para esgotar todas as músicas, principalmente para quem estiver em uma faixa etária que demanda sessões mais curtas para evitar o esgotamento físico.

É um jogo perfeito para ter instalado para aquelas tardes chuvosas, festas de família ou simplesmente para aqueles intervalos entre coisas mais sisudas.

Just Dance 2026 Edition está disponível para Playstation 5, Xbox Series S|X e Nintendo Switch desde 14 de outubro de 2025, com menus e texto localizados para o nosso português brasileiro.

Paulo Roberto Montanaro

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