Geddy Lee e Alex Lifeson falaram sobre a volta aos palcos um mês antes do retorno surpresa do Rush

Em entrevista à rádio Planet Rock, realizada cerca de um mês antes da aparição ao vivo de ontem, os fundadores do Rush falaram abertamente sobre a decisão de voltar aos palcos, a montagem da nova formação e o jeito que pretendem celebrar mais de 50 anos de carreira.
A conversa, conduzida por Darren Redick, serviu para entender sobre como Geddy Lee e Alex Lifeson veem o futuro da banda após anos de hiato.
As ideias de retorno começaram após o tributo a Taylor Hawkins, quando os dois tocaram juntos em um palco após um tempo, se olharam e perceberam que ainda havia algo pendente. “Sentimos que tínhamos alguns negócios inacabados… e a vida é curta demais para não celebrar o que construímos juntos”, disse Geddy Lee.
Alex Lifeson completou: “Depois de tocarmos no tributo ao Taylor Hawkins, olhamos um para o outro e o brilho nos olhos estava lá de novo. Foi o catalisador de tudo”.
A Fifty Something Tour foi confirmada oficialmente e já tem datas marcadas para 2026 na América do Norte, com expansão confirmada para 2027 no Reino Unido (primeira vez em 13 anos), Europa e América do Sul. O foco, segundo eles, não é apenas reviver o catálogo clássico, mas manter as músicas vivas de forma respeitosa.
Nova formação mantém o respeito ao som original
Um dos temas mais delicados era como seguir sem Neil Peart. A escolha da banda foi a baterista alemã Anika Nilles, conhecida por seu trabalho com Jeff Beck, e para somar, também foi chamado o tecladista Loren Gold, que tocou por mais de 12 anos com The Who e Roger Daltrey.
“Ela não está tentando ser o Neil, ela está honrando o que ele escreveu com uma técnica e uma paixão que nos deixaram de queixo caído”, explicou Geddy Lee sobre Anika Nilles. Alex Lifeson reforçou o tom de celebração: “Neil era o motor e o arquiteto. Tocar essas músicas sem ele é agridoce, mas sentimos a presença dele em cada compasso”.
A família de Neil Peart — Carrie e Olivia — deu total apoio ao projeto, o que foi decisivo para os dois seguirem em frente. Cada show vai incluir imagens e vídeos de arquivo de Neil no telão, além de uma seleção de faixas que, na visão da banda, capturam diretamente o espírito dele.
Amizade de 60 anos como base de tudo
A química entre Geddy Lee e Alex Lifeson, amigos desde o ensino médio, aparece como o verdadeiro combustível da volta. “Nossa amizade é o alicerce de tudo. Se não estivéssemos rindo um do outro o tempo todo, não haveria Rush”, disse Alex. Geddy completou, com o tom descontraído de sempre: “Eu e o Al estamos juntos há o quê? 60 anos? É uma vida inteira. A música é apenas o som da nossa conversa”.
Durante a entrevista, Geddy Lee revelou ainda que tem composto novas letras, enquanto Alex Lifeson continua com seus riffs. “Eu tenho escrito algumas coisas… Alex tem seus riffs infinitos. Se isso vai virar um álbum ou apenas momentos no palco, o tempo dirá, mas a chama criativa voltou”, contou ele. A ideia é deixar o repertório evoluir naturalmente durante os shows.
E o Rush voltou!
E neste domingo, 29 de março de 2026, o Rush fez sua primeira apresentação ao vivo em mais de 11 anos. Em uma aparição surpresa na abertura do Juno Awards 2026, em Hamilton, no Canadá, Geddy Lee, Alex Lifeson e a nova baterista Anika Nilles subiram ao palco e tocaram “Finding My Way”, faixa de abertura do álbum de estreia da banda de 1974.
A performance, transmitida ao vivo, marcou a estreia pública da nova formação e gerou repercussão imediata entre fãs do mundo todo, especialmente no Brasil, que já tem datas confirmadas para janeiro de 2027.
O momento serviu como um aquecimento concreto para a Fifty Something Tour, que começa em junho de 2026 na América do Norte e chega à América do Sul no ano seguinte.
A entrevista à Planet Rock e a performance de ontem mostram o mesmo caminho: o Rush não está tentando recriar o passado, mas sim seguir em frente com respeito, novas parcerias e a energia que sempre definiu a banda.
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