Monsters of Rock 2026 – Lynyrd Skynyrd celebra mais uma vez o histórico legado da banda com o fã brasileiro

O Lynyrd Skynyrd original não existe mais. Com a passagem de Gary Rossington, em 2023, todos os membros originais da banda já não estão mais entre nós. Mas isso não significa que a banda é cover de si mesma. Pelo contrário, os músicos que foram entrando na banda com o passar dos anos mantém a chama acesa do rock sulista, e celebrando o seu legado com os fãs.
E no Monsters of Rock não foi diferente. Semelhante ao show realizado no Brasil em 2023, a temática do show, assim como o seu setlist e homenagens, envolve o legado histórico de uma das bandas mais importantes do rock em todos os tempos.
Mesmo com nomes como Johnny Van Zant, o irmão do lendário Ronnie que assumiu os vocais da banda nos anos 80, ou Rickey Medlocke, que desde o convite de Gary para assumir as guitarras em 1996 segue ativo, o Skynyrd sabe que não há mais espaço para criar algo novo.

Tanto a banda quanto o público querem recordar e relembrar o legado deixado por aquele grupo de rapazes da Flórida que posaram para a icônica capa do disco de estreia em uma rua da Geórgia.
E foi isso que a banda entregou no Monsters of Rock, que aconteceu neste sábado (4), no Allianz Parque, em São Paulo. Em uma hora de show, trouxeram os clássicos, o melhor do rock sulista, uma qualidade musical que continua impressionando e homenagens aos membros originais, que hoje descansam em paz.
Existem bandas, como o Queen ou o Nirvana, que é praticamente impossível trazer a magia de sua música de volta, por individualidades incríveis de seus músicos: Kurt Cobain e Freedie Mercury, principalmente. E olha que o Queen tentou, por alguns anos. A “sorte” do Skynyrd é que, mesmo hoje sendo uma espécie de “tributo oficial”, seus músicos já tem laços com a banda e conseguem manter a chama acesa.

O que vimos em um setlist que priorizou os dois primeiros discos da banda. Whats Your Name, That Smell, I Need You e Gimme Back My Bullets, algumas das canções tocadas, não são apenas parte do catálogo do Skynyrd: são registros dos “selvagens” anos 70, com músicas que refletem toda a aura da época, interpretadas em forma de canção pelos garotos de Jacksonville, que praticamente criaram um subgênero muito fértil do rock.
Como estamos falando de tributo, é óbvio que Simple Man, Sweet Home Alabama e, principalmente, Free Bird jamais ficariam de fora. E também foram, por motivos óbvios, os momentos de maiores vozes cantando junto com a banda no palco.
O tributo também acontece de forma direta aos falecidos membros originais do Skynyrd. Gary Rossington, um dos guitarristas fundadores da banda, faleceu em 2023, sendo o último membro original a fazer a passagem. E suas imagens apareceram no telão enquanto a competente banda, que consegue completar todos os espaços com guitarras, piano, baixo, bateria e duas backing vocals, tocava Tuesday’s Gone.

Em Free Bird, a música “definitiva” da banda, mais homenagens: primeiro, o telão trouxe o nome de todos os membros falecidos com uma vela em honra a todos. E ainda, após a primeira parte da música, a voz de Ronnie Van Zant é quem tomou conta do sistema de som, já que o lendário cantor do Skynyrd foi quem cantou, com acompanhamento da banda, o restante da música.
O cantor foi uma das vítimas do tráfico acidente de avião que aconteceu em 20 de outubro de 1977. O avião, que caiu no Mississippi após ficar sem combustível, também vitimou o guitarrista Steve Gaines, a backing vocal Cassie Gaines, além do empresário e os dois pilotos.
Allen Collins, Garry Rossington, Leon Wilkeson e Billy Powell sobreviveram ao acidente, mas faleceram com o passar dos anos. Ed King e Bob Burns, por sua vez, não estavam no avião por terem saído da banda antes do acidente, mas já faleceram também. E levaram consigo uma história que marcou, apesar de por pouco tempo, a música e o rock.
Além de Johnny e Rickey, o Skynyrd atual conta com Mark Matejka e Damon Johnson nas guitarras, Michael Cartellone na bateria, Peter Keys nos teclados, Robbie Harrington no baixo e os vocais de apoio de Carol Chase e Stacy Michelle, todos músicos da mais alta qualidade e que conseguem fazer os shows atuais da banda terem a mesma aura do passado.
E assim, entre clássicos e homenagens, o Lynyrd Skynyrd fez mais uma interessante visita ao Brasil, após um show de teor semelhante em 2023 (que ainda rendeu um show especial no festival de rodeio de Jaguariúna), e outra apresentação em 2021. E mostrou, mais uma vez, que a chama da história da banda e do rock sulista continua firme e forte, no coração dos fãs e nas vozes e instrumentos daqueles que levam o legado adiante.
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