Projeto traz Windows CE de volta ao Dreamcast quase 25 anos depois

Mais um projeto independente está chamando atenção no cenário retrô. A ideia, desta vez, é reconstruir o ambiente de execução do Windows CE para o Dreamcast sem usar o runtime original da Microsoft. Se avançar como o esperado, o console da Sega volta a funcionar como uma máquina Windows CE de verdade, quase 25 anos após o lançamento.
Quando o 128-bits da SEGA foi anunciado, a parceria entre a empresa e a Microsoft era um dos grandes destaques. O Dreamcast chegou com o selo “Designed for Microsoft Windows CE” na caixa e a promessa de um sistema mais aberto, com DirectX otimizado e ferramentas parecidas com as de PC. Desenvolvedores podiam, em teoria, incluir o runtime no disco GD-ROM e programar de forma mais familiar.
Mas na prática, a coisa foi um pouco diferente. A maioria dos estúdios preferiu as bibliotecas próprias da SEGA, que entregavam mais desempenho. O overhead do Windows CE pesava e poucos jogos usaram seus recursos. O que era pra ser uma das grandes apostas do console acabou se tornando mais uma curiosidade de marketing.
Mas o tempo passou, e o cenário mudou. O projeto em questão está reconstituindo as peças necessárias para que jogos e aplicativos feitos para Windows CE rodem no hardware do Dreamcast, sem depender de código fechado da Microsoft. O vídeo que acompanha o anúncio já mostra resultados bem concretos.
Dá pra ver uma interface clássica do sistema carregando. Tem área de trabalho com ícones, gerenciador de tarefas, calculadora e explorador de arquivos. O log de boot aparece com mensagens técnicas, como se o console estivesse inicializando de verdade. E ainda roda 4×4 Evolution, jogo 3D com menu e tudo funcionando. A data no relógio da interface está marcada em novembro de 1998, o período do lançamento japonês, provavelmente dependendo da bateria do console para marcar a hora certa.
Quem acompanha de perto esses projetos de hardware antigo comentou que esse é, no momento, um dos mais interessantes para o Dreamcast, junto com o port de GTA III. O potencial do Windows CE no console sempre ficou meio mal aproveitado. Ver ele funcionando agora, sem muletas proprietárias, abre um caminho diferente pro console.
Pra quem curte história de games, isso tem um peso especial. Imagina poder experimentar coisas que os desenvolvedores da virada do milênio deixaram de lado por causa das limitações técnicas. Não é só nostalgia. É uma forma de testar na prática o que poderia ter sido diferente.
O trabalho ainda está em andamento, claro. Mas os primeiros testes já mostram que o hardware do Dreamcast tem espaço pra isso. E o mais legal é ver gente mergulhando fundo nessas camadas antigas pra fazer o console fazer coisas que ele quase fez, mas nunca chegou a entregar por completo.
O anúncio saiu numa atualização do site renpou.com. Dá pra acompanhar por lá (em japonês) ou procurar o projeto pelos termos técnicos que aparecem no log.
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