Liquidation mistura Warcraft 3 e StarCraft, mas ainda precisa de muito polimento

27 de julho de 2026

Liquidation parte de uma combinação que certamente chama a atenção de quem cresceu administrando bases, treinando exércitos e clicando desesperadamente pelo mapa: a estrutura de um RTS clássico, o visual fantasioso de Warcraft 3 e alguns elementos de ficção científica que lembram StarCraft. Desenvolvido pela Divio e publicado pela MicroProse, o jogo se passa no mundo devastado de Veá, misturando magia, criaturas monstruosas, máquinas e tecnologia militar. A proposta inclui campanha para um jogador, confrontos contra a inteligência artificial e partidas multiplayer. No papel, é uma espécie de encontro entre orcs, alienígenas e tanques de guerra, seguindo uma fórmula que a Blizzard ajudou a popularizar.

Nas partidas, essa influência aparece principalmente na construção da base, na coleta de recursos e no controle de grupos relativamente pequenos de unidades. O jogo também aposta em heróis e habilidades especiais, aproximando-se mais do ritmo de Warcraft 3 do que das enormes linhas de produção de alguns RTS tradicionais. Ao mesmo tempo, as facções, as estruturas metálicas e certas unidades trazem uma pegada mais próxima de StarCraft. O resultado tem personalidade suficiente para não parecer apenas uma cópia, especialmente graças à mistura de fantasia e ficção científica. O problema é que, no estado atual, várias ideias interessantes ainda estão escondidas debaixo de uma camada considerável de aspereza.

Os gráficos cumprem bem a tarefa de apresentar o campo de batalha e deixam clara a inspiração nos jogos de estratégia do começo dos anos 2000. Cenários, edifícios e personagens utilizam formas exageradas e cores fortes, criando uma aparência parecida com a de miniaturas sobre um tabuleiro. Ainda assim, os modelos precisam de ajustes, especialmente em relação às proporções. Em determinados momentos, trabalhadores parecem maiores ou mais imponentes do que guerreiros preparados para o combate. Isso não impede o jogador de entender o que está acontecendo, mas prejudica a leitura visual e a hierarquia das tropas. Em um RTS, tamanho e silhueta também funcionam como parte da interface.

O áudio enfrenta dificuldades parecidas. As vozes ajudam a dar identidade às unidades, mas algumas interpretações ainda parecem amadoras e pouco naturais. As falas também se repetem com frequência, algo que se torna cansativo rapidamente em um gênero no qual o jogador seleciona os mesmos soldados dezenas de vezes por partida. Clássicos como Warcraft 3 transformavam essas respostas em pequenas piadas e traços de personalidade, recompensando até quem insistia nos cliques. Em Liquidation, o sistema ainda precisa de mais variedade, melhor direção e um equilíbrio adequado entre informação e personalidade. O material atual funciona como indicação do caminho, mas dificilmente pode ser considerado definitivo.

Os problemas mais sérios aparecem nos menus e na navegação geral. Algumas opções ainda não respondem corretamente, e até ações básicas, como encerrar a partida ou sair do programa, podem apresentar falhas. Durante nosso contato com o jogo, foi necessário utilizar o comando Alt+F4 para fechá-lo. É um detalhe que resume bem a situação do projeto: existe um RTS jogável e potencialmente interessante ali, mas ele ainda está cercado por sistemas incompletos. O próprio conceito de Early Access pressupõe um produto em desenvolvimento, porém recursos fundamentais de interface precisam funcionar para que os jogadores consigam testar o restante da experiência sem lutar contra o software.

A versão de acesso antecipado de Liquidation está programada para chegar ao Steam em 4 de agosto de 2026, inicialmente com três facções, seis missões de campanha e partidas skirmish contra jogadores ou inteligência artificial. Os desenvolvedores planejam ampliar a campanha para 32 missões, introduzir uma quarta facção e continuar o desenvolvimento até, pelo menos, meados de 2027, embora cronogramas desse tipo possam mudar. Por enquanto, fica a impressão de um projeto promissor, mas muito cru. Quem gosta de RTS pode acompanhar sua evolução, porém a experiência mais recomendável provavelmente virá depois de várias atualizações, quando o potencial finalmente estiver acompanhado do polimento necessário.

Rapha

Gamer, Programador e Viajante no Tempo

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