Cidadão Incomum 3 reflete sobre quais seriam os vilões que um herói brasileiro precisaria combater

13 de agosto de 2026

O Cidadão Incomum 3 – Experiência de Quase Morte chega às bancas e encerra a trilogia de origem do super-herói brasileiro Caliel. Publicado pela Editora Conrad, o livro de Pedro Ivo mistura mortes misteriosas em São Paulo, onda de calor extrema e uma trama de conspiração que costura temas como ditadura militar, Amazônia e laboratórios clandestinos.

A capital paulista vive uma onda de calor sem trégua enquanto corpos começam a aparecer carbonizados em ambientes fechados e sem marcas de incêndio no resto do local. O modus operandi se repete e o caos social e político de um Brasil rachado no meio só piora. É nesse cenário que Caliel tenta entender de onde vêm seus poderes. Ao mesmo tempo em que precisa se entender, vira alvo de perseguição, desconfiança pública e teorias da conspiração.

O personagem não é o herói alheio a problemas como a maioria dos seus “colegas” são apresentados. Ele carrega crises de ansiedade, culpa e as consequências de tudo o que já fez. Quando descobre que vai ser pai, a responsabilidade familiar pesa mais do que qualquer vilão nas ruas. Lígia, sua companheira, enfrenta uma gravidez de risco. Por isso, enquanto tenta protegê-la, Caliel se pergunta até onde dá para continuar humano quando você vira símbolo, ameaça e alvo ao mesmo tempo.

No livro, o próprio personagem deixa claro o que realmente quer:

“Ele talvez goste de brincar de super-herói, mas não quer salvar o mundo. Quer o que nós queremos. Uma vida boa. Minimamente previsível. Útil. Relevante, se possível.”

Os poderes dele não resolvem os problemas pessoais, pelo contrário: amplificam. E isso muda muita coisa da forma o qual vemos os super-heróis que defendem cidades, países ou planetas.

A investigação de Caliel abre portas para períodos diferentes da história brasileira. Laboratórios escondidos, interesses corporativos e segredos ligados à Amazônia aparecem lado a lado com violência estrutural e o uso da ciência como ferramenta de poder. A narrativa liga o presente ao passado político do país sem perder o ritmo de suspense.

Pedro Ivo, que escreve, desenha e roteiriza, conduz a história em tom cinematográfico. Revela os mistérios aos poucos, equilibra ação com tensão psicológica e crítica social. A aposta é menos na idealização clássica do herói e mais na dimensão humana dos personagens. Há dilemas emocionais, crises de identidade e o impacto real do poder no dia a dia. O autor também usa ilustrações próprias e um recurso metalinguístico: uma peça teatral que Caliel escreve ao longo da trama. Isso reforça as reflexões sobre identidade, pertencimento e a linha tênue entre ficção e realidade.

A trilogia ainda amplia o universo com personagens que saem do modelo tradicional. Tito entra na história como o primeiro super-herói trans brasileiro. Em meio a paranoia coletiva, relações desgastadas e disputas de poder, o livro transforma o heroísmo em lente para olhar o Brasil de agora. Fala de masculinidade, desigualdade e de quem realmente tem lugar nessa história.

E O Cidadão Incomum 3 – Experiência de Quase Morte tem 448 páginas, chegou em 2026 pela Editora Conrad e está disponível na Amazon por R$ 99,90.

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Junior Candido

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