Análise Arkade: Os bons tempos do esporte raiz em Old Time Hockey

29 de março de 2017

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O hockey no gelo, embora não muito popular no Brasil, é um dos esportes mais tradicionais do hemisfério norte, com ligas em países como os Estados Unidos (a popular NHL), Canadá, Rússia e muitos outros. E, assim como o futebol, também contou com sua “era raiz”, nos pequenos ginásios, jogadores ogros e a pancadaria que virou tradição e acontece até hoje, sendo uma das atrações do esporte.

Buscando resgatar um pouco destes valores, a V7 Entertainment lança esta semana o seu Old Time Hockey, que procura oferecer aos jogadores um pouco do que era o esporte na periferia das grandes ligas nos anos 70, em uma jogabilidade que nos leva de volta a jogos de simulação, como o NHL 94, ou o insano Liga de Mutantes.

As arenas de hockey raiz

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O visual de Old Time Hockey busca trazer um pouco do que era o esporte nos anos 70, mas nas pequenas ligas, com times de cidades pequenas buscando seu lugar ao sol. Não espere, mesmo para os padrões da época, grandes ginásios e os melhores times da época, o que temos aqui são ginásios acanhados, pouco público e jogadores que gostam mais de brigar do que jogar.

E com isso, temos um visual bem simples, que lembra ás vezes até os jogos da era 32 bit, com ícones simbolizando as cacetadas que se trocam durante a partida, e mostrando a condição do jogador, se ele está machucado, nervoso ou “on fire”, pronto para ir pra cima e fazer um gol. Os gols também são visualmente exemplificados com o gol piscando, assim como funciona as sirenes do hockey, que piscam dando a certeza do gol. O jogo busca oferecer ao jogador, através de ícones e sinais, o que está acontecendo na partida, fazendo assim, com que a interface seja a mais minimalista possível, apenas com o placar e o cronômetro na tela.

Mas, por ser um jogo simples, não espere nada de excepcional nas animações, que novamente, nos fazem lembrar de um jogo de Playstation. Assim como o visual, a animação é tosca, com poucos movimentos, mostrando que a preocupação foi apenas com o jogo no gelo em si, pois nas brigas é tudo muito esquisito, assim como nas arquibancadas. Não compromete, pois a proposta do jogo é a de oferecer gameplay clássico, levando isso ao visual também, mas era possível sim um maior capricho da parte dos desenvolvedores.

Simulador ou arcade?

Na propaganda do jogo, somos apresentados a um jogo de ação arcade, com animação pastelão e situações que nos lembram desenhos animados, com maior foco na confusão do que no jogo em si. Mas, jogando o game, nós somos levados a um simulador bem interessante, que, mesmo sem muitas estratégias a se definir e mexidas no time automáticas, até que garantem, na medida do possível, um jogo bem parecido com o que vemos na TV.

Mesmo assim, o jogo confunde bastante, ao oferecer uma gama de controles bem esquisita, especialmente a que é usada no modo história, com o passe no R2 e o controle do taco no analógico direito. Jogar o game no modo clássico, assim como qualquer game do gênero, é bem divertido e interessante, mas tudo isso se perde quando somos convidados a usar os controles “originais”.

No fim, não sabemos o que o jogo quer, afinal de contas. Pois ele é vendido como arcade, traz um gameplay bastante focado em simulação e consegue ser confuso nas duas formas. E para deixar a experiência mais esquisita, as brigas, que deveriam ser o carro-chefe do jogo, são repetitivas, sem graça e confusas de se executar. Talvez uma melhor atenção nas brigas deixasse o jogo ainda mais divertido, e olha que Os Simpsons já haviam dado a dica já há alguns anos atrás:

Outra adição no gameplay que faria o jogo ficar bem mais interessante, seria explorar melhor as rivalidades entre os times. Como são times inventados, sem ligação nenhuma com jogadores reais, uma rixa entre um jogador aqui e ali também fariam com que o jogo ficasse mais divertido, oferecendo então a ideia do jogo “raiz” que propõem nos seus anúncios.

Rumo ao estrelato

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Uma boa ideia, mas má executada aqui, diz respeito ao modo história do jogo. Além das partidas de exibição, somos apresentados ao Schurylkill Hinto Brews, um time de características 0-0-0 que jogam pra perder pelo mínimo placar possível. A incapacidade de atacar é compensada por tarefas específicas, como ganhar 20% dos face-offs, ou acertar o jogador principal do time adversário. Mas assim como o jogo como um todo, este modo também é confuso.

Além dos controles, que são esquisitos, também temos os objetivos, que não deixam o jogador entender se ele só precisa ir cumprindo os desafios, ou se pode tentar ganhar alguma coisa, sem mencionar que a frustração de “obrigatoriamente” não ganhar nunca pode afastar alguns jogadores que não entenderam direito a proposta. E, infelizmente, o carisma dos jogadores não foi trabalhado aqui, já que uma situação em que, mesmo clichês, trouxessem ao jogador um pouco mais sobre o ambiente da cidade, do torneio e dos jogadores, fariam com que tais desafios tivessem mais sentido.

Boas ideias, mas que escorregam na execução

Não é justo apenas falar mal de Old Time Hockey, no sentido de não se enxergar algo de bom no game. Sim, o game tem seus problemas, mas seu gameplay, quando no modo clássico, é bem divertido e chama atenção. Seus modos de jogo são todos bem intencionados, assim como a sua proposta, mas que escorregam em problemas de execução, seja na parte técnica, ou na parte criativa.

Mas deixando isso de lado, é possível sim se divertir com o game, que está disponível a partir de hoje, para Playstation 4 e PCs, com versões prometidas para breve para Xbox One e Nintendo Switch.

Junior Candido

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