Análise Arkade: Retornando para 2007 com Bleach: Rebirth of Souls

Bleach está de volta! Após anos de hiato, finalmente o anime está de volta paraenfim continuar a adaptar o mangá. E não apenas isso, mas temos um novíssimo game lançado para mais uma vez trazer o hype da série de volta! Venha então conferir nossa análise do game!
De volta ao final dos anos 2000

Em 2007 Bleach chegou ao Brasil com a publicação do mangá por aqui. Eu estava no segundo ano do ensino médio na época, e iniciei minha coleção de mangás, graças a recomendação e um amigo. Demorou 10 anos para a série chegar ao final por aqui com a publicação da edição 74 em 2017, e eu acompanhei a história do início ao fim através do mangá.
O anime, por outro lado, iniciou em 2004 e perdurou até 2012, quando foi cancelado. Demorou mais de 10 anos mas enfim ele foi retomado de onde parou e parece que dessa vez ele vai até o fim! Sendo assim, esse é o momento perfeito para um retorno definitivo de Bleach, em todo tipo de mídia possível!

Bleach: Rebirth of Souls chega então meio como uma recapitulação, possuindo um modo história que vai desde o primeiro capítulo do mangá, quando Ichigo Kurosaki conhece Rukia Kuchiki e se torna um Shinigami substituto, até o final da saga dos Arrancars, passando pela Soul Society e Hueco Mundo. Dessa forma, esse game acaba englobando os arcos mais adaptados dos games de Bleach, sem, pelo menos por enquanto, chegar nas duas sagas finais: O Arco Fullbring e o Arco da Guerra dos Quincy.
Dessa forma, quando falo que Bleach: Rebirth of Souls nos leva de volta ao final dos anos 2000, 2007 para ser mais preciso, falo pelo fato do game resgatar muito bem o “clima” ao redor de Bleach na época, elevando ainda mais o seu sucesso e consequentemente aumento o interesse na obra do mangaká Tite Kubo.

O modo história do game, porém, é um tanto quanto lento. Ele progride por capítulos, alguns contando com batalhas, outros com cutscenes em 3D, outras com diálogos entre personagens e sem lutas. Há alguns capítulos que se ramificam em caminhos diferentes, mostrando pontos de vista de diferentes personagens durante o mesmo acontecimento.
Há ainda os chamados “Momentos Reais”, que são condições de batalha que, se satisfeitas, resultam em cutscenes que recriam à exatidão cenas do anime/mangá, como Ichigo derrotando Renji na Soul Society, para usar um exemplo encontrado nas primeiras horas desse modo. Porém, algo que atrapalha no game são seus longos tempos de loading, muitas vezes entre cenas de um mesmo capítulo, o que deixa tudo as vezes exageradamente devagar.
Um game de luta 3D simplificado, mas ainda assim complexo

Em sua base, Bleach: Rebirth of Souls é um game de luta 3D de arena, mas sem controles livres. Imagine por exemplo o estilo de Tekken, em que você pode alternar a movimentação para os lados, mas não correr livremente pelo cenário, como por exemplo em Jump Force ou Dragon Ball Sparking Zero. Aqui você tem a movimentação padrão para frente e para trás (ao invés de para esquerda ou direita) e pode ir para os lados para desviar de ataques ou mudar seu posicionamento.
Esses controles me exigiram um pouco de tempo para me acostumar, por dois motivos principais: O game possui uma estranha perspectiva em 3/4. Você vê as costas do personagem que está controlando e seu oponente está a cerca de 75° à esquerda ou direita da tela em relação ao ângulo. Essa perspectiva é incomum, pelo menos para mim, mas não um problema em si.

Uma inconveniência é a movimentação, andar para frente ou para trás é lento demais. Se você estiver muito longe de seu oponente, precisará correr ou usar uma técnica especial que todos os personagens possuem, gastando a barra de “Reverse” (Falarei dela mais adiante) para se teletransportar para as costas de seu oponente e atacar. Ou pode correr para frente, o que lhe deixa aberto para ataques a distância.
Na parte de combos é simples, existem três tipos de botão para você atacar. Como esta review foi feita com a versão de Playstation 5 do game, usarei seu layout de controle. O quadrado é o botão de ataque básico, aperte ele várias vezes para fazer um combo simples. O triângulo é o ataque forte, que pode ser combinado com quadrado ou usado em conjunto com o analógico para usar ataques diferentes. O círculo é o ataque mais poderoso sendo único para cada personagem.

O game não funciona como um game de luta tradicional em que você apenas esgota a barra de vida do oponente. As barras de vida são meramente a “resistência” do lutador. A verdadeira barra de vida são as barrinhas no topo da tela ontem estão números. Esses são os Konpakus, itens que protegem a alma do lutador. As barras de vida dos lutadores possuem uma marca quando atingem menos de 30% de seu total. Quando um lutador chega nesse ponto, se ele for atingido por um ataque Kikon – feito usando o botão L2, é jogado para longe, com o atacante podendo usar um golpe que destrói vários konpakus de uma vez só. O lutador que tiver todos os konpakus destruídos, perde.
Esse ataque usado para destruir os konpakus é o ataque supremo do personagem, contendo uma animação bem estilosa do ataque, seguido por uma tela bem colorida exibindo quantos konpakus foram destruídos. Há ainda ataques especiais padrões, que gastam a barra EX, a barra amarela acima da barra de Reverse, usando com combinações simples de botões, como L2/+quadrado ou L2+triângulo.

A complexidade vem em como os diferentes ataques interagem entre si. Ataques rápidos anulam ataques fortes. Ataques fortes quebram defesa. Ataques Kikon não quebram defesa. Ataques rápidos anulam ataques Kikon, e há ainda um botão de ataque usado especialmente para quebrar a defesa do oponente. E se o oponente usar o mesmo ataque antes de ser atingido, ambos os golpes se cancelam.
Tudo isso e eu ainda não falei da barra de Reverse. A barra de reverse é acumulada com o tempo, ou ao atacar, defender e sofrer dano. Ela é usada para realizar esquivas, teletransporte para trás do inimigo, ou ativar o modo Reverse, que é um buff temporário para o personagem, com cada personagem possuindo buffs diferentes, que melhoram velocidade, ataque, ou até mesmo modificam ataques.

Por fim, temos as diferentes “transformações”. No caso dos shinigamis, temos a ativação de seus Shikais e Bankais, aumentando imensamente seus poderes e em alguns casos, como o de Mayuri Kurotsuchi e Renji Abarai, que possuem um Bankais gigantes, toda a estrutura da batalha muda, com o jogador podendo controlar esses Bankais gigantes.
Porém, há transformações condicionais, que exigem que certos eventos ocorram para acontecerem. Por exemplo um personagem estar com menos de 30% da barra atual de vida, ou as vezes ter um Konpaku destruído.
No fim das contas não é tão complexo assim, mas pelo menos no começo, quando dezenas de telas de tutorial aparecem, aprender a jogar pode ser bem complexo, principalmente quando você experimenta personagens diferentes. Ichigo e Chad são personagens com golpes poderosos a curta distância. Ichida e Kurotsuchi atacam bastante à distância, e por aí vai.
A perfeita recriação do estilo do mangá e anime

Visualmente, Bleach: Rebirth of Souls é perfeito. Ele captura de forma perfeita o traço de Tite Kubo a partir da segunda metade da obra, com os personagens mais esguios e bem definidos. As animações também são excelentes, principalmente as expressões faciais, contando até mesmo com recriações muito fiéis de cenas icônicas da história.
Todos os personagens aqui estão incríveis, com nenhum deles parecendo menos impressionante ou “simplificado”, tanto em visual como em gameplay. Nesse quesito, nem há realmente muito o que falar além de deixar bem claro que esse é sem dúvida alguma o mais bonito game de Bleach já feito até hoje.

Na parte sonora, o game infelizmente não conta com áudios em português brasileiro, algo que a Bandai Namco vem devendo há muito tempo, exceto com os games de Cavaleiros do Zodíaco. Dessa forma, joguei com o áudio original em japonês, para ter uma experiência mais próxima do anime (Pessoalmente, eu assisto ou dublado ou em japonês, dificilmente gosto das dublagens americanas). Mas, ele possui localização em nosso idioma em seus menus e legendas!
E a trilha sonora do game, até mesmo dos seus menus, é magnífica. Parecendo até mesmo uma trilha sonora de anime, com muitos estúdios de música diferentes, do eletrônico ao metal e passando até por jazz e pop aqui e ali. Tudo é incrivelmente bem feito!
Conclusão

Bleach: Rebirth of Souls é muito provavelmente o melhor game de Bleach já lançado. Parece uma afirmação óbvia, mas nem sempre é assim. Os games de Dragon Ball são um bom exemplo, com Budokai 3 sendo o melhor game de luta “tradicional” da série até o lançamento de FighterZ e Budokai Tenkaichi 3 sendo o melhor game de luta em arena da série até o lançamento de Sparking Zero.
Esse é um game que os fãs com toda a certeza vão apreciar muito. Porém, infelizmente seu rol de personagens é bem limitado, contendo basicamente Shinigamis e Arrancars, sem entrar na saga Fullbring e da guerra dos Quincys, que contém muitos personagens bem legais que poderiam estar aqui nesse game. Talvez mais personagens sejam adicionados posteriormente via DLC, mas imagino que arcos novos de história dificilmente sejam incluídos. Além disso, a Orihime Inoue não é uma personagem jogável, o que é estranho. Apesar de na história ela realmente participar pouco de batalhas diretas, ela sempre foi uma personagem jogável nos games de Bleach.
De qualquer forma, se você é fã de Bleach e quer matar a saudade de jogar seus games, Bleach: Rebirth of Souls é a pedida perfeita para isso! Só se deixe levar pelo visual e todo o estilo, além de suas batalhas incrivelmente animadas! Mas, lembrando, você vai primeiro precisar se adaptar com a complexidade inicial de seus controles!
Bleach: Rebirth of Souls foi lançado no dia 20 de março com versões para PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One e Xbox Series X/S.
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