Análise Arkade: Devil Jam, uma mistura inusitada de Vampire Survivors, Hades e Heavy Metal

26 de março de 2026

Devil Jam mistura a ação caótica de Vampire Survivors com o loop de gameplay e narrativa consistente de Hades — tudo isso com uma temática heavy metal cheia de personalidade.

O game, anteriormente disponível apenas para PCs, está chegando hoje aos consoles. Bora saber mais sobre ele em uma análise completa?

Pacto com o diabo

A narrativa de Devil Jam é, essencialmente, um pano de fundo. Acompanhamos um aspirante a rockstar que, após assinar um contrato questionável com o capiroto para ficar famoso, acaba morrendo e, claro, perdendo sua alma nos confins do inferno.

Para escapar de lá, ele tenta barganhar com o Demônio, que faz uma proposta: para reaver sua alma e ter uma nova chance no mundo dos vivos, vamos precisar derrotar a própria Morte. E como vamos fazer isso? Abrindo caminho por infinitas hordas de demônios e criaturas infernais.

Existe um certo charme na forma como o jogo apresenta seus personagens e situações, com um tom estilizado que combina bem com a proposta. Ainda assim, falta profundidade, falta aquele frescor de novas situações e imprevistos a cada nova tentativa. O jogo é ousado em mirar na excelência de Hades, mas simplesmente não tem fôlego para chegar lá

O poder do metal

A essa altura, todo mundo já jogou Vampire Survivors ou algum de seus clones, então não vou gastar tempo nem caracteres esmiuçando o jogo mecanicamente. Mais interessante é falar de seu grande diferencial, que é seu sistema de combate baseado em ritmo.

A ideia é simples: atacar, esquivar e executar ações no compasso da música aumenta sua eficiência e potencializa seus golpes. Além disso, a cada level up, podemos encaixar uma nova habilidade em um grid que simula as escalas de um braço de guitarra. Assim, a ação colocada em determinado quadrante será executada quando o compasso da música passar por aquela área.

Na prática, isso cria momentos interessantes. Quando tudo “clica” e você entra no ritmo, existe uma satisfação em construir seus combos e ver o espetáculo de poderes e pirotecnias que invade a tela. Ainda que este não seja essencialmente um jogo de ritmo, existe essa veia musical que torna o fluxo do combate em algo muito dinâmico.

O problema é que essa mecânica não evolui o suficiente ao longo da campanha. Falta variedade de inimigos, novas possibilidades estratégicas e, principalmente, faltam formas de expandir o sistema de ritmo. O que no início soa inovador e diferente, aos poucos se torna repetitivo. E aí acontece algo que não pode acontecer em um roguelike: as partidas meio que ficam parecidas demais.

Existe a imprevisibilidade dos power ups, claro, que mudam (um pouco) as possibilidades de builds e combos de uma run para outra, mas como até isso carecia de mas variedade, logo você vai estar escolhendo “as de sempre” por saber que são as mais efetivas.

Outro ponto é que, fora do combate, há pouca coisa para manter o interesse. Sabe como Hades está sempre acrescentando um pouquinho de lore em cada conversa, e o hub inicial é repleto de personagens interessantes e coisas para descobrir? Aqui a sensação de novidade passa bem rápido, e logo o hub não traz nada que justifique uma exploração mais demorada.

Audiovisual

Com cenários e personagens desenhados à mão, Devil Jam está longe de ser o jogo mais bonito do mundo, mas ele sem dúvida constrói uma identidade marcante. Além da temática infernal, o heavy metal se faz presente em praticamente tudo, de tipos de inimigos a elementos do cenário e poderes dos chefes.

E já que falamos em músicas, a trilha sonora é peça fundamental da experiência e, no geral faz um bom trabalho. Não espere ouvir faixas licenciadas, nem nada do tipo, mas as músicas presentes aqui ajudam a ditar o ritmo das batalhas e estão alinhadas à temática metaleira do jogo. Ainda que nem todas as faixas sejam marcantes, o conjunto funciona bem dentro da proposta.

Devil Jam possui menus e legendas em português brasileiro, mas tem o cuidado de não traduzir coisas que fazem alusão ao mundo do heavy metal — como habilidades com nomes de músicas, por exemplo. Algo legal, pois permite que você entenda a história e também pegue as referências.

Conclusão

Devil Jam é um Vampire Survivors-like que tem uma identidade muito bem definida. Tal qual outros jogos voltados para os gamers metaleiros — tipo Metal Hellsinger, por exemplo — ele sabe exatamente o que quer ser e quem quer agradar.

E, no início, ele de fato entrega. O problema é a falta de evolução da experiência como um todo: o sistema de combate baseado em ritmo, apesar de interessante, não tem muita variedade e acaba cansando. A repetição por si só, que deveria ser aditiva em um roguelite, acaba se tornando um obstáculo.

Ainda assim, Devil Jam não é um jogo ruim. Existe mérito no conceito, no estilo e na execução de algumas de suas ideias — e se você é metaleiro, o jogo sem dúvida ganha pontos pela proposta. Ele pode até ficar meio chato com o tempo, mas as primeiras horas/runs, quando tudo ainda é novo, serão muito divertidas.

Anteriormente disponível apenas para PCs, agora Devil Jam está disponível também para Playstation 5, Xbox Series X|S, e Nintendo Switch (versão analisada).

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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