Análise Arkade: Donkey Kong Bananza diverte com música, bananas e muita destruição

23 de julho de 2025

Donkey Kong Bananza chega carregado de expectativas por vários motivos. Como será que o retorno do gorila mais famoso dos videogames se sai no Nintendo Switch 2? Venha descobrir em nossa análise!

Super Donkey Bananza Odyssey

As expectativas são do tamanho de um gorila: para começar, por este ser o primeiro grande exclusivo single player do Nintendo Switch 2 (afinal, o foco de Mario Kart World é longevidade e comunidade). Além disso, ele marca o retorno do gorila Donkey Kong ao protagonismo depois de mais de uma década longe dos holofotes (o último Donkey Kong inédito foi o Tropical Freeze, de 2014). Por fim, este é um jogo desenvolvido pela mesma equipe responsável por Super Mario Odyssey, uma das obras-primas do primeiro Switch.

Felizmente, é seguro dizer que essa missão foi cumprida com sucesso. Donkey Kong Bananza é um jogo divertido, expansivo e com muita identidade. A influência de Super Mario Odyssey é sentida em muitos aspectos, mas o jogo consegue encontrar seu próprio caminho — e faz isso na base da força bruta.

Tracemos alguns paralelos: em Super Mario Odyssey, nosso objetivo era coletar luas e “cachos” de luas; aqui temos bananas e cachos de bananas (itens que até tem formatos parecidos). Ambos os jogos também prestam homenagem aos clássicos com fases em 2D espalhadas pelas campanhas, além de usarem diferentes tipos de colecionáveis como moedas de troca.

Paralelos traçados, que fique claro que a experiência de jogo é bastante diferente: Mario Odyssey é um jogo de plataforma 3D mais tradicional, no qual o diferencial são as transformações que nosso chapéu mágico, Cappy, possibilita. Donkey Kong Bananza também tem lá suas transformações, mas o que realmente molda o gameplay é a força bruta do protagonista.

Destruição musical

Em Donkey Kong Bananza, o gorila é praticamente uma força imparável da natureza: seus punhos abrem caminho por paredes, pisos e tetos. Praticamente tudo que se vê pela frente pode ser destruído, e esta “destrutibilidade” dos ambientes corresponde ao certe do gameplay.

E eu não estou exagerando. Confira um pouco de destruição massiva que o game entrega:

Não por acaso, dos quatro botões frontais do controle, três são focados em murros e pancadas. Há um golpe para frente, outro para cima, outro para baixo, e todos eles acabam sendo praticamente ferramentas de destruição locomoção, uma vez que nos permitem destruir escavar em diferentes direções. Temos ainda um tapa/palma que funciona como sonar (muito útil para mostrar segredos enterrados nos arredores), bem como a possibilidade de arrancar um pedaço do cenário e usá-lo como arma — ou surfar em cima dele.

Essa destruição toda, curiosamente, tem dois objetivos bastante singelos. O primeiro, como sempre, são as bananas — que aqui, são pedras preciosas, chamadas gemas de Banândio — roubadas por uma trupe de macacos rivais. O segundo é ajudar a pequena Pauline a recuperar sua confiança para cantar em público.

A presença de Pauline traz uma vibe musical bem forte ao jogo. A música pode literalmente guiar o jogador pelo cenário e, mais adiante, também é o que vai permitir que Donkey Kong transforme-se em outras criaturas.

A narrativa não é particularmente inspirada, mas segue bem aquele “jeito Nintendo” minimalista de contar histórias. E, ainda que seja alardeado como um jogo 100% localizado para o nosso idioma, a verdade é que Pauline é a única personagem que fala de verdade, ou seja, somente ela recebeu uma dublagem brasileira. Kong, os vilões e todos os demais NPCs soltam apenas sons e resmungos, que são legendados em PT-BR.

Destruição e level design

Mecanicamente, Donkey Kong Bananza é um jogo de plataforma 3D com forte apelo de collectathon: há ouro, fósseis, bananas e baús enterrados por todo canto, bem como portais que levam para fases bônus e outros segredos.

Como quase tudo isso está debaixo da terra (e das paredes, ou mesmo do teto), desbravar o mundo do jogo gira em torno de todas essa mecânicas de destruição/escavação. Causa alguma estranheza no início — acho que nunca vi um jogo com ambientes tão destrutíveis — mas logo torna-se bem natural. Os inimigos também são altamente destrutíveis, geralmente envoltos por carapaças e armaduras que devem ser destruídas.

Como já dito, Kong agora é uma força da natureza, e o jogo empodera o jogador: árvores, montanhas, pedras, quase tudo é passível de ser pulverizado, com exceção de alguns elementos específicos, como concreto ou certos metais. É possível inclusive fazer como em um desenho animado, e cavar um buraco para ir do ponto A ao ponto B — encontrando colecionáveis, cavernas e outras surpresas no processo.

Isso poderia até soar como uma desculpa para um level design preguiçoso, algo próximo de um sandbox genérico onde o jogador faz o que quiser. Mas, felizmente, não é o caso. O design de fases ainda traz toda aquela assinatura da Nintendo: mapas bem pensados, com múltiplas camadas — neste caso, mais literalmente do que nunca — e uma miríade de segredos e colecionáveis escondidos. O jogo estimula você a cavar, mas recompensa a exploração com um senso de descoberta constante.

Outro elemento que incentiva o acúmulo de bananas é a árvore de habilidades, elemento que, até onde sei, é inédito na série. Juntar 5 bananas concede um ponto de habilidade para o DK, que pode ser gasto em uma skill tree surpreendentemente robusta, que lhe concede mais vida, mais força nos punhos e também melhora as habilidades de suas transformações — virar zebra ou avestruz não transforma completamente a experiência de jogo, mas oferece novas maneiras explorarmos e interagirmos com o mundo.

Audiovisual

Donkey Kong Bananza também impressiona bastante no quesito audiovisual, principalmente pelo volume de elementos destrutíveis que explodem pela tela a todo momento. Presumo que este caos de destroços e partículas exija bastante do hardware, mas o jogo mantém uma performance muito satisfatória, tanto no modo portátil quanto no dock. Existem quedas de frame rate aqui e ali, especialmente durante batalhas contra chefes gigantes, mas nada que comprometa a experiência.

É válido ressaltar que temos aqui o visual do Donkey Kong “pós-filme do Mario“, e o resultado é ótimo. Não sei dizer se ele supera o visual clássico, mas o DK atual é um personagem extremamente carismático e também expressivo: mesmo sem falar, Donkey Kong transmite muitas emoções com suas caretas

A trilha sonora mantém o padrão Nintendo de excelência: músicas cativantes, que embalam a aventura com toques de nostalgia e novas composições. Releituras de temas clássicos da série também marcam presença, mas sem exageros. Também é possível encontrar discos de vinil colecionáveis, que podem ser ouvidos na vitrola do acampamento, oferecendo um toque extra de charme.

As clássicas fases de carrinho de mina estão de volta

A localização é ótima, mas com ressalvas: como eu já adiantei, apenas Pauline tem falas completas e foi efetivamente dublada em português brasileiro — todos os outros personagens apenas resmungam. Isso parece uma limitação técnica antiga que não se justifica mais nos tempos atuais. Personagens como Cranky Kong poderiam muito bem estar dublados, o que sem dúvida agregaria ainda mais personalidade ao elenco.

Outra coisa esquisita: quando Pauline resolve cantar para valer, o áudio do vocal só foi gravado em japonês (?!). É bizarro que não haja nem uma versão cantada em inglês das músicas. A Disney está há décadas nos ensinando como a localização das músicas é importante para aumentar o apelo de um produto — e, não por acaso, regrava suas composições originais em dezenas de idiomas.

Conclusão

Donkey Kong Bananza, sem dúvida, é mais um grande exclusivo do Nintendo Switch 2. É um jogo carismático, divertido e com um gameplay simplesmente viciante. Depois que você começa a esmurrar cenários e escavar o mapa em busca de tesouros e bananas, é difícil parar. A mecânica de destruição é realmente muito prazerosa, daquelas que te pegam de jeito e fazem o tempo voar.

É importante reforçar, porém, que este não é um novo Donkey Kong Country, tampouco um sucessor direto de Tropical Freeze. Na verdade, ele nem mesmo se parece com Donkey Kong 64 — que era o único jogo 3D do gorilão até agora. O que temos aqui é uma abordagem totalmente nova para a franquia e o personagem. Um jogo que valoriza a liberdade do jogador e o empodera com mecânicas de destruição muito bem implementadas ao conjunto da obra.

Considerando o momento atual, com o Nintendo Switch 2 lançado há algumas semanas, não é como se existissem muitos exclusivos para ele. Neste cenário, Donkey Kong Bananza torna-se uma recomendação praticamente obrigatória para os early adopters do novo console da Big N.

Uma aventura robusta e inovadora, que representa um retorno em grande estilo para personagens muito queridos — e, espero, seja o início de uma nova fase gloriosa para Donkey Kong e sua turma (que também estão a caminho dos cinemas).

Donkey Kong Bananza está disponível exclusivamente para Nintendo Switch 2.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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