Análise Arkade: Flesh Made Fear é um Survival Horror old school que não economiza no gore e no humor

17 de novembro de 2025

Flesh Made Fear, da Tainted Pact e distribuído pela Assemble Entertainment é uma verdadeira homenagem aos clássicos do Survival Horror do Playstation 1, misturando elementos de diferentes games em uma obra que não tem medo de mostrar gore extremo e nem mesmo de colocar bastante comédia na aventura! Vamos então conversar sobre o game!

Se Resident Evil e Silent Hill tivessem um filho que curtisse filmes de terror B

Flesh Made Fear tem um estilo que só consigo descrever como se Resident Evil e Silent Hill tivessem um filho e esse filho andasse na rua com uma camiseta do filme A Volta dos Mortos-Vivos de George Romero. Acho que essa descrição já deve explicar bem como é o game, não é?

A história acompanha um grupo de agentes da R.I.P., uma divisão secreta do governo americano enviada para eliminar problemas que o próprio governo causou. Neste caso, o problema é o Dr. Ripper, um brilhante cientista que trabalhava para uma organização secreta chamada M. K. Ultra. Ele estava trabalhando em um soro capaz de controlar a mente humana, mas após várias falhas em seus experimentos, sua pesquisa foi cancelada.

Inconformado, Ripper testou o soro em si mesmo, o que expandiu sua mente imensamente, mas no processo destruiu sua sanidade. Com isso, ele roubou sua pesquisa e fugiu, indo parar na isolada cidade de Rotwood, onde ele se infiltrou fingindo ser um médico comum e usando os habitantes da cidade como cobaias para seu soro. Como resultado, ele transformou todos os habitantes da cidade em zumbis descerebrados que obedecem apenas a seus comandos, além de descobrir rituais secretos que abriam as portas do inferno e potencializavam os efeitos do soro, dando vida a criaturas incrivelmente grotescas.

Com, isso a R.I.P. é enviada ao local com duas missões: Matar Ripper e impedir o que quer que ele esteja fazendo na cidade.

Gore sem limites misturado com humor

Já desde o começo Flesh Made Fear se prova como um game que é ao mesmo tempo uma homenagem aos clássicos do Survival Horror bem como uma sátira. Os personagens fazem piadas sobre, por exemplo, a cidade se chamar “Rotwood” (Madeira Podre), em como parece um nome saído de um filme de terror, de como algumas coisas na cidade são convenientemente posicionadas, como os puzzles que Ripper deixou para impedir qualquer um de impedi-lo, bem com o cliché eterno de histórias de terror em que o grupo se separa.

A própria dublagem dos personagens é intencionalmente como uma sátira a dublagens de games antigos. Não que elas fossem ruins, mas na década de 90 o mundo ainda estava começando a conhecer games com histórias cinematográficas e atuações realmente bem trabalhadas. Com isso, ouvimos os personagens fazendo comentários as vezes intencionalmente não não engraçados no contexto de suas cenas.

Porém, o que mais me impressionou no nível é o incrível nível de gore presente. Os zumbis possuem visuais muito bem feitos, mas diferente de games como Resident Evil em que eles estão cobertos de marcas de mordidas. Aqui, eles possuem peles acinzentadas e olhos completamente vazios, além é claro de muitos estarem ensanguentados. Mas quando os matamos, seus corpos explodem jogando pedaços de carne para todos os lados.

A cidade de Rotwood, por conta das experiências e rituais de Ripper, está coberta de raízes e massas de carne que envolvem edifícios inteiros, e quando nos aproximamos delas, vemos que estão cheias de olhos e corpos humanos que foram fundidos em suas massas de forma incrivelmente grotesca.

Mas o mais impressionante é que o game não economiza na violência, trazendo crianças zumbis! Pouquíssimos games chegaram longe o suficiente de mostrar crianças transformadas em zumbis, com os principais exemplos sendo a série de The Walking Dead da Telltale e Dead Space com os bebês necromorfos. O remake de Resident Evil 3 chegou a mostrar uma criança zumbi, mas a vemos apenas em uma breve cena, e seu fim nunca é mostrado, apenas implicado através do áudio. Mas aqui, há muitas crianças zumbis e o jogador ou pode fugir delas, ou dar um fim em suas existências.

Um Survival Horror curto, mas bem purista

Flesh Made Fear é um game bem curtinho, com cerca de 6 horas de duração. E ele é 100% construído com gameplay clássico em mente. Ou seja, câmeras fixas, jogabilidade de tanque e inventário limitado. E quando digo 100% eu realmente galo sério, pois o game não possui controles modernizados, por exemplo podendo usar um analógico para mover seu personagem em qualquer direção, aqui temos a autêntica jogabilidade de tanque!

Jogadores mais novos talvez não gostem desse estilo, mas eu sou velho, e eu amo jogabilidade de tanque. Ela é sim limitada e as vezes pode colocar o jogador em situações bem perigosas, mas mesmo assim, eu adoro esse estilo. E eu gosto pois games que o utilizam (geralmente) tem suas mecânicas construídas por cima dela. Ou seja, ter controles de tanques e inimigos extremamente rápidos tornaria a experiência péssima. Aqui isso não acontece.

Há sim inimigos rápidos. E as vezes você pode ficar cercado por zumbis e não ter como escapar, principalmente se você não tiver munição suficiente para escapar. Mas esses momentos criam uma tensão que dificilmente encontro em games de terror de hoje em dia.

Outra característica bem purista é que o game não possui auto-save, aqui temos saves manuais! E ao invés de máquinas de escrever, temos cartas, e o item de save é uma caixa de cera de parafina, utilizada com um sinete para selar cartas. E, obviamente, este é um item bem limitado, mas que pode ser encontrado em todas as save rooms. Assim, você só correrá o risco de ficar sem cera para salvar seu game se desperdiçá-la. Felizmente você não precisa carregá-la em seu inventário pra cima e pra baixo, pois aqui temos os baús para guardar seus itens!

O game segue a estrutura de outros games do gênero, nos fazendo explorar a cidade de Rotwood e interagir em áreas chave, como a delegacia da cidade e os esgotos. Entretanto, as áreas maiores a se explorar estão presentes apenas na primeira metade do game, na segunda metade temos vários locais para explorar, mas todos são pequenos, possuindo poucas salas ou as vezes somente uma com um puzzle. Assim, áreas com imenso potencial, como a escola e o cinema, são extremamente curtas.

Audiovisual

Flesh Made Fear possui um visual 3D poligonal muito bem feito. Seus personagens são bastante detalhados, mesmo com suas texturas sendo propositalmente pouco detalhadas. Os zumbis e especialmente os monstros que encontramos são incrivelmente bem feitos e grotescos. E os cenários são construídos de forma simples mas efetiva, com muitos detalhes evidenciando violência, podridão e decaimento.

Casas abandonadas cheias de resquícios de violência e sangue, ruas bloqueadas por portões ou veículos tombados para impedir o avanço dos monstros. Algo que gosto muito em games de terror bem feitos é quando o cenário conta a história, como em Resident Evil 2 e 3, em que vemos o resultado da invasão dos zumbis na cidade.

Um ponto negativo na parte visual está em sua escuridão. Os personagens carregam consigo lanternas fixadas em seus coletes que estão sempre ligadas, mas em certos locais propositalmente escuros, a lanterna parece não funcionar bem, iluminando as paredes do cenários, mas as vezes não iluminando elementos como mesas ou obstáculos. Nesses locais a movimentação é um pouco confusa, nada que impeça o progresso, mas que incomoda.

A trilha sonora é boa, tendo uma pegada mais “militarizada”, ou com uma batida que remete a cenas de combate em laboratórios. Se você jogou Survival Horrors da década de 90 então vai entender um pouco do que estou falando. E é claro, nas lutas contra chefões e momentos de ação intensos temos músicas bastante intensas para colocar o nível de tensão necessário.

Infelizmente Flesh Made Fear não possui localização em português brasileiro, nem em suas vozes, com seus personagens dublados por diversos Youtubers famosos da gringa, em em seus textos e legendas.

Conclusão

Flesh Made Fear é um survival horror curto, mas bastante divertido. E ainda conta com dois cenários diferentes, dando acesso a áreas exclusivas para cada um deles, aumentando o fator replay do game, além de oferecer um nível de dificuldade maior, para aqueles que querem um desafio extremo.

Trata-se de uma homenagem e ao mesmo tempo uma sátira ao gênero, entregando uma experiência 100% purista e ao mesmo tempo soltando algumas críticas a clichés, como por exemplo interagir com uma banheira completamente imunda para pegar algum item importante. No fim, o game não se leva sério em nenhum momento, e isso é o que o torna ainda mais divertido. Sem contar é claro no gore extremo que legitimamente me supreendeu!

Flesh Made Fear foi lançado no dia 31 de outubro e está disponível para PCs.

O Esquenta da Black Friday da Amazon já começou! Aproveite ofertas com até 75% de desconto!

Confira todas as ofertas de games da Amazon!

E confira todas as promoções em games de PC na Nuuvem!

Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

Mais Matérias de Renan