Análise Arkade: MANIAC, a inusitada mistura de GTA com Vampire Survivors

27 de maio de 2025

Não, você não leu errado. Na semana passada, chegou aos consoles o caótico MANIAC, e ele é basicamente isso: uma mistura dos primórdios de GTA com Vampire Survivors. Vem entender melhor com a nossa análise!

Contexto e (falta de) história

Algumas misturas de gêneros em videogames são um tanto previsíveis. Tipo jogo de tiro + battle royale. Mas, de vez em quando, surge uma mistura inusitada que, felizmente, funciona bem. Tipo Metroidvania + Pinball, por exemplo. MANIAC vai por esse segundo caminho, e consegue misturar o lado sandbox com visão de cima dos GTAs clássicos com a luta pela sobrevivência de Vampire Survivors!

Não há muita história aqui. Temos um punhado de personagens para desbloquearmos, e todos eles são, no mínimo, bizarros. O personagem inicial é um Papai Noel bêbado (?!), mas conforme jogamos, podemos liberar um palhaço sádico, uma garotinha nem tão inocente, um astronauta, ou mesmo um sujeito vestido de cachorro-quente. Cada um tem certos critérios para ser liberado e tem seus próprios atributos, bem como alguma habilidade passiva que pode ser útil (ou não).

Independente do personagem, a missão é uma só: perpetrar o máximo de caos possível em NewCity ao longo de um intervalo específico de tempo (inicialmente 20 minutos). Se você morrer, perde. Se sobreviver, verá a cidade ir pelos ares em uma gloriosa explosão nuclear — a bomba é a medida final de contenção utilizada contra nós.

E é meio que isso. Em uma esquema meio roguelite, cada partida é uma run nova, onde vamos surgir em um lugar aleatório da cidade, e começar a tocar o terror. Conforme fazemos isso, vamos coletando dinheiro, que poderá ser utilizado na próxima run para comprar perks e equipamentos a fim de começar na vantagem.

Tocando o terror

Com visão de cima, temos total liberdade de movimentação para irmos para qualquer lugar. E o lance é já sair metendo bicuda em qualquer pedestre que estiver por perto, e roubando o carro que estiver mais próximo. Quando a polícia já estiver na sua cola, trate de atropelar alguns policiais para conseguir no mínimo uma pistola.

Sem uma arma de fogo, você fica à mercê dos ataques físicos (e atropelamentos). Armado, é possível atirar para qualquer direção. O lance é que ficar a pé nunca é uma boa ideia, pois você torna-se um alvo muito mais frágil. Quando seu carro estiver para explodir, pule dele e encontre outro. Repita o processo, explodindo tudo e todos pelo caminho.

Parte fundamental para o sucesso é estar sempre seguindo as setas que indicam onde estão “fornecedores”, que são NPCs que vão nos oferecer equipamentos ou vantagens para a partida atual. Podem ser minas, tacos de beisebol, um para-choque mais potente para seu carro, ou mesmo alguma melhoria passiva, tipo melhorar a sua mira ou a dirigibilidade dos seus veículos.

Confira abaixo 11 minutos de gameplay de uma run de MANIAC (que não foi bem sucedida):

Muito mais que 5 estrelas

Obviamente, todo tipo de infração que você realiza, lhe coloca na mira da lei. E, se você acha que as 5 estrelas de Procurado do GTA são difíceis, espere até ver as estrelas de MANIAC, que passam muito das 5.

A coisa começa simples, com a polícia comum. Mas, a cada 3 estrelas, uma nova força de contenção será acionada. Na sequência chega o FBI, depois o exército, as forças especiais… não demora para os helicópteros darem lugar a jatos que vão lhe bombardear sem dó.

Ali pelas 12 estrelas (isso mesmo, DOZE) você já estará sendo perseguido por alguma organização secreta que tem discos voadores (?!) que disparam lasers contra você. O cerco vai se fechando, com muitos veículos e projéteis vindo por todos os lados, bem no estilo Vampire Survivors.

É divertido, mas…

Perpetrar o caos e fugir das autoridades é um loop de gameplay muito divertido… porém, não demora para mostrar suas limitações. E a principal delas é justamente a falta de conteúdo.

Por não ter história, e focar-se somente na parte de “tocar o terror”, o jogo invariavelmente torna-se repetitivo. Nenhuma partida é igual a anterior, mas todas meio que são parecidas, sabe? É surgir na cidade e chutar o balde como se não houvesse amanhã.

Sei que essa falta de história é inerente ao gênero roguelike/roguelite — e é justamente o que costuma me afastar do gênero. E, né, Hades já nos mostrou que é possível injetar uma narrativa em um roguelite. Eu gostaria que MANIAC tivesse um pouco mais de “recheio”.

Audiovisual

MANIAC está longe de ser um primor audiovisual, mas tem uma identidade visual simpática e coerente com a proposta. A cidade é bem modelada e colorida, e os diferentes tipos de veículos, vistos de cima, são muito bonitinhos.

É uma versão “sem filtros” daquela estética de diorama que eu tanto gosto, e o contraste entre o visual bonitinho e a violência explosiva é, no mínimo, interessante.

A trilha sonora não é nenhum destaque (e tende a tornar-se repetitiva), mas os sons ambientes se destacam — tiros, explosões, freadas e acidentes. Jogando no PS5, temos pouquíssimos loadings, e a jogatina rola fluida, sem engasgos.

Conclusão

MANIAC é um jogo que não vai mudar a vida de ninguém, mas com certeza vai lhe render algumas boas horas de caos e diversão descompromissada. Depois de liberar todos os personagens e alcançar o final da bomba atômica com todos, porém, não sobra muito a se fazer.

Até existe um fator replay — rejogar com dinheiro permite que você já comece melhor equipado — mas o loop de gameplay em si não muda. Pelo que vi, só o que varia na sua próxima run (com um personagem com quem você já foi até o final) é que você vai ter que sobreviver por 30 minutos ao invés de 20.

Segundos antes da bomba cair

Se isso não é particularmente animador, aí vão pois pontos para lá de positivos: MANIAC possui menus e legendas em PT-BR, e está ridiculamente barato: em quase todas as plataformas, o preço dele não passa dos 20 reais (entre R$ 16,99 ou R$ 18,45). Mesmo na loja mais cara (PSN), o jogo sai por menos de 30 reais (R$ 26,90).

Ou seja, é um investimento baixo, para uma boa dose de diversão. Parece justo? Então, venha tornar-se um maníaco totalmente chaotic evil… nem que seja só por algumas horas.

MANIAC está disponível para PC, Playstatyion 5 (versão analisada), Playstation 4, Xbox Series, Xbox One e Nintendo Switch.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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