Análise Arkade: Mario Tennis Fever tem mini-games, raquetes eufóricas e muita diversão

1 de março de 2026

Tal qual a famosa série Mario Kart, a franquia Mario Tennis é presença praticamente obrigatória na história dos consoles da Nintendo. Do Nintendo 64 ao Game Boy Advance, passando por GameCube, Wii e 3DS, a série sempre encontrou uma forma de adaptar o esporte aos nossos amigos do Reino dos Cogumelos.

Como alguém que não teve muitos consoles da Nintendo ao longo da vida, meu contato com a franquia sempre foi pontual. A memória mais marcante que tenho é com Mario Power Tennis, muito por causa do fator novidade do Wii e do uso intensivo dos controles por movimento. Naquela época, a proposta era clara: transformar o ato de balançar uma raquete virtual em algo físico, quase performático.

Pois bem, Mario Tennis Fever chegou ao Nintendo Switch 2 recentemente e ele ainda tem um modo de jogo que utiliza controle por movimentos. Mas isso é apenas uma fração da experiência. O novo game não é apenas sobre “simular” partidas de tênis com personagens que a gente adora: ele é um pacote muito mais amplo, repleto de mini-games e treinamentos que nos preparam para jogar tênis no modo Aventura, que é meio que a campanha solo do game.

Aprendendo tênis sem jogar tênis

A premissa é típica do universo Mario: após uma cilada armada por Wario e Waluigi, Mario, Luigi, Peach e companhia são transformados em bebês. Como consequência, perdem completamente suas habilidades esportivas — tipo força, velocidade e precisão. O ponto de partida da campanha é justamente reconstruir essas capacidades dentro de uma academia de tênis no Reino dos Cogumelos.

É uma justificativa bobinha, mas interessante. A execução, porém, toma um caminho curioso: você não aprende a jogar tênis… jogando tênis. Em vez disso, o progresso acontece por meio de uma série de mini-games que funcionam como “treinamento”. Cada atividade concede experiência e pontos em atributos que melhoram seu desempenho nas quadras.

Há corridas com obstáculos, desafios de precisão, provas de desvio, coleta de bolas e outras tarefas que testam reflexo e coordenação. O problema não é a variedade, que de fato existe. O ponto é que a qualidade desses mini-games oscila bastante e, no geral, eles acabam tirando o foco do tênis em si. Em vários momentos, parece que você está jogando uma espécie de Mario Party solo, e não um Mario Tennis.

Isso não significa que o Modo Aventura seja ruim. Muito pelo contrário; ele entrega algo que jogos esportivos frequentemente negligenciam: conteúdo single player. Só que esse recheio vem com uma contrapartida clara: você precisa estar disposto a atravessar uma longa sequência de mini-games (nem todos legais) e acompanhar uma narrativa propositalmente bobinha. Sinceramente, eu preferia que a campanha se focasse mais no tênis em si — talvez um torneio para salvar o Reino dos Cogumelos, ou qualquer justificativa clichê do tipo.

O que temos aqui é uma escolha de design que amplia o escopo da experiência, mas dilui um pouco sua identidade esportiva. Se você quer apenas jogar tênis, talvez estranhe o caminho. Mas, isso também é só uma parte do conteúdo. Se quiser, você pode ignorar completamente tudo isso, escolher a sua raquete e ir direto para o que interessa.

Raquetes eufóricas

Dito tudo isso, quando estamos de fato com a raquete na mão e jogando tênis “pra valer”, Mario Tennis Fever mostra onde realmente acerta. A base mecânica é extremamente sólida. O jogo é uma experiência puramente arcade — não há qualquer preocupação em simular o tênis de maneira realista –, mas tudo é muito bem calibrado.

Os comandos respondem com precisão, a física age de um jeito que faz sentido, os deslocamentos são ágeis e as trocas de bola podem se tornar surpreendentemente intensas — com espaço para cortadas ou “deixadinhas” capciosas –, tanto nas partidas um contra um quanto nos confrontos em duplas.

Existe um ritmo muito aditivo nas disputas. Você percebe claramente quando está construindo um ponto, forçando o adversário ao erro ou preparando um golpe decisivo. É uma experiência acessível para iniciantes, mas tem profundidade suficiente para quem quer dominar tempo de bola, posicionamento e leitura de quadra.

O grande diferencial desta versão, porém, está nas raquetes com habilidades especiais. Embora cada personagem tenha seus atributos tradicionais (velocidade, força, controle, etc.), o que realmente pode virar o jogo são os chamados “golpes eufóricos” de cada raquete, muitos deles inspirados em power-ups clássicos da série Super Mario Bros.

Uma raquete pode incendiar a bola, congelar partes da quadra para fazer os adversários escorregarem, invocar um tornado que bagunça completamente as coisas, transformar a bola em um Bullet Bill praticamente imparável ou até criar uma sombra sua que joga ao seu lado por alguns segundos. São habilidades exageradas, caóticas e absolutamente alinhadas com o espírito da franquia.

Essa ideia das raquetes eufóricas adiciona uma camada estratégica interessante: não basta escolher o personagem com os melhores atributos, é preciso considerar quais raquetes combinam melhor com seu estilo de jogo. Some isso a um elenco de 38 personagens desbloqueáveis e o resultado é um espaço generoso para experimentação.

O jogo conta com diversos modos de jogo, indo de partidas rápidas e torneios temáticos até torres de desafios e gincanas com regras malucas e modificadores. Pode soar óbvio, mas quando Mario Tennis Fever deixa de lado os mini-games e simplesmente coloca você em quadra, ele entrega exatamente o que se espera: partidas rápidas, intensas e divertidas, com aquela dose de caos controlado que só um legítimo jogo esportivo do Mario consegue proporcionar.

Audiovisual

No departamento audiovisual, Mario Tennis Fever entrega exatamente aquilo que se espera de um grande lançamento associado ao ecossistema Nintendo. Embora não seja desenvolvido diretamente pela própria Nintendo, o jogo carrega aquele padrão de acabamento que o público aprendeu a reconhecer como “selo de qualidade” da marca.

Os personagens são extremamente bem modelados e animados, expressivos e cheias de personalidade. O Modo Aventura, inclusive, conta com cutscenes relativamente cinematográficas, que ajudam a dar ritmo à narrativa — ainda que a história seja propositalmente bobinha.

Nas partidas em si, há um cuidado evidente nas animações: deslocamentos, golpes especiais e reações transmitem energia e impacto, enquanto os “golpes especiais” de cada raquete transformam a quadra em um espetáculo de pirotecnia e maluquice.

Em termos de performance, o título roda com impressionante fluidez no Nintendo Switch 2, mantendo estabilidade mesmo nos momentos mais carregados de efeitos visuais. A experiência é limpa, responsiva e tecnicamente consistente.

O departamento sonoro também é um deleite. As vozes caricatas, os efeitos exagerados e a trilha sonora vibrante carregam toda a identidade da franquia Super Mario. Vale destacar que este é mais um exclusivo que chega com localização completa em português brasileiro, inclusive com vozes dubladas: a já famosa Flor Tagarela, introduzida em Super Mario Bros. Wonder, é a locutora das partidas, falante e espirituosa como sempre. Tutoriais, menus e legendas também estão em PT-BR, o que reforça o laço que a Nintendo vem se esforçando para criar com o público brasileiro.

Conclusão

No fim das contas, Mario Tennis Fever entrega até um pouco mais do que normalmente se espera de um spin-off esportivo do universo Mario. Seu Modo Aventura é peculiar– às vezes até excessivo na quantidade de mini-games que pouco têm a ver com o tênis em si –, mas representa um esforço claro de oferecer conteúdo solo substancial, algo que nem sempre é prioridade nesse tipo de jogo.

Ao mesmo tempo, o pacote do esporte em si é sólido: há uma boa variedade de modos e configurações de partida, e o multiplayer para até quatro jogadores é onde o jogo realmente brilha. É ali que o caos toma conta, as viradas épicas acontecem e a bagunça vira quase ginástica quando jogamos utilizando os controles de movimento.

A inclusão das raquetes eufóricas e suas habilidades especiais foi uma excelente sacada (com o perdão do trocadilho), que acrescenta dinamismo, imprevisibilidade e uma camada estratégica interessante às partidas, tornando cada confronto menos previsível e muito mais espetacular.

Mesmo sem ter um histórico profundo com a franquia Mario Tennis, sinto que esta nova iteração entende bem o que o público espera — e consegue até ir um pouco além, seja na variedade de conteúdo, seja na qualidade técnica e na responsividade dos controles.

Se você já gosta dos jogos esportivos do universo Super Mario, as chances de se divertir aqui são altas. E se você tem um Nintendo Switch 2, crianças em casa ou simplesmente quer uma alternativa a Mario Kart World para reunir os amigos, Mario Tennis Fever tem tudo para ser uma boa pedida.

Mario Tennis Fever está disponível exclusivamente para Nintendo Switch 2.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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