Análise Arkade – Music Drive: Chase the Beat, uma breve mistura de perseguições, tiroteios e periferia

Music Drive: Chase the Beat é um jogo brasileiro focado em perseguições e tiroteios, que carrega a cultura musical da periferia. Vamos ver como ele se sai?
Desenvolvido pela Salve Games, com publicação da QUByte Interactive — parceira de longa data da Arkade –, o jogo apresenta um casal de protagonistas, Tina e Tunner, cuja vida é vivida em alta octanagem: ela atua como motorista; ele como atirador.
A campanha possui uma narrativa simples, que se ancora na valorização da cultura periférica e no papel central que a música ocupa nesse universo. Basicamente, o jogo nos coloca tanto no papel dos mocinhos quanto de bandidos. De uma lado, devemos recuperar fitas cassete com músicas inéditas que foram roubadas. Do outro, vamos justamente contrabandear estas fitas, para lucrar de forma ilegal com o talento dos outros.

Não existe realmente uma história, ou background para o casal de protagonistas. Music Drive: Chase the Beat. Não sabemos se Tina e Tunner são de fato um casal, ou quais são suas motivações. Um pouco mais de pano de fundo seria bem-vindo, mas não há. O que sabemos é que os protagonistas têm uma missão, e é nosso dever executá-la.
Veículos e perseguições
Music Drive: Chase the Beat mergulha fundo nas raízes da periferia brasileira. E faz isso não só na trilha sonora — assinada pelo rapper NP Vocal — mas também na escolha dos carros e na estética suburbana.

Ainda que o jogo não utilize marcas oficiais, alguns veículos são imediatamente reconhecíveis para qualquer brasileiro: tem um carro que é claramente um Passat antigo, outro que é uma Kombi! Só faltou um Uno com escada ou um Gol “quadradão” para ficar perfeito!

São esses veículos bem familiares que vamos usar para encarar as perseguições, seja para recuperar as fitas roubadas ou entregá-las aos contrabandistas. As fases são breves, mas intensas, com tiroteios e obstáculos urbanos que exigem atenção total o tempo todo.
Direção e tiroteio
Em termos de gameplay, tudo é bastante simples. Cada missão se resume a uma breve perseguição por um trecho de rodovia que representa algum cenário brasileiro suburbano genérico — nada de Cristo Redentor por aqui.

Se estivermos jogando como os mocinhos, o objetivo é interceptar veículos que estão transportando as fitas roubadas. Se jogarmos como os bandidos, nossa missão é chegar a checkpoints específicos ao longo do percurso, para fazer as entregas. É possível fazer ambas as abordagens em todas as fases: o percurso é o mesmo, o que muda é o objetivo.
A estrutura é sempre a mesma: dirigir enquanto trocamos tiros com inimigos — geralmente dentro de outros carros, mas às vezes a pé, posicionados fora da estrada. O detalhe é que os tiroteios são automáticos: basta que os inimigos estejam dentro da zona de alcance do nosso carro, e Tunner começa a atirar automaticamente.

Isso deixa a nossa responsabilidade focada apenas na direção — que deve ser agressiva, mas prudente: os carros possuem “barra de vida” e podem explodir se muito avariados, levando a uma tela com os dizeres “foi de base” — uma forma tão brasileira de dizer que você fracassou quanto o “se f*deu” de GTA V.

Repetição e dinheiro
Music Drive: Chase the Beat é um jogo curto. A campanha é composta por 10 missões que, como já dito, podem ser jogadas tanto do lado dos mocinhos quanto dos bandidos. Mas, considere que cada missão é uma corrida curta com um objetivo específico: ou recuperar as fitas, ou contrabandear as fitas.

Como cada fase se passa em um único trecho de estrada, é normal que uma fase dure cerca de 2 minutos, o que não é muito. Como resultado, temos uma jornada intensa, mas curta — é possível platinar o jogo em cerca de 3 horas (e falo isso como alguém que não se dá ao trabalho de platinar quase nada).
Para aumentar (um pouquinho) sua longevidade, o jogo estimula o acúmulo de dinheiro para desbloquear novos veículos, armas e melhorias. Porém, a única forma de “farmar” dinheiro é refazer as missões. E isso se faz necessário por que o jogo impõe barreiras práticas.

Por exemplo: o Passat, em seu estado inicial, só permite resgatar duas fitas por vez, enquanto a Kombi, mesmo sem melhorias, comporta seis fitas. Fases avançadas exigem recuperar mais fitas, o que estimula o jogador a comprar veículos melhores. A grana para isso você junta repetindo missões.
O tipo de missão afeta diretamente seus ganhos: do lado dos mocinhos, o dinheiro que vem da recuperação das fitas é pouco; já do lado dos bandidos, a venda das fitas e a conclusão das entregas ilegais rende uma boa grana.

Ou seja, ironicamente, é bem mais fácil enriquecer sendo criminoso, o que passa uma mensagem um tanto dúbia de que ser o vilão é mais recompensador do que ser herói. E a questão da valorização do talento e da música da periferia, como fica?
O fato é: mesmo com essa repetição obrigatória, Music Drive: Chase the Beat é um jogo curto. Com poucos veículo, armas e fases disponíveis, a platina vem fácil, independente do repeteco.
Audiovisual
O audiovisual do jogo chama a atenção por carregar muito da vibe da periferia brasileira e por apostar em um visual que remete aos tempos do Playstation 1. Os gráficos são bem poligonais, com uma pegada retrô que, ainda assim, tem muito charme.

Existe sim uma variedade razoável de cenários, que passam por centros urbanos áreas mais rurais e túneis. Os veículos são um destaque à parte, justamente por trazerem de volta carros antigos que fazem parte do imaginário coletivo.
O som dos tiros e o ronco dos motores cumprem bem o seu papel, e a trilha sonora, como já mencionado, é um grande destaque. As fitas cassete que a gente recupera são justamente as músicas que tocam durante o jogo, todas assinadas por NP Vocal. E, mesmo que o rap não seja meu gênero favorito, as músicas são muito boas, com letras interessantes e batidas marcantes.
Conclusão
Music Drive: Chase the Beat é um jogo simples e curto, mas intenso em sua proposta. O número limitado de fases ganha um fôlego extra graças às duas abordagens possíveis na campanha, que permitem revisitar os mesmos cenários com objetivos diferentes.

Ainda assim, é uma experiência que, com um pouquinho de empenho, dá para terminar “em uma sentada”, e sair com mais uma platina na conta. Uma platina que vem fácil, mas rende umas horinhas de adrenalina e velocidade com estética nostálgica — tudo isso com muita brasilidade e rap nacional da melhor qualidade.
Music Drive: Chase the Beat está disponível para PC, Playstation 4 e 5 (versão analisada), Xbox One, Xbox Series e Nintendo Switch. O jogo está 100% em PT-BR.