Análise Arkade: Nioh 3 traz mapas enormes, ninjas e bastante conteúdo

Nioh 3 é uma evolução natural da série, trazendo mapas maiores em um estilo sandbox, muita ação e desafios e, o mais legal de tudo, a possibilidade de jogar como um Ninja e Samurai! Confira aí nossa análise completa!
Viajando no tempo para deter os Yokai

Meu contato com a série Nioh começou lá com o primeiro game em 2017, sendo um Souls-like bastante competente e divertido. Infelizmente não joguei Nioh 2. Mas joguei Nioh 3 e felizmente o game não demanda conhecimento de seus dois antecessores para ser jogado!
A história acompanha Tokugawa Takechiyo, neto ou neta (dependendo do gênero do personagem que o jogador escolher) de Tokugawa Ieyasu, figura história real que governou o Japão como Xogum de 1603 a 1616. Takechiyo está sendo preparado para suceder seu avô como novo Xogum, porém, seu irmão mais novo, Kunimatsu, movido por inveja e desejo de poder, acaba despertando forças sombrias e liberando um exército imenso de Yokais no Japão, espalhando caos e morte.

E pouco antes de ser morto, Takechiyo é salvo e misteriosamente transportado para outro lugar, acordando dentro de uma caverna. E logo não demora para ele descobrir o que aconteceu. De alguma forma misteriosa, Takechiyo é transportado ao passado, décadas antes do momento em que se encontrava na história, encontrando uma versão mais nova de seu avô durante sua batalha contra Takeda Shingen, que decidiria quem se tornaria Xogum.
Logo, Takechiyo descobre que, de alguma forma, o poder de Yokai despertado por Kunimatsu está afetando o tempo em si, com a mesma anomalia que afetou sua época também afetando diversas eras no passado. Assim, Nioh 3 empresta o recurso de viagem no tempo de Nioh 2 para explorar diferentes eras do Japão, colocando Takechiyo para reviver diversos conflitos históricos, que aqui contam com a participação dos Yokais espalhando destruição em nome de senhores de guerra que existiram na vida real.
Um mundo sandbox divertido ao longo das eras

Nioh 1 e 2 funcionavam com mapas ao estilo missões, em que você escolhia a missão que queria fazer, entrava no mapa e ao final voltava para o mapa para escolher sua próxima missão. Já Nioh 3 é diferente, cada era que visitamos é composta e extensos mapas ao estilo sandbox, com áreas interconectadas, atalhos muitas coisas para se fazer.
Eu queria evitar usar essa comparação, mas a usarei de forma bastante superficial, ao dizer que Nioh 3 é o “Elden Ring” da série, falando especificamente sobre seu mapa. Não se trata de um mundo aberto como Elden Ring, mas mapas mais contidos divididos em diferentes áreas, cada um com tesouros, missões secundárias, Kodamas e Sunekosuris para encontrar e mais.

Esse estilo possibilita muitas coisas novas ao game, a principal é poder jogar em multiplayer o game inteiro, não apenas missões específicas com cooperação que começa e termina (mas esse estilo de jogo continua disponível). Assim, seja jogando sozinho ou com amigos, você pode explorar os mapas livremente, escolhendo para onde ir, com algumas poucas restrições relacionadas a habilidades que você só desbloqueia com o tempo.
O game continua com seu estilo de missões principais e secundárias, mas elas ficam marcadas em seu mapa, e você pode realizá-las na ordem que quiser, obviamente com a história apenas progredindo ao completar missões principais. Mas, além das missões nos mapas, ao interagir com os santuários, as “bonfires” de Nioh 3, você pode participar de missões secundárias especiais, que te transportam para pontos do mapa ligeiramente diferentes, criando caminhos fixos que te levam até o objetivo que, quando concluído, fazem você voltar ao menu de missões do santuário.

Com isso, o multiplayer de Nioh 3 é incrivelmente divertido. Você pode oferecer sua ajuda a jogadores momentaneamente como visitante, com a cooperação encerrando ao vencer o chefão da área. Pode usar um item para deixar um sinal de invocação no chão que, quando usado, chama uma cópia de seu personagem controlada por IA para o mundo de outro jogador. Pode jogar expedições, em que os jogadores se unem para jogar missões completas. Ou, como já mencionado, há a possibilidade de jogar o game inteiro em modo cooperativo.
Cada era que visitamos tem seus cenários únicos e diferentes yokai, ainda que todos os Yokai que vi, com exceção de alguns novos e dos chefões, já são conhecidos desde Nioh 1. Ainda assim, o game oferece muito desafio e diversão.
Em termos de dificuldade, Nioh 3 não é tão punitivo quando você começa a melhorar seu personagem. Mas no começo, as coisas são complicadas, pois qualquer inimigo pode acabar com você facilmente. E os chefões aguentam muita porrada. Mas num geral eu diria que a dificuldade de Nioh 3 é mediana. Pessoalmente, gostaria de um pouco mais de dificuldade, afinal quando eu jogo um Souls-like eu gosto do sofrimento que o gênero proporciona. Mas Nioh 3 compensa a dificuldade levemente reduzida com várias atividades para realizarmos.
Jogando como Samurai e como Ninja

Nioh 3 mantém o mesmo gameplay desde Nioh 1, em que jogamos como um samurai podendo alternar entre três posturas: Baixa, média e alta, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Mas agora o game introduziu uma segunda forma de jogar: Como um ninja!
Jogando como Ninja temos acesso a novos tipos de armas e aos ninjutsus, que são habilidades especiais muito úteis, como atirar shurikens e kunais, colocar armadilhas no chão e até usar habilidades de movimentação rápida e de esquiva. Mas, em resumo, a crucial diferença entre jogar como ninja e como samurai está na velocidade.

Como samurai, você causa mais dano e tem defesa melhorada, podendo aparar golpes inimigos ao defender-se no momento em que for atingido, sendo um estilo ótimo para causar mais dano, sacrificando velocidade. Já jogando como ninja você corre mais rápido, ataca mais rápido e sua esquiva é melhorada, fazendo-o mover-se mais longe e, com o timing certo, te ajuda a flanquear inimigos, mas esse estilo sacrifica a defesa, deixando seu personagem menos resistente a golpes.
E o melhor de tudo, para alternar entre o estilo samurai e ninja basta apertar apenas um botão! E a mudança é completa, pois as armaduras, itens e equipamentos que você usar com Samurai e Ninja são diferentes, cada um com seu menu dedicado para equipar-se! Assim, você consegue alterar completamente todo o gameplay com apenas um botão!

E, você é livre para jogar com qualquer estilo que quiser. Se quiser jogar apenas como samurai ou apenas com ninja, você pode! O game incentiva que o jogador use ambos os estilos, oferecendo inimigos que testam as habilidades do jogador. Com alguns em que é melhor aparar seus ataques e outros em que é melhor desviar. Bem como alguns em que quanto mais dano você causar, melhor, e outros em que cansá-los, quebrando suas posturas e deixando-os vulneráveis ataques críticos, é a melhor estratégia.
A troca de estilos também é uma mecânica de defesa! Quando um inimigo emite uma aura vermelha, se você trocar de estilo na hora em que for atingido, conseguirá cancelar o ataque, deixando o inimigo brevemente vulnerável! Assim, Nioh 3 consegue permanecer diverso ao longo de toda a sua extensão. E conforme vamos evoluindo ambos os estilos, desbloqueando habilidades novas, bem como evoluindo a perícia em cada tipo de arma, as coisas vão ficando mais e mais divertidas!

Há ainda os espíritos guardiões, também equipáveis tanto para samurai como para ninja. Cada um deles oferece vantagens e desvantagens, também desbloqueando habilidades específicas baseadas em seu tipo, como fazer poderosos ataques de fogo, eletricidade, água, terra e vento. E, ao carregar um medidor, é possível ativar uma transformação especial, em que o espírito guardião envolve o personagem com uma armadura, deixando-o incrivelmente poderoso, de forma semelhante ao Devil Trigger de Devil May Cry.
Audiovisual

Nioh 3 é um game bem impressionante visualmente, assim como seus antecessores. O game é bastante colorido e diversificado, especialmente com a Amrita, o mineral formado pelas emoções humanas, espalhado por todo lado.
Como cada era do tempo que visitamos está sendo afetada por invasões de Yokais, todas elas possuem uma característica em comum, um gigantesco olho vermelho no céu com dois enormes braços esqueléticos saindo das nuvens, mostrando o ponto central do poder Yokai na região. Esse recurso visual faz com que os cenários sejam construídos para que seja possível ver ao longe, criando belas paisagens, que misturam regiões montanhosas, planícies, regiões de lagos e costeiras, neve, florestas, cidades completamente devastadas e cidades com construções imponentes.

Os personagens são todos muito bem feitos, com cada personagem humano tendo visuais bastante realistas e que realmente se destacam durante as cutscenes. Os Yokai e os chefões, obviamente, são os que mais se destacam, com suas aparências monstruosas e em alguns casos incrivelmente grotescas, recriando criaturas do folclore japonês e criando algumas aberrações novas.
A trilha sonora do game também é incrível, mantendo o padrão da série em criar músicas ao estilo clássico japonês, com muitas flautas, shamisen e tambores. Nesse quesito o game mantém o padrão dos games anteriores, com uma trilha sonora bela e sempre presente durante toda a aventura.
O game infelizmente não possui dublagem em português brasileiro, tendo apenas vozes em inglês e japonês. Eu escolhi, como normalmente faço, jogar com áudio em japonês para ter uma imersão completa. Felizmente o game conta com localização em português brasileiro em seus menus e legendas, com um trabalho de localização impecável!
Conclusão

Nioh 3 é um game muito divertido e envolvente, sendo um Souls-like bastante competente e que mantém sua fórmula própria que criou sua identidade lá no primeiro game. Mas agora com a adição do estilo de ninja, tudo ficou ainda mais divertido!
A curva de dificuldade de Nioh 3 é suave. O game começa bem difícil mas logo o jogador se acostuma com os dois diferentes estilos e, ao conseguir equipamentos melhores e subir de nível, as coisas começam a ficar mais fáceis. Pessoalmente, eu gosto de sofrer quando jogo um Souls-like, e Nioh 3 tem momentos bem intensos conforme progride, mas num geral é um game tranquilo, o que certamente agradará aqueles que gostam do estilo mas não de sua dificuldade elevada.

Seu multiplayer é diversão garantida. Jogar em modo co-op com amigos ou mesmo com estranhos é bem legal. Em minhas jogatinas, havia momentos que eu passava sessões inteiras só ajudando outros jogadores online, sem me preocupar em avançar na história. E isso levando em conta que eu não sou um jogador muito fã de multiplayer!
Nioh 3 é um game divertido e para quem é fã da série é um prato cheio! Mas, se você nunca jogou a série, pode começar do terceiro game sem medo! Obviamente há muitas referências aos games anteriores, mas a história é facilmente entendível, mesmo se você não tiver o background da série.
Nioh 3 foi lançado dia 6 de fevereiro com versões para PC e Playstation 5.
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