Análise Arkade: Pocket Bravery

20 de junho de 2025

Pocket Bravery não só é um game de luta bastante divertido e competente, como também é um game 100% brasileiro que chamou a atenção do mundo e chegou até mesmo a ser indicado como melhor game de luta na The Game Awards 2023!

O game finalmente foi lançado para consoles em 2025, então é hora de conferir nossa análise desse novo port do game para consoles!

Porradaria franca estilo Chibi

Pocket Bravery não esconde sua principal influência: Pocket Fighter, clássico dos arcades e do PS1, lá dos anos 90, que pegava os personagens de Street Fighter e Darkstalkers e os levava para um mundo com visual Chibi para lutar entre si, mantendo o mesmo estilo de gameplay de seus games originais. Pocket Bravery faz o mesmo, mas com um visual “semi-chibi” e muita violência!

O game acompanha o Nuno, um lutador português que quando jovem fazia parte da Matilha, um perigoso grupo criminoso envolvido em todo tipo de conflitos ao redor do mundo. Nuno foi então preso no Canil, uma prisão altamente perigosa controlada pela Matilha, após descumprir ordens, conhecendo o velho e poderoso Lobo lá dentro. Juntos, eles bolam um plano para fugir dali e iniciar uma busca pelos líderes do grupo e destruí-lo de vez, enquanto Nuno parte atrás de Hector, o líder da Matilha, que Nuno busca para cumprir seu desejo de vingança pelo o que o poderoso lutador fez com ele e muitos outros.

Assim como em games de luta tradicionais, o modo história de Pocket Bravery funciona como um tutorial completo, mais focado em Nuno, que nos ensina calmamente todos os recursos disponíveis na hora da luta. Obviamente, o modo história é apenas uma introdução para o que interessa, que é a porradaria online e os diferentes modos arcade.

Ainda assim, o modo história é bastante vasto e envolvente, levando Nuno e sua nova parceira na luta contra a Matilha, Mingmei, em vários lugares mundo afora, fazendo aliados e enfrentando diversos inimigos em sua missão de exterminar o grupo. A história chega a abordar temas bem pesados, como assassinatos, guerras e mortes de inocentes, além de nos explicar a origem dos poderes de cada personagem, o chamado “Ichor”, que é a manifestação da força interna de uma pessoa, que não apenas a deixa incrivelmente mais forte, mas a permite controlar elementos de mais afinidade de suas almas. Nuno, por exemplo, pode conjurar fogo com seus ataques, graças a toda a sua raiva.

Meia Luta + Soco

Pocket Bravery possui os controles básicos de games de luta clássicos. Soco fraco e forte, chute fraco e forte, agarrão, e botões especiais que equivalem a apertar soco fraco + chute fraco e soco forte + chute forte, usado para facilitar especiais. Tudo isso combinado com meias luas, frente + baixo + diagonal e etc são a receita de bolo clássica.

O game oferece também um esquema de controles simplificado, com especiais que requerem somente um botão, ou uma sequência bem simples combinada com apenas uma direção. Testei ambos os estilos enquanto jogava, e ambas funcionam muito bem, mas pessoalmente achei os controles simplificados simples demais para mim. Por outro lado, eu sou muito ruim jogando com os controles padrão. Ou seja, eu mais apanhei do que venci lutas enquanto jogava o game para esse review!

Pocket Bravery ainda possui duas barras diferentes para cada personagem ambas se enchendo conforme você ataca e leva dano. Uma é a barra de especial, dividida em duas partes. Essa barra é usada para fazer os especiais mais poderosos de cada personagem, especiais “básicos” consomem meia barra de especial, assim como usar breakers para interromper combos. E temos a barra elemental, usada para os especiais elementais de cada personagem, que nada mais são que os ataques especiais, mas com dano elemental extra.

E há ainda o Super Especial, que possui animação própria e causa enorme dano. Mas esse ataque só pode ser utilizado uma vez por round, e somente quando um lutador tem 30% ou menos de vida. Esse especial é difícil de acertar (pelo menos pra mim), mas é um recurso muito valioso para deixar as lutas equilibradas, mesmo quando um lutador está próximo da derrota.

Pancadaria em diferentes formatos

Pocket Bravery possui tudo que um fã de games de luta espera encontrar: Um modo história, um modo arcade, bem semelhante a Street Fighter, com seu lutador escolhido viajando pelo mundo enfrentando oponentes. Um modo Versus para lutas locais entre 2 jogadores, ou para lutar contra a CPU, o modo online, dividido em partidas casuais e ranqueadas. E os Modos Extras, que incluem trials, Time Attack e etc.

Há ainda um modo chamado Combo Factory, que ajuda o jogador a aprender fazer combos com os personagens, além de permitir que o jogador explore o gameplay e crie seus próprios combos. Esse é um excelente modo para alguém como eu, que gosta de games de luta mas é horrível jogando.

Há ainda, é claro, um modo treino, em que você pratica com cada personagem em um ambiente controlado, um modo tutorial, para aprender na prática todos os recursos a sua disposição numa luta, e o modo galeria, cheio de extras bem legais, como artes dos personagens.

Em resumo, Pocket Bravery segue bem a lição de casa e entrega um game de luta muito competente. Seu diferencial, é claro, é ser provavelmente o melhor game brasileiro já lançado! Tanto que chegou a ser indicado a melhor game de luta na The Game Awards 2023, mostrando mais uma vez o talento dos desenvolvedores brasileiros!

E não só isso, Pocket Bravery nasceu e triunfou da “tragédia” que foi a história de Trajes Mortais, game de luta feito por brasileiros que chamou muita atenção do mundo no passado, mas que, por conta de inúmeros problemas severos, acabou jamais acontecendo. Mas uma galera que trabalhou nesse game não desistiu do sonho e tornou realidade com Pocket Bravery!

Audiovisual

Pocket Bravery, como já mencionado, possui um visual “semi-chibi”, e digo semi pois apesar de ter personagens estilo Chibi, com corpos pequenos e cabeças grandes, eles são um pouco maiores e incrivelmente musculosos, principalmente Nuno e Hector, que possuem músculos em seus músculos.

As artes do game, durante as cutscenes, são muito bem desenhadas e com muita intensidade de emoções nas expressões dos personagens, com toda a história progredindo quase ao estilo de painéis de revistas em quadrinhos, um estilo que gosto bastante. E, o game é cheio de referências escondidas! Tanto nas cenas do modo história, quanto nos próprios cenários de luta!

Durante as lutas, o visual é inteiramente em pixel art, com um visual simples, mas muito bem feito e, principalmente, fluído. As movimentações dos personagens é muito bem feita, os efeitos de seus ataques especiais também torna tudo bem mais intenso. E o principal, cada golpe é fácil de reconhecer e perceber seus efeitos durante a luta.

A trilha sonora do game é muito boa, trazendo temas que tomam inspirações de diferentes países, combinando muito bem com seus diferentes cenários. O melhor de tudo, é claro, é que como este é um game brasileiro, ele é inteiramente dublado em nosso idioma! As atuações dos personagens é muito bem feita, especialmente de Mingmei, que gosta de ser bastante ativa durante as lutas.

Conclusão

Pocket Bravery é um ótimo game de luta, bem ao estilo dos clássicos do gênero e com forte apelo competitivo. Sua inspiração clara em Pocket Fighter deixa tudo bem divertido, pois é difícil ver um game atualmente que preste sequer homenagem a esse amado game da época do Playstation 1 e dos arcades.

E é claro, o fato de ser um game 100% brasileiro deixa tudo muito, muito melhor, pois mais uma mostra e não deixa sombra de dúvidas de que nosso país possui muitos desenvolvedores extremamente talentosos, que conseguem criar obras incríveis e chamar a atenção não só do público daqui, mas do resto do mundo também!

Pocket Bravery está disponível para PC, Playstation 4 e 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch.

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Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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