Análise Arkade: Pragmata é diferente, divertido e muito emocionante

Pragmata foi anunciado lá em 2020 como uma IP nova da Capcom, mas ficou anos sem dar notícia e sofreu muitos adiamentos, o que colocou dúvidas se o game realmente seria lançado. E enfim ele foi e que bom que foi, pois temos uma aqui uma experiência genuinamente nova e que merece destaque! Então, vamos conversar sobre o game!
Acidentes na Lua

Pragmata acompanha o técnico Hugh Willians, que trabalha para a empresa Delphi, uma Megacorporação que possui uma imensa base na Lua para pesquisas de um novo material descoberto no satélite natural da Terra: O Lunum, um mineral com propriedades quase mágicas, que quando transformado em Lunafilamento, pode ser usado para quase tudo, replicando quase todo tipo de material.
Hugh e sua equipe de técnicos foram enviados à Lua após o Berço, a base da Delphi na Lua, perder sua comunicação com a Terra. Chegando lá, eles encontram o local completamente abandonado. E nesse momento, um terremoto lunar acontece, matando a equipe de Hugh, que acabou sendo o único sobrevivente, ficando gravemente ferido.

Por sorte, uma menina o encontra e o ajuda a se recuperar, com Hugh descobrindo que ela é uma Pragmata, uma androide de altíssima tecnologia, construída para se parecer com uma menina humana. A Pragmata, chamada D-I-0336-7, então recebe o nome de Diana para facilitar as coisas, e imediatamente eles começam a formar um laço divertido e imensamente profundo.
Diana despertou de sua cápsula de estase sem memórias e sem saber o que aconteceu no Berço, mas decide ajudar Hugh a descobrir o que está acontecendo, após ambos testemunharem a inteligência artificial que controla o lugar, a IDUS, ativar todos os robôs e bots do local para matar qualquer humano que encontrarem. Com isso, Hugh, equipado com armas de fogo, e Diana, com a capacidade de hackear os bots e expor seus pontos fracos, vão trabalhar juntos para entender o que está acontecendo e sobreviver ao terror que se tornou a Lua.
“Dad Space”
Com toda certeza a melhor coisa de Pragmata é a relação entre Hugh e Diana. Hugh é um homem adulto sem muitas preocupações na vida, só trabalhando para conseguir um dinheiro e viver a vida, aproveitando-a ao máximo. Diana é uma Pragmata construída para se parecer com uma menina humana e capaz de entender e possuir sentimentos. E só isso já deixa claro para onde a história vai.
Diana é simplesmente uma criança, curiosa com tudo, descobrindo o “mundo” e se divertindo enquanto acompanha Hugh, mas que também consegue hackear computadores e bots com extrema eficiência em batalhas. E Hugh é, no começo, só um cara que está tendo um péssimo dia, mas que aos poucos vai se aproximando de Diana e entendendo que ela não é simplesmente uma androide, ela é realmente uma criança.

A todo momento enquanto ambos conversam sobre tudo. Sobre o que está acontecendo ao redor, sobre o que cada um gosta e não gosta, e principalmente sobre a Terra. O Berço utiliza o lunafilamento para recriar objetos e até mesmo cenários da terra. Como esse material pode se transformar em quase qualquer coisa, os cientistas da Delphi criaram florestas, praias, carros, brinquedos e até mesmo a Times Square de Nova York dentro da Lua. Diana interage com tudo isso sem entender direito para que serve tudo aquilo, sabendo apenas que tudo aquilo existe na Terra, criando um desejo crescente de visitar o planeta.
E tudo isso é intensificado no abrigo. Pragmata é um game linear dividido em áreas, com Hugh e Diana explorando cada uma e retornando ao abrigo para se recuperarem. Dentro do abrigo você compra upgrades para a dupla, desbloqueia novos equipamentos, treinamentos em VR, roupas, modelos 3D dos bots inimigos e até documentos secretos que expandem a lore do game. E ao interagir com o Cabin você pode dar a ele moedas encontradas ao exploradas, usadas para jogar bingo, com você ganhando prêmios de todo tipo! Mas o principal no abrigo são as interações entre Hugh e Diana.

Aqui você pode interagir com Diana livremente, conversando sobre qualquer coisa ou conversando sobre eventos recentes. E você pode presentear Diana com LMTs, recriações de objetos da Terra usando lunafilamento. E as criações que você encontra são todas relacionadas a crianças! Entre os presentes que você poderá dar a ela estão um escorregador, um balanço simples preso em uma árvore, um skate, uma TV passando desenhos animados, uma pistola d’água, carrinhos de controle remoto e, o presente favorito de Diana: Papel e giz de cera!
É muito fofo ver Diana interagindo com tudo isso, sendo somente uma criança! Ela brinca com tudo, faz perguntas para Hugh sobre os objetos e sobre a Terra, brinca com Hugh usando algumas LMTs (A interação com a pistola d’água é a melhor de todas) e, quanto mais você interage com ela, ela presenteia Hugh com desenhos feitos por ela, registrando memórias significativas da menina da aventura que os dois estão vivendo! E se isso tudo não fosse o bastante, você ainda pode brincar de esconde-esconde com ela!

Pragmata consegue, com isso, ser muito divertido em seus trechos de ação e muito envolvente e acolhedor em seus momentos de calma. Esse é aquele tipo de história de um adulto que não quer aproximação aos poucos tornando-se um pai para uma garotinha que precisa de ajuda. Um ajuda o outro e um precisa do outro. E a forma como Hugh e Diana tornam-se próximos é verdadeiramente linda.
Mas, principalmente, o laço emocional desenvolvido pelos dois é o melhor do game. Pragmata tem uma história simples, as vezes previsível, mas ela não precisa ser algo gigante ou mirabolante. É a simplicidade do game que o torna tão especial. É a história de uma “família” que nasceu no meio da tragédia, em que um torna-se parte do coração do outro.
Um gameplay realmente diferente e divertido
Pragmata é um shooter 3D com câmera de ombro em sua base, mas é nos detalhes que ele se sobressai. Hugh está equipado inicialmente com uma simples pistola com munição infinita, que se recarrega sozinha com o tempo, com ele tendo acesso a um rifle de assalto por volta da metade do game, também com munição autorrecarregável, que servem de armas primária.
E existem três tipos de armas secundárias, identificadas por suas cores. Armas vermelhas causam alto dano. Armas verdes são usadas para controle de hordas e as armas azuis são defensivas. Entre as armas vermelhas temos, por exemplo, o rifle de ondas, uma poderosa shotgun que causa mais dano quanto mais próximo o bot inimigo estiver, um rifle de precisão com tiro carregável, uma arma que dispara um poderoso laser contínuo e etc. As armas verdes contém um gerador de estase que paralisa os bots no raio do tiro por algum tempo, uma espécie de lança granadas que causa pouco dano mas manda inimigos voando para longe, uma arma que dispara bombas que facilitam os hacks e explodem e etc. E as armas azuis incluem um gerador de distração, que cria um holograma que atrai inimigos, um gerador de escuro que protege Hugh e etc.

Na movimentação, como Hugh está equipado com um traje espacial, ele pode usar seus propulsores para planar no ar por alguns segundos e usar dashes tanto em terra quanto no ar. Esses recursos servem para explorar os cenários, alcançando plataformas distantes e voando em áreas verticais, como em batalhas para evitar ataques de inimigos.
E então temos Diana, que acompanha Hugh enquanto se segura em suas costas. Ela é essencial para tudo o que fazemos. Ao apertar o botão de mira e mirar em um bot, um grid aparece na tela. Se você estiver jogando com um joystick, você navega nesse grid usando os botões triângulo, quadrado, X e O do Dualsense ou X, Y, A e B do Xbox e Switch para ir para cima, para baixo e para os lados. O objetivo é chegar até o nodo verde do grid para abrir a defesa dos bots. E se você passar por todos os nodos azuis do grid, causará mais dano com o hack e deixará o bot exposto por mais tempo a danos.

Há ainda os nodos de hack, desbloqueados conforme você avança no game, que adicionam efeitos extras aos hacks se você passar pelos nods amarelos, por exemplo espalhando o hack entre bots próximos, causando confusão, fazendo os botos atacarem uns aos outros, paraliza-los, aumentar a temperatura deles, marcada pela barra abaixo da barra de vidas deles, que quando cheia, deixa o bot vulnerável a um ataques crítico, e etc.
Essa dinâmica entra os dois personagens torna a aventura bem diferente do padrão. E o game consegue balancear bem sua cadência para não ser repetitivo. A todo momento encontramos novos tipos de bots que precisam de estratégias diferentes para serem derrotados. Ou então vários tipos de bots diferentes na mesma luta, tornando tudo bastante desafiador, pois você precisa se adaptar e usar bem seus equipamentos e nodos de hack para vencer essas batalhas.
E mesmo o uso do grid para hackear não fica chato com o tempo, pois cada grid é diferente, alguns contendo nodos corrompidos que bloqueiam o caminho ou podem machucar Diana, fazendo o hack falhar. Todo o conjunto da obra é cuidadosamente criado para deixar a experiência como um todo muito envolvente e divertida!
Uma identidade audiovisual única
Pragmata parece até um game da era do Playstation 3 e Xbox 360 que foi lançado nos dias de hoje. E dependendo do contexto, essa frase pode ser um elogio ou uma crítica negativa. Aqui é com toda a certeza um elogio, e dos grandes!
O game possui uma estética que eu não via há muito tempo, lembrando um pouquinho até de Vanquish da Sega, um game que eu adoro. Mas não é exatamente isso o que eu quero dizer. E sim que Pragmata é verdadeiramente algo diferente, algo ousado, algo que não segue o padrão, assim como os games da era do PS3/X360, em que criatividade ainda era algo importante na indústria AAA.

Se você viveu aquela geração então com toda a certeza consegue nomear pelo menos um game que era fora da curva e o público gostava bastante, simplesmente por gostar, porque eram games criados não apenas com números de vendas como alvo, mas que ousavam em suas criações justamente para fazer esses números.
Visualmente, Pragmata é lindo. A base da Delphi na Lua, ainda que vazia, povoada principalmente por bots violentos controladas pela IDUS, é bastante detalhada e com cenários que contam histórias em sua destruição. E a Lua em si é incrível. Alguns dos meus momentos preferidos do game é quando podemos controlar Hugh e Diana na parte externa da base, andando no solo pálido da Lua, em gravidade baixa e tendo apenas a escuridão do espaço, as estrelas e a Terra cobrindo o céu.

Os bots são incrivelmente detalhados, cada um deles possuindo versões variantes mais fortes e desafiadoras. Assim, se o bot for branco ou cinza, ele será “tranquilo”. Mas se ele for laranja ou vermelho, se prepare!
Mas o destaque com certeza estão em Hugh e Diana. Principalmente a Diana, que é tão meticulosamente modelada que as vezes parece mesmo com uma menina de verdade. A Capcom fez um trabalho incrível com o visual desse game. Hugh mostra seu rosto poucas vezes, quando abre o escudo externo de seu capacete, mas ele é muito bem modelado. Seus trajes, bem como as roupas alternativas de Diana, são todos incrivelmente detalhados, ao ponto de suas diferenças serem animadas in-game! O nível de detalhes é imenso!
A trilha sonora de Pragmata é uma das mais lindas e emocionantes que já ouvi. É uma que eu vou colocar na minha playlist e ouvir quando eu quiser relembrar essa emocionante jornada. E a Capcom sabe que a trilha sonora é boa, pois já a disponibilizou ao público!

E a cereja do bolo, a localização em português brasileiro, que é simplesmente perfeita! A Capcom é sem dúvida alguma uma das melhores empresas da atualidade quando se trata de localizar seus games para o nosso país, e Pragmata merecia um review completo só para falar como sua localização é magnífica! E um grandioso destaque para a atriz Marina Mafra, de apenas 12 anos, é quem dá a voz a Diana, e não apenas isso, ela é quem também dá voz a Emily de Resident Evil Requiem!
Muitas vezes quando eu jogo algo eu gosto de jogar no idioma original, pois quero ouvir as vozes originais dos personagens, mas com os games da Capcom é o oposto, eu quero jogar eles em nosso idioma, pois o trabalho é tão fenomenal que ouvir as vozes originais parece até estranho! É tipo assistir Dragon Ball em português (que é o certo), em japonês (que é diferente, mas excelente) e inglês (que parece que algo está errado, que não bate direito). Jogar Pragmata em português é uma experiência semelhante. Pelo menos pra mim.
Conclusão

Pragmata demorou para ser lançado, passando por vários adiamentos. Mas que bom que foi lançado! Esse é um game com uma duração adequada. Nem muito longo, nem muito curto, em uma experiência single player única e extremamente cativante.
Muita gente tem falado na internet que Resident Evil Requiem e Pragmata são na verdade propagandas contra o declínio populacional no Japão, já que o povo por lá está tendo menos filhos. Resident Evil Requiem como simulador de mãe e Pragmata como simulador de pai me parecem bem convincentes! Quem sabe isso não acabe dando resultado mesmo?

Piadas a parte, esse é um game que genuinamente me conquistou com seu gameplay, seu mundo e principalmente com a dupla Hugh e Diana e o desenvolvimento da relação entre os dois a cada nova área explorada e a cada visita ao abrigo. E já deixo o spoiler aqui que quando chegarmos lá em dezembro e publicarmos nossa lista de melhores do ano de 2026, Pragmata estará lá!
Se você puder jogar Pragmata, jogue-o. Enquanto os maiores estúdios AAA (principalmente ocidentais) querem forçar goela abaixo dos jogadores que são live services que eles querem jogar, que são games sem fim, com monetização forte e a irreal expectativa de décadas de longevidade que mata a criatividade, fecha estúdios e gera demissões em massa, a Capcom veio e lançou um game single player, de duração mediana, linear, com começo, meio e fim, relembrou não aos jogadores, mas a tão prepotente “indústria”, que o que realmente importa é a paixão colocada por quem quer fazer um game porque quer!
Pragmata foi lançado no dia 17 de abril com versões para PC, Playstation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2.
Confira todas as ofertas de games da Amazon!
E confira todas as promoções em games de PC na Nuuvem!