Análise Arkade: Super Mario Galaxy + Super Mario Galaxy 2 (no Nintendo Switch 2)

Para celebrar os 40 anos do Super Mario, a Nintendo trouxe um presentão aos fãs: o relançamento dos muito queridos Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2, que retornam com melhorias — e localizados para o português brasileiro!
Como sempre deixo claro por aqui, a Nintendo não fez parte da minha “vida gamer” por muitos anos, de modo que eu tive pouco contato com algumas franquias famosas que saíram no “pequeno” intervalo entre o Nintendo 64 e o WiiU.
Claro que eu joguei Wii na casa de algum amigo, mas era algo pontual, com foco na bagunça de Wii Sports, Mario Kart, ou algo do tipo. Deste modo, eu acabei nunca tendo a oportunidade de jogar “pra valer” os jogos da série Super Mario Galaxy. Mas, sabia que esses dois títulos estão entre os melhores jogos 3D do Mario — há quem diga que eles representam o auge do personagem em suas aventuras tridimensionais.

A boa notícia é que essa coletânea não apenas mantém o brilho original, como o amplia com ajustes de performance, texturas mais nítidas, comandos otimizados e um novo sistema de câmera mais suave. Tudo isso lindamente localizado para PT-BR e sem alterar a essência do que fez esses jogos se tornarem tão memoráveis: o senso de descoberta, o level design absurdamente criativo e o encanto genuíno que só um legítimo triple A da Nintendo consegue transmitir.
Primeiras impressões tardias
Mesmo jogando hoje, é impressionante perceber como Super Mario Galaxy e sua sequência são atemporais. A primeira aventura é uma viagem intergaláctica de ideias muito únicas: cada planeta, cada pequeno mundo funciona como um microcosmo com sua própria mecânica, gravidade e identidade visual. É o tipo de jogo que surpreende o tempo todo, nunca se repetindo.

Já Super Mario Galaxy 2 refina a fórmula com maestria: é mais direto e desafiador, acrescentando ótimas novidades — como a presença do Yoshi — e um level design ainda mais afiado. É um jogo com uma estrutura mais compacta, que coloca em primeiro plano a magia do level design da Nintendo, que brilha mesmo nos mundinhos diminutos que compõem o game.

Ambos os jogos resistem ao teste do tempo por um motivo muito simples: eles não dependiam de poder gráfico ou de uma história elaborada e cinematográfica. O que eles entregavam lá em 2007 e 2010 — e continuam entregando com maestria em 2025 — é gameplay e game design em sua forma mais pura. É um design inteligente, criativo e cativante, que explora física, gravidade e espaço tridimensional como poucos jogos até hoje ousaram fazer.
Melhorias, audiovisual e performance
Os dois jogos foram atualizados com um cuidado visível. As texturas ganharam definição, a iluminação foi ajustada, e o resultado é uma estética vibrante, que preserva o charme original, mas com a nitidez que o público moderno espera — e uma plataforma atual como o Switch 2 é capaz de entregar.

Rodando no Switch 2, Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2 ganham uma nova fluidez. A taxa de quadros mais alta (e mais estável) e os controles adaptados para os Joy-Cons tornam a experiência mais acessível, principalmente para quem, como eu, não teve tanta experiência com o Wii.
Dito isso, algumas heranças da época do Wii ainda são perceptíveis — e um tanto capengas: a utilização das estrelas, por exemplo, ainda depende de um sistema de mira. Mesmo com o suporte ao giroscópio, a mecânica é imprecisa. Em modo portátil, é possível usar a tela touch para estas interações, o que minimiza o problema. Mas fica claro que, mesmo que os giroscópios tenham evoluído bastante do Wii para cá, eles ainda são uma tecnologia que não funciona bem com comandos que exigem precisão.

Mas sabe uma coisa que melhorou? A portabilidade. Como estamos falando de um console híbrido, agora é possível curtir o jogo tanto na TV quanto em modo portátil, e o hardware mais potente do Switch 2 dá conta do recado, entregando uma experiência nítida e fluida em ambos os formatos. Ver um jogo lindo desse rodando em 4K nativos (em TVs compatíveis), com tempos de carregamento quase inexistentes, é um sonho realizado.
O departamento sonoro é impecável. As trilhas orquestradas são, sem dúvida, algumas das melhores composições da história da franquia Super Mario. As faixas são grandiosas, feitas sob medida para cada fase, e funcionam como motor emocional de toda a experiência. É o tipo de trilha que transforma uma boa fase em um momento inesquecível.

Por último, mas não menos importante, temos a muito bem-vinda localização de ambos os jogos para o nosso idioma, que chegam, pela primeira vez, com menus e legendas em PT-BR. O trabalho de tradução segue o padrão de qualidade que a Nintendo anda adotando em seus títulos recentes, com boas adaptações de termos e trocadilhos criativos.
Conclusão
Jogar Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2 em 2025 é uma experiência anacrônica: os jogos não parecem ter envelhecido um dia sequer, e mesmo mais de 15 anos após seus respectivos lançamentos, ainda surpreendem em termos de qualidade, fator diversão e polidez.

São dois jogos que não só representam o melhor da série Super Mario em 3D, mas também condensam tudo o que torna os triple As da Nintendo tão especiais: criatividade, carisma, game design e um senso de diversão genuína que transcende gerações.
Para finalizar — e corroborar com a opinião do público — deixo aqui um parecer sincero: Super Mario Galaxy é realmente uma franquia especial. A ideia de que aqui cada fase é um planetinha diminuto é simplesmente fantástica, e o conceito, por mais confuso e único que seja, foi executado com um esmero que beira à perfeição — e falo dos jogos em si, não só do relançamento.

Foi uma satisfação ter a chance de experimentar estes dois clássicos, e minhas jornadas foram ainda mais especiais por poderem ser levadas na mochila, e estarem devidamente localizadas para o meu idioma.
Super Mario Galaxy + Super Mario Galaxy 2 estão disponíveis para Nintendo Switch e Nintendo Switch 2 (versão analisada).