Bangers Open Air 2025 – Sabaton demora pra engatar, mas faz a cobra fumar em seu retorno ao Brasil

Os fãs brasileiros do Sabaton possuem uma conexão interessante. Pois além de serem extremamente engajados (e adorarem história), também possuem uma ligação devido a Smoking Snakes, a famosa música da banda sueca que celebra a participação da FEB na Segunda Guerra Mundial.
Por isso, o retorno do grupo ao nosso país já gerou boas expectativas, com muitas camisetas da banda (um termômetro natural em festivais) mostrando o quanto eles eram esperados.
Mas, se pelo lado dos fãs a empolgação era enorme, por outro, o Sabaton demorou para engrenar. O show começou morno, e mesmo The Last Stand, um clássico da banda, além de um pequeno apagão no palco no início da apresentação, não foi suficiente para puxar o fã pro show. Stormtroopers até que foi bem aceita, mas Carolus Rex, que foi tocada em sueco, distanciou o público fez o pessoal voltar a só “ouvir” e não chacoalhar a cabeça
É interessante ouvirmos músicas da banda em sua língua nativo, mas imagino que En livstid I Krig, mais poderosa e que reflete a vida de um soltado da Suécia em plena guerra dos 30 anos, seria melhor aproveitada neste sentido.
Mas quando o rei Carlos XII da Suécia saiu de cena, enfim o Sabaton começou o seu show pra valer. Night Witches, uma música poderosa que aborda a história de uma divisão feminina soviética que tinha como missão voar baixo para atazanar nazistas nas noites daquele conflito, foi a linha de conexão com o fã, que finalmente entrou no show.
Por se tratar de um festival, todo o aparato de luzes, fogos e elementos de pirotecnia ficaram “adaptados” e não trouxeram o mesmo efeito que shows solo da banda. O que é natural, mas ainda assim vale a nota.
Fields of Verdun e The Art of War mantiveram o bom momento do show, com um momento inusitado antes de Resist and Bite, música que fala da resistência feroz de soldados belgas no contexto da II Guerra Mundial.
Mas, antes, Joakim Brodén apareceu com uma guitarra rosa da Hello Kitty, com direito a uma outra frase em português antes da esperada “Cobras Fumantes eterna é a sua vitória”: “Chupa minhas bolas”, disse o cantor, em tom de brincadeira, aos seus colegas, que brincavam também com a guitarra rosa.
Ah, e com a Hello Kitty ele tocou o riff de Master of Puppets antes de começar Resist and Bite.

Já perto do final do show, após Resist and Bite, chegou a melhor hora do show. Tivemos a boa Soldiers of Heaven e a épica Christmas Truce, que conta o famoso cessar fogo entre britânicos, franceses e alemães no Natal de 1914, época em que a I Guerra Mundial tinha se iniciado. O hino foi cantado pelos fãs que, naquela altura, já estavam imersos nas histórias que o Sabaton canta.
Em seguida, Smoking Snakes, a grande espera da noite. Com sinalizadores acesos em verde e amarelo, os fãs cantaram muito a música, que apesar de falar da história dos três soldados brasileiros que morreram de forma corajosa na Itália (e tem sua história desmistificada e esclarecida aqui), celebra os atos da FEB como um todo, por isso é bem querida pelos fãs.
A noite ainda teria Swedish Pagans, uma música divertida para se cantar em uma só voz entre banda e público, que narra a vida dos vikings, de onde nasceria, tempos depois a Suécia do Sabaton.
O Sabaton errou no começo do show em confundir show solo com festival, na minha opinião. Pois trazer músicas mais conectadas apenas com o fã no começo do show atrapalhou um pouco para engajar o público, e a própria banda se mostrava um pouco distante do grande show que era esperado.
Mas, felizmente, a banda se encontrou no palco, puxou o fã e o público em geral pra perto e conseguiu garantir mais um show bacana na segunda noite de Bangers Open Air.
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