Dan Houser explica por que Grand Theft Auto não voltará a Londres

5 de novembro de 2025

Em uma entrevista recente com o podcaster Lex Fridman, Dan Houser, cofundador da Rockstar Games e ex-roteirista da série Grand Theft Auto, revelou os motivos pelos quais o jogo principal da franquia provavelmente nunca retornará a Londres. A declaração, destacada pelo Time Extension, reforça a identidade americana central da série, que define suas narrativas e mecânicas desde os anos 1990.

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Houser, que deixou a Rockstar em 2020 após anos moldando histórias como as de GTA III, San Andreas e GTA V, argumentou que elementos culturais e temáticos do jogo estão profundamente ligados aos Estados Unidos, seja ela em sua cultura nova-iorquina, californiana ou na região da Flórida, que se tornaram cenários dos games da franquia.

“Para um jogo completo de GTA, sempre concluímos que havia tanto do americanismo inerente à propriedade intelectual que seria difícil fazê-lo funcionar em Londres ou em qualquer outro lugar”, disse ele a Fridman. “Você precisa de armas, de personagens maiores que a vida. O jogo se trata tanto da América, possivelmente de uma perspectiva externa, que isso era o cerne da coisa e não funcionaria da mesma forma em outro local.”

Essa visão não se limita a Londres, mas explica o abandono de ideias para expansões em cidades como Berlim, Tóquio e Bogotá. Fontes internas da Rockstar já haviam mencionado desafios logísticos e narrativos em projetos semelhantes, priorizando as locações estabelecidas na série original.

A História das Cidades em Grand Theft Auto

Desde o primeiro Grand Theft Auto, lançado em 1997, a franquia se concentrou em três áreas principais: San Andreas, uma paródia de Los Angeles e depois de toda a Califórnia; Vice City, inspirada em Miami; e Liberty City, sátira de Nova York. Essas escolhas criaram um universo consistente de crime, sátira social e ação aberta, que se tornou a base para sucessos como GTA V, vendido em mais de 195 milhões de cópias.

Houve desvios pontuais, como GTA 2, ambientado em uma fictícia Anywhere City nos EUA, e pacotes de missões em GTA London, que exploraram as ruas da capital britânica em 1999. Esses experimentos alimentaram o interesse de fãs por mais variedade geográfica, imaginando como a fórmula de GTA se adaptaria a culturas distantes – de neon em Tóquio a caos em Bogotá.

No entanto, conforme Houser, a essência do jogo depende de traços americanos: o acesso a armamento como parte da cultura do país, narrativas exageradas e uma crítica externa à sociedade dos EUA. Mudar isso diluiria o que torna a série reconhecível.

Desafios em Projetos Internacionais: O Caso de GTA Tokyo

Conversas com ex-funcionários da Rockstar revelam que ideias como GTA Tokyo avançaram em discussões iniciais, mas esbarraram em barreiras práticas. Um ex-empregado do estúdio em Nova York, em declaração de 2024, lembrou: “Grand Theft Auto: Tokyo era uma das cidades em consideração na época. Sam Houser [irmão de Dan e também cofundador da Rockstar] estava bem envolvido com a ideia de Tóquio como cenário.

Ele havia acabado de lançar GTA III e eles viajavam muito para lá para promover o jogo. Parecia uma cidade legal e interessante para ambientar, mas no final, tudo se resumiu à logística. Enviar a equipe de pesquisa para mapear a cidade por tempo suficiente, e a sátira cultural em termos do que poderia funcionar de forma narrativa adequada naquela cidade. Conectar esses elementos foi um pouco complicado, e achamos mais interessante ficar com as cidades introduzidas em Grand Theft Auto 1.”

Propostas para GTA Berlim e GTA Bogotá enfrentaram obstáculos semelhantes, com a Rockstar optando por refinar as locações americanas. Isso resultou em expansões como GTA Online e o vindouro GTA VI, quevai se passar novamente em uma versão de Vice City.

O Que Isso Significa para o Futuro de GTA

A declaração de Houser sugere que futuros títulos manterão o foco nos EUA, preservando a fórmula que atraiu milhões de jogadores, já que além das cidades e personagens, os elementos americanos, exagerados e satirizados, é o que faz a série ser o que é.

Para fãs sonhando com explorações globais, isso pode frustrar, mas reforça por que Grand Theft Auto se destaca: uma lente afiada sobre a cultura americana, misturada a mecânicas de mundo aberto que definem o gênero.

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Junior Candido

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