Em meio a onda de demissões da Microsoft, um dos fundadores da Arkane criticou duramente o Game Pass

7 de julho de 2025

Semana passada a Microsoft demitiu 9100 funcionários e fechou o estúdio responsável pela produção do reboot de Perfect Dark, além de cancelar vários outros projetos, incluindo Everwild, que estava há um bom tempo sendo produzido pela Rare. Em resposta a tudo isso, Raphael Colantonio, um dos fundadores da Arkane, que deixou o estúdio em 2017, criticou duramente o Xbox Game Pass.

Em sua conta no Twitter/X, ele comentou inicialmente, em resposta ao colossal número de pessoas demitidas pela Microsoft, sobre o porquê de ninguém estar falando sobre o “elefante na sala”, o Game Pass. Quando solicitado por outros usuários para explicar o que ele queria dizer, ele foi enfático: Para ele, o Game Pass é um modelo de negócio totalmente insustentável, e que somente existe por conta do dinheiro infinito da Microsoft. Mas que, quando esse dinheiro acabar, aí sim as pessoas versão o quanto o modelo é prejudicial.

Segundo ele o modelo do Game Pass existe para matar a concorrência, o que é bastante óbvio. Mas que, no cenário hipotético disso realmente acontecer, o resultado seria o serviço em si se tornar ruim, adicionando games que não causam impacto, e eventualmente o preço subirá. Pois após a Microsoft “vencer” a indústria de video games, aí não teria mais o incentivo de oferecer um serviço que, como ele mesmo define é “bom demais pra ser verdade”, como o que temos hoje.

Outros desenvolvedores concordaram com Colantonio, como por exemplo Joe Kreiner, ex-vice presidente de Desenvolvimento de Negócios da Epic Games, e Michael Douse, diretor de distribuição da Larian. Colantonio ainda explicou seu ponto de vista sobre o porquê da Microsoft ainda investir tanto dinheiro no Game Pass se o negócio não é sustentável. Para ele, a Microsoft continua investindo com o objetivo de atrair mais e mais assinantes na esperança de que um dia o modelo torne-se autossuficiente.

A própria Xbox já admitiu no passado que o Game Pass não era sustentável como desejavam e que “canibaliza” o mercado de games. Colantonio e Douse reconhecem que o negócio é um grande apoio para desenvolvedores independentes que recebem investimentos da Microsoft para lançar seus games no Game Pass, mas que o lançamento Day-One de games grandes, como Call of Duty, é algo que não faz muito sentido e mata os números de vendas desses games.

Colantonio ainda comentou sobre uma das razões expostas para a Microsoft demitir 9100 funcionários, que é estar se direcionando mais e mais ao uso de Inteligência Artificial em seus negócios. Para ele, isso é besteira, e o Game Pass é um dos maiores culpados pela onda de demissões, pois, para manter seu catálogo, a Microsoft precisa gastar bilhões para garantir seus games, como veio fazendo nos últimos anos comprando estúdios. O que, no fim, gerou um rombo gigantesco que nem o Game Pass conseguia preencher, sendo que essa era a estratégia da empresa.

No fim, Colantonio pintou um cenário bastante pessimista para o futuro, mas um que não é irreal, ou muito menos improvável de acontecer. Hoje o Game Pass é realmente uma oferta “boa demais para ser verdade”, oferecendo milhares de games, incluindo lançamentos AAA, acessíveis instantaneamente. A ideia da Xbox é manter essa característica sempre. E esperemos que realmente seja isso o que aconteça. Infelizmente, a indústria de video games vive um declínio cruelmente deprimente, e 9100 demissões não é algo que podemos simplesmente esquecer que aconteceu.

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(Via: IGN)

Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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