Frances Townsend, da Activision Blizzard, está bloqueando funcionários em sua conta no Twitter

2 de agosto de 2021

Semana passada, mais de 2500 funcionários da Activision Blizzard escreveram uma carta em protesto contra as ações da diretoria e presidência da companhia após a revelação do processo movido pelo estado da Califórnia contra o estúdio, por conta de diversas denúncias de assédio e abuso sexuais, dentre outros crimes.

Além da carta, os funcionários organizaram um dia de greve na frente dos estúdios da Blizzard, que aconteceu na última quarta-feira, dia 28 de julho. A carta e a greve foram motivadas principalmente por conta das respostas de Frances Townsend, Diretora de Conformidade dentro da companhia e Patrocinadora Executiva da Rede de Mulheres Empregadas da ABK, em relação ao processo.

Em um e-mail enviado para os funcionários, ela diz que o processo “apresenta uma imagem inverossímil e distorcida da Activision Blizzard, incluindo estórias factualmente incorretas, velhas e foram de contexto – algumas de mais de uma década atrás.” – além de deslegitimar as denúncias de abusos, chegando a comentar que ao ao entrar na empresa, ela sabia que seria um lugar de respeito e que sempre foi respeitada lá – ignorando o fato que ela tem um cargo de chefia e que está na Activision Blizzard há apenas 4 meses.

A situação piora ao explorarmos seu passado profissional. Em 2004 ela trabalhou como Assistente do presidente George W. Bush no Departamento de Segurança Interna e Contraterrorismo. Em diversas entrevistas na ocasião ela se posicionou a favor do uso de torturas contra prisioneiros em interrogatórios, desde afogamento, privação de sono e nudez forçada.

Frances Townsend em entrevista sobre os casos de tortura no exército americano.

E até hoje, em seu perfil no Twitter, ela aborda temas militares e especialmente polêmicos, visto que continuou a trabalhar neste departamento até sua contratação na Activision Blizzard.

A situação dela dentro da companhia, que já era terrível em relação a seus funcionários, tornou-se ainda pior quando, no dia 30 de julho, ela postou um tweet linkando uma matéria sobre “O perigo das denúncias“. E não é preciso entender muito aprofundadamente sobre o caso para saber que isso é algo que definitivamente NÃO deveria ser falado quando você está numa empresa com diversos funcionários denunciando comportamentos abusivos de membros da alta hierarquia.

Obviamente a reação geral foi imensamente negativa, com pessoas de todos os lados criticando sua publicação. A resposta de Townsend para essa repercussão negativa foi, ao invés de deletar ou ignorar a situação, bloquear aqueles que a criticaram, incluindo funcionários da própria Activision Blizzard! Além de ex-funcionários, desenvolvedores de outros estúdios e jornalistas.

A carta assinada por mais de 2500 funcionários menciona explicitamente a terrível resposta de Townsend e demanda sua retirada como Patrocinadora Executiva da Rede de Mulheres Empregadas da companhia, por sua má conduta e posição de negativa frente ao processo. Ao passo que os presidentes da Blizzard, da Activision e o CEO Bobby Kotick se posicionaram, ainda que de forma vaga, em favor das vítimas.

Certamente esse caso no Twitter, aliado a postura de Frances Townsend certamente intensificará ainda mais os protestos de funcionários da Activision Blizzard e da indústria como um todo, a exemplo da Ubisoft, cujos funcionários divulgaram uma carta condenando a companhia francesa por não tratar os casos de assédio revelados ano passado da forma correta. A carta, que originalmente tinha mais de 500 assinaturas, agora já passa de 1000.

(Via: Kotaku)

Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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