GDQ cancela patrocínio da SNK e maratona de Metal Slug após críticas ao envolvimento do governo da Arábia Saudita

14 de julho de 2026

A organização da Games Done Quick (GDQ) cancelou uma maratona especial de Metal Slug que estava prevista para acontecer durante o evento Flame Fatales, após críticas da comunidade sobre a participação da SNK. A desenvolvedora seria a patrocinadora da transmissão, mas sua ligação com o governo da Arábia Saudita levou a organização a rever a decisão.

A polêmica gira em torno da estrutura acionária da SNK. Desde 2022, a empresa é controlada majoritariamente pela Electronic Gaming Development Company (EGDC), subsidiária da Fundação MiSK, organização presidida pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

A fundação é financiada pelo Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano da Arábia Saudita, frequentemente alvo de críticas por sua estratégia de investir em esportes e entretenimento para melhorar a imagem internacional do país enquanto joga uma cortina de fumaça em questões sociopolíticas mais relevantes — prática conhecida como sportswashing ou entertainment washing.

A gente viu um exemplo claro disso no recente Fatal Fury: City of the Wolves, que trouxe convidados no mínimo inusitados — como Cristiano Ronaldo e o DJ Salvatore Ganacci — ao elenco. Tais adições fazem parte deste movimento de sportswashing ou entertainment washing, e demonstram como o PIF tem poder para “dar pitacos” e impor mudanças que não necessariamente visam melhorar o jogo.

Em comunicado publicado nas redes sociais, a GDQ afirmou que ouviu o feedback da comunidade e reconheceu que a parceria “não estava alinhada aos valores da organização”. A entidade também pediu desculpas pela decisão inicial e confirmou que a programação do Flame Fatales seguirá normalmente, mas sem a participação da SNK nem da maratona dedicada à franquia Metal Slug.

A decisão foi bem recebida por parte da comunidade de speedrunning, que vinha criticando o patrocínio desde o anúncio do evento. Muitos participantes lembraram que a GDQ tradicionalmente apoia causas ligadas à inclusão e aos direitos da comunidade LGBTQIA+, valores que consideram incompatíveis com uma parceria envolvendo empresas controladas pelo fundo soberano saudita.

Embora a SNK continue operando normalmente e desenvolvendo novos jogos para algumas de suas principais IPs, o episódio mostra que a origem dos investimentos por trás de grandes empresas de games segue sendo um tema sensível. Nos últimos anos, a crescente presença do Public Investment Fund na indústria tem gerado debates semelhantes envolvendo publishers, equipes de eSports e grandes eventos do setor.

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(Via: Gamespot)

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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