Jackie Chan Stuntmaster: O clássico de PlayStation que veio durante a expansão do ator em Hollywood

14 de maio de 2026

Em março de 2000, Jackie Chan continuava sua trajetória em se tornar um astro em Hollywood. O sucesso de Hora do Rush (1998), que arrecadou mais de 244 milhões de dólares em todo o mundo ao lado de Chris Tucker, abriu portas para projetos maiores nos Estados Unidos.

O ator, velho conhecido dos fãs de cinema de pancadaria, fez diversos filmes em Hong Kong, incluindo clássicos como a série Police Story ou Detonando em Barcelona, entre muitos outros. Ele até tentou a sorte nos EUA com O Lutador de Rua em 1980, mas só conseguiu iniciar seu legado de sucesso em Hollywood a partir de 1995, com Arrebentando em Nova York, e posteriormente com a comédia feita ao lado de Tucker.

E em 2000, ele estreou em Bater ou Correr, com Owen Wilson, misturando comédia, faroeste e artes marciais. Foi nesse contexto que Jackie Chan Stuntmaster, feito para transportar a ação de Jackie para os games, chegou às lojas para PlayStation, desenvolvido pela Radical Entertainment e publicado pela Midway.

O título permitia controlar o ator em uma história ambientada em Nova York, no melhor estilo Mr. Nice Guy ou Arrebentando em Nova York, onde o avô dele é sequestrado e um pacote do Templo Shaolin precisa ser recuperado.

A produção priorizou a fidelidade aos filmes de Jackie Chan. O projeto começou como protótipo em 1997, mas ganhou forma quando a equipe passou a consultar o ator em todas as etapas. Em março de 1999, ele passou dois dias no estúdio Futurelight, em Santa Monica, gravando captura de movimento para socos, chutes, rolamentos, saltos e até o estilo bêbado, consagrado por ele mesmo em Drunken Master (O Mestre Invencível).

Ele também gravou as vozes e testou uma demo do jogo. O produtor Iain Ross relatou que Jackie reagiu com entusiasmo à versão inicial, enquanto o time de segurança ria das animações. A Radical enviava fitas de vídeo com os avanços para aprovação direta do ator, garantindo que o game não só tivesse o aval de Jackie, como também reproduzisse o uso do ambiente e as acrobacias vistas nos longas-metragens.

No jogo, o jogador avança por 15 fases em 3D ambientadas em Nova York: Chinatown, cais, esgotos, telhados e fábricas. Os combates misturam brigas contra grupos de inimigos com plataformas. Era o mais próximo de um beat ‘em up naquela época, visto que em 2000 o gênero era considerado “coisa do passado” e, salvo um ou outro jogo, o gênero não se desenvolveu tanto na metade tridimensional dos anos 90 e nos anos 2000.

Os botões controlam soco (quadrado), chute (triângulo), agarrar (círculo) e bloqueio (L1). E apesar de um gameplay versátil, o destaque fica na interação com o cenário, incluindomesas, vassouras, latas, bancos e até peixes viram armas improvisadas, aumentando dano e alcance.

Há ainda rolamento de mergulho (R1) para desviar de obstáculos, strafe (R2) e saltos na parede, tudo para entregar o máximo de Jackie Chan no gameplay. Cada fase tem 10 cabeças de dragão vermelhas para coletar; reunir todas libera dragões dourados, uma fase extra no Templo Shaolin e um traje do Drunken Master. Ao completar 100%, o game desbloqueia de presente um vídeo de bastidores com Jackie Chan falando sobre o projeto e imagens da captura de movimento.

Se não quiser jogar os 100%, é só pressionar na tela de título a sequência: Esquerda, Direita, R1, Círculo, Quadrado, Triângulo e Triângulo. E se não tiver o jogo ou só quiser dar play, então é só ver este vídeo abaixo:

A recepção da crítica em 2000 foi moderada, mas favorável entre fãs de ação old-school. A IGN elogiou os combos variados e o replay das colecionáveis. A GameSpot, por sua vez, destacou o combate inspirado em clássicos como Final Fight, mas apontando dificuldades nos saltos nas plataformas e gráficos simples, típicos do fim da geração do PlayStation.

Aqui no Brasil, o game foi destaque na Ação Games #152, de junho de 2000. A revista recomendou o game, chamando-o de “pancadaria alucinante”, e elogiou a diversão do game, dizendo ser fiel ao estilo de Jackie Chan. Foi citado também os comandos simples, além dos gráficos e trilha sonora, que também foram elogiados.

O game vendeu cerca de 220 mil cópias no total (120 mil no Japão, 80 mil na América do Norte e 10 mil na Europa), números modestos, mas suficientes para ganhar status de cult entre quem jogou na época. E no Brasil, onde nem preciso falar que jogos vendidos em banquinhas de camelô não entram nestas estatísticas, o game de Jackie Chan rapidamente se espalhou nos consoles desbloqueados do nosso país, com o sucesso do ator com seus filmes sendo reproduzido em um game que deixa saudade até hoje em quem viveu esta época.

Outras aparições de Jackie Chan nos videogames

Antes de Stuntmaster, Jackie Chan já tinha aparecido em outros games, mas de forma mais discreta. Em 1984, títulos como Spartan X (arcade e Famicom) adaptavam cenas de filmes dele em beat ’em ups side-scrolling.

Jackie Chan’s Action Kung Fu (1990, NES e TurboGrafx-16) era um co-op divertido com elementos de humor e lutas contra chefes. Em 1995, o arcade Jackie Chan in Fists of Fire (também conhecido como The Kung-Fu Master Jackie Chan) trouxe combates mais próximos do estilo dele, com visuais inspirados em Drunken Master.

Depois de Stuntmaster, vieram games baseados na divertida série animada Jackie Chan Adventures (2001-2004), com aventuras em plataformas e lutas. Outros títulos posteriores, como Shanghai Showdown, mantiveram o foco em ação, mas nenhum repetiu o nível de envolvimento direto do ator como em Stuntmaster. O jogo de 2000 se destaca exatamente por isso: foi o primeiro grande projeto de console em que Jackie gravou movimentos e vozes pessoalmente.

Detalhes que deixaram o jogo um “pouco mais Jackie Chan”

Imagem: CazzelumG8king / YouTube

A trilha sonora, composta por Graig Robertson, combina instrumentos chineses tradicionais (gu zheng, dizi, erhu) com batidas eletrônicas. Na cena inicial do restaurante, toca “Dan Yuan Hua Chang Zai”, música do álbum de Jackie de 1992.

Easter eggs incluem pôsteres de Project A Part II e Police Story 2 no restaurante, além de game overs que simulam claquetes de cinema, como se cada derrota fosse um “take” errado. As falas gravadas por Jackie têm frases leves no sotaque dele, como “somebody call an ambulance!” ao perder.

Hoje, cópias completas em bom estado valem alto no mercado de colecionadores. Mas quem quer apenas curtir o jogo, continua curtindo o game naquele porta CD veterano e ligando ele em um PS1 raiz, ou emulando o jogo, com as melhorias gráficas que os emuladores permitem atualmente, revivendo combate em gráficos 3D dos tempos do fim de vida do primeiro PlayStation e o humor nostálgico do game, que faz a gente querer rever algum filme clássico do ator.

As dicas de Jackie Chan Stuntmaster

  • Destrave todas as fase – Na tela de título pressione L2QuadradoTriânguloCírculoXR2 e R2. Você ouvirá um som indicando que funcionou, inicie o jogo e todas as fases vão estar disponíveis. 
  • Making of – Na tela de título pressione EsquerdaDireitaR1CirculoQuadradoTriângulo e Triângulo. Na parte de baixo da tela aparecerá a mensagem Bonus Movie press X, o filme é uma entrevista com o Jackie Chan sobre o jogo. 
  • Todos os dragões – Na tela de título pressione L1, R2, L2, R2, Quadrado, X e X. Você ouvirá um som indicando que funcionou, agora você terá acesso a fase do Shaolin Temple, Roupa Drunken Master e ao filme oculto. 
  • Ganhe bônus coletando os dragões – Pegue o seguinte número de dragões:

Roupa Drunken Master – Pegue 15 dragões.
Jackie Chan Movies – Pegue 20 dragões.
Fase Shaolin Temple – Pegue 15 dragões.

Um beat ‘em up com gosto de Sessão da Tarde

Jackie Chan Stuntmaster entrega uma experiência que mistura ação de rua com plataformas, usando os movimentos reais do ator para criar a sensação de estar dentro de um filme dele. Disponível apenas no PlayStation, mas sendo possível aproveitá-lo em emuladores dos mais variados tipos, continua sendo uma opção para quem gosta de beat ’em ups da era 3D e quer ver de perto como Hollywood e os games se encontraram no auge da carreira global de Jackie Chan.

Se você jogou na época ou está descobrindo agora, com certeza vai se divertir muito com o jeitão Jackie Chan de se fazer filmes, que foi transportada, com a criatividade e os recursos da época, para um game que agrada até hoje.

Fontes consultadas:

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Junior Candido

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