Le Vertige: filme francês com visual de PS1 brinca com o conceito Matrix de “vivemos em uma simulação”

31 de maio de 2026

Quentin Dupieux (aka Mr. Oizo) é um cineasta cheio de files bizarros em seu currículo. Em Rubber, ele coloca um pneu assassino como protagonista de um filme de horror (e faz disso uma sátira sobre o público que consome esse tipo de coisa).

Também temos, em Le Daim, um homem que se apaixona perdidamente por uma jaqueta de camurça, e dois idiotas que tentam domesticar uma mosca gigante em Mandibules. No festival de Cannes deste ano, Dupieux apresentou Le Vertige, sua estreia na animação — e o ponto de partida é, novamente, bizarro e um tanto inquietante,

O filme acompanha Jacques — interpretado por Alain Chabat — que tenta convencer seus amigos de que estão vivendo dentro de uma simulação. No filme, ninguém parece se importar. Porém, o que transforma a premissa em algo curioso é o fato de que o público pode ver claramente que Jacques tem razão: o mundo inteiro do filme é renderizado em gráficos low-poly, como se fosse um jogo de PS1 ou alguma demo obscura de um CD-ROM dos anos 90.

Animado no software open source Blender, Le Vertige satiriza a busca incessante por realismo nas imagens geradas por computador — algo especialmente contundente em um momento dominado pelo debate sobre IA generativa, arte e o futuro da animação.

Confira abaixo o trailer de Le Vertige (é possível habilitar legendas com tradução automática pelas opções do Youtube):

A escolha estética não é exercício de nostalgia: ao usar deliberadamente o visual dos jogos de PS1, o diretor inverte a lógica da indústria e transforma o low-poly em argumento. Quanto mais o mercado vai em direção ao hiper-realismo, menos relevante o mundo real tende a ficar. O realismo da tela ofusca a própria vida e a gente passa a dar mais atenção à simulação.

Genial ou só esquisito? Ainda não dá para saber, mas Le Vertige sem dúvida tem um tom questionador pra lá de interessante — e uma estética pra lá de nostálgica. O filme estreia na França em junho, mas ainda não tem um lançamento internacional definido.

(Via: Kotaku)

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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