Monsters of Rock 2026 – Jayler e Dirty Honey mantém viva a chama do hard rock, com qualidade e competência

O Monsters of Rock 2026 iniciou suas atividades, no último sábado (4) com duas bandas bem interessantes. Primeiros a subirem no palco do Allianz Parque, Jayler e Dirty Honey conseguiram cumprir com seus objetivos: chamar atenção de um público ainda avulso no estádio e se apresentarem para um público maior.
As bandas de início de festivais como estes tem uma boa oportunidade de se apresentar em um estádio, mas também tem seus desafios. Eles precisam lidar com um estádio não tão cheio, pois tem quem prefira chegar mais tarde, quem trabalha antes de ir aos shows e tantas outras questões do tipo.
Além disso, o público em geral pagou o ingresso para ver os grandes nomes do festival: Lynyrd Skynyrd e Guns N’ Roses, neste caso. Então trazer a atenção dos celulares e cervejas para o palco é uma dura missão, que foi cumprida com sucesso por ambas as bandas.
Os dois grupos estão vivendo boas oportunidades em nosso país. Além do festival, também fizeram um show nesta semana que se passou no Audio, como um “esquenta” oficial do Monsters, e ainda vão tocar com o Lynyrd Skynyrd no Rio de Janeiro, e estão aproveitando muito bem todas estas vitrines.

O Jayler até “engana” com os cabelões e as roupas no estilo Led Zepellin. Mas a banda é muito mais do que uma simples “cópia” da lendária banda. O quarteto que nasceu no Reino Unido em 2022, conta com James Bartholomew (vocal e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria) e, mesmo iniciando a apresentação na inglória hora do almoço das 11:30, atraíram olhares para o palco.
Tivemos gaita, riffs, blues e óbvias referências ao que foi sucesso no rock dos anos 70, como o já citado Led Zeppelin, a Grand Funk Railroad, o Aerosmith ou o Rush em seus primeiros anos. Podemos dizer que até Greta Van Fleet, que é outra banda atual que bebe desta fonte, tem suas influências no Jayler, que entregou um som muito competente e com muita entrega.
O que explica o sucesso que o quarteto conseguiu nas redes sociais nos últimos meses, com seus mais de 120 mil seguidores e alguns vídeos com mais de um milhão de views.
Mas, ao invés de simplesmente serem mais uma “banda genérica” que veste roupas espalhafatosas, o Jayler comprovou que tem qualidade sonora o suficiente para agradar um público misto e assim, conseguiu mostrar seu cartão de visitas musical com competência.

Assim como o Dirty Honey, banda da ensolarada Los Angeles, que subiu em seguida. Também bebendo da fonte dos anos 70, mas talvez com uma água mais “americana”, o que rende um som um pouco mais voltado ao blues, o grupo conseguiu, de mesma forma, agradar o público que ainda estava chegando ao estádio, por volta do meio dia e meio.
A banda nasceu em 2017 e é composta pelo vocalista Marc LaBelle, o guitarrista John Notto, o baixista Justin Smolian e o baterista Jaydon Bean. O início foi promissor, abrindo shows para Slash, The Who e Skillet. Tiveram de segurar a onda por “pausar” essa ascensão por causa da crise da COVID-19, mas continuaram gravando músicas elogiadas e retomando o ritmo das turnês.
Foi mais um show de “começo de festival” que surpreendeu pela qualidade musical e boa relação entre os músicos, fundamental para um show que funcione bem. O som simples, mas direto, é eficiente e gostoso de se ouvir ao vivo, e funcionou perfeitamente para preparar o público para os outros shows que viriam em seguida.
O saldo das duas bandas foi muito positivo. Tanto Jayler quanto Dirty Honey conseguiram se apresentar para mais pessoas, fazerem seus sons serem mais conhecidos no Brasil e conquistar seu espaço em meio a um rock carente de boas referências atuais. E mostrou que essa carência pode não ser apenas por causa de “falta de bandas boas”, mas sim pelo fato de que os fãs de rock podem estar procurando nos lugares errados.
Afinal, se o universo atual da música por streaming está focado em entregar o conforto de hits pop e clássicos do rock, as boas novidades do cenário estão nas redes sociais, com sua autenticidade e novidades, que garantem, ainda, longa vida ao rock.
Setlist Jayer (fonte: Setlist.fm e Rolling Stone Brasil)
- Down Below
- The Getaway
- No Woman
- Riverboat Queen
- Lovemaker
- I Believe to My Soul (cover de Ray Charles)
- Need Your Love
- Over the Mountain
- The Rinsk
Setlist Dirty Honey (fonte: Setlist.fm e Rolling Stone Brasil)
- Won’t Take Me Alive
- California Dreamin’
- Heartbreaker
- The Wire
- Don’t Put Out the Fire
- Another Last Time
- Lights Out
- When I’m Gone
- Rolling 7s
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