Monsters of Rock celebra seus 30 anos de história com sete shows especiais!

Celebrando os 30 anos de um festival que já contou com a presença de nomes como o Kiss, Ozzy Osbourne, Faith no More e tantos outros, o Monsters of Rock fez a sua edição especial, que celebra suas três décadas de vida, com Judas Priest e Scorpions como os nomes principais de um dia de rock, mas que surpreendeu desde que o Stratovarius, a primeira banda do dia, subiu ao palco.
Surpreendeu pois a escalação desta edição, apesar de competente, não aparentava ser tão próxima ao tema “30 anos” que o evento bradava. O natural, ao menos pelos olhos dos fãs mais conectados aos grandes sucessos do gênero, era o de acompanhar um lineup composto por mais lendas do rock, em especial nomes que já passaram pelo festival. Mas os nomes escolhidos trouxeram, sem exceção, shows bem competentes.
Voltando ao Stratovarius, a banda finlandesa iniciou o dia às 11:30, começando o evento com o seu power metal. Como é comum em festivais como este, o show com menos tempo do que o normal, veio com uma mistura de clássicos com Survive, o disco mais recente da banda. O público já estava em bom número nesta hora e curtiu bastante a banda liderada por Timo Kotipelto.
Por se tratar de uma banda de músicas velozes e com muita técnica, os fãs cantaram junto Forever Free e Hunting High and Low, enquanto aqueles que conheciam pouco a banda, apreciaram bastante a qualidade sonora da banda. A própria banda reconheceu isso, afirmando que não imaginava ter um número de pessoas tão bom, segundo eles, naquele horário. Já que cerca de dez horas separavam eles dos Scorpions, o último nome do dia.
Em seguida, outra boa surpresa. O Opeth, com o seu death metal, trouxe músicas do seu álbum conceitual, o The Last Will And Testament, lançado no ano passado. Sobre os suecos, uma coisa muito interessante pode ser observada no Allianz Parque: se por um lado, a vibração do público não foi tão intensa como em outros shows do dia, por outro, a atenção dos presentes foi imensa, pela qualidade sonora da banda.
Mikael Åkerfeldt, o vocalista, chegou a brincar dizendo que “eles não tinham nenhum hit como Rock You Like a Hurricane dos Scorpions” e que as suas músicas demoravam até dois dias, mas reconheceu o carinho e a recepção positiva que tiveram, pois perceberam que os presentes entenderam a proposta da banda e, mesmo não esperando músicas longas e complexas em um festival desta natureza, aproveitaram bastante a oportunidade de curtir e, em alguns casos, conhecerem o som da banda.
Inclusive, quem quiser mais do Opeth, a banda toca nesta segunda, dia 21 de abril, no Espaço Unimed, com o Savatage.
Em seguida foi a vez do Queensryche subir ao palco. A banda, que tem show marcado com o Judas Priest hoje (20) em São Paulo, trouxe Todd La Torre ao Brasil pela primeira vez, e assim como o Scorpions, também celebrou a sua marca: de chegar aos seus 40 anos de carreira.
Assim, a banda trouxe músicas de seus primeiros dias, como Warning e Queen Of The Reich. O Queensryche não tocava no Brasil desde 2008, por isso a apresentação no Monsters of Rock também foi um reencontro, pois, se La Torre debutou em nosso país, Michael Wilton e Eddie Jackson, membros originais da banda, se reencontraram com os fãs, trazendo a qualidade musical que os fãs esperavam ver de perto por quase vinte anos.
A conexão entre os fãs e banda foi notória, com o segundo show realizado hoje, se tornando em uma oportunidade de conexão ainda maior, além da “matança” de saudade.
E, após eles, foi a vez de outra boa surpresa: o Savatage. Com show agendado no dia 21 em São Paulo, a banda viveu um momento histórico em sua jornada, ao realizar o primeiro show em 10 anos. O feito foi notícia em todo o mundo do rock, com o Babblemouth lembrando de Jon Oliva, vocalista e tecladista que fundou a banda, mas que está em uma cadeira de rodas ao sofrer uma fratura grave na coluna vertebral.
O show não foi só intenso, como também de muita emoção para os fãs da banda. O reencontro foi intenso e, mesmo com um público misturado, com vários tipos de fãs presentes na arquibancada, tivemos um dos shows mais intensos na relação fã e público. Para o retorno, um setlist especial foi preparado, com The Ocean e Welcome sendo executados pela primeira vez desde 1998, The Wake Of Magellan e Handfull Of Rain sendo tocadas pela primeira vez desde 2002, e Sirens, tocada pela primeira vez desde 2003.
E, outro momento emocionante no show foi com a música Believe, que contou com Jon Oliva no telão, tocando em um piano.
Chegando o fim da tarde e começando a noite, foi o Europe quem trouxe os seus clássicos com o por do sol. A banda sueca é conhecida por hits como Rock The Night, Carrie e, principalmente, The Final Countdown, que obviamente foram cantadas a plenos pulmões. Mas engana-se quem acha que a banda sueca é uma banda que sobrevive apenas com hits dos anos 80.
A verdade é que o grupo continua produzindo música de muita qualidade, e isso reflete em um grupo que segue em grande forma. Joey Tempest, por exemplo, continua com uma voz impecável e entrega músicas de todas as eras da banda com muita qualidade e competência. John Norum também entregou muita qualidade com sua guitarra, ajudando a garantir um bom show.
Mas, apesar de entregar sucessos recentes como a boa música Hold Your Head, o Europe não cometeu o mesmo erro de uma banda contemporânea, o Journey, no Rock in Rio. Diferente do que aconteceu no festival de música do ano passado, a banda de Joey Tempest entendeu que o público de um festival, em sua maioria, não conhece a obra da banda em sua totalidade e, ao invés de apostar em um setlist “para fã”, trouxe, em sua maioria, clássicos para “cantar junto” com todos os presentes.
Com a noite já presente e o público lidando com o “chove mas não molha” da garoa paulistana, o Judas Priest enfim subiu ao palco, 20 minutos antes do programado, para mostrar como se faz um show de heavy metal de qualidade. A banda, que é considerada uma das pioneiras do gênero, mostrou, com toda a qualidade possível, porque ainda é uma das bandas mais importantes do metal.
Um festival pode ser um local onde a banda pode não entregar tudo o que pode, por questões de logística, tempo de palco ou outros elementos que diferem de um show exclusivo. Mas isso não faz parte da cartilha do Priest, que tem na voz de seu “deus do Metal”, o lendário Rob Halford, toda a potência de uma banda histórica, que segue em qualidade absoluta e cativante.
O interessante de Halford é que, embora a enérgica voz do cantor lá nos anos 80 não esteja mais presente, o que é algo natural e totalmente aceitável, ainda assim o nosso “deus do Metal” demonstra ser um cara que cuida muito bem de sua voz para que, no auge de seus 73 anos, continue se dando o direito de cantar músicas como Painkiller ou Devil’s Child com total competência.
Outras bandas podem até remover determinadas músicas para não comprometer seus vocalistas, mas isso não aconteceu com a banda. Halford ainda entrega agudos poderosos e mandou Victim of Changes como homenagem para Glenn Tipton, o guitarrista da banda que foi afastado devido ao Parkinson. Ian Hill, Richie Faulkner, Andy Sneap e Scott Travis trouxeram com Halford muita competência em um setlist que viaja pela história do Priest e fez todos os presentes ora curtirem muito as músicas, ora admirarem a qualidade e competência da banda.
E, mal recuperados pela competência do Priest, a noite terminaria com outro show igualmente especial. Os Scorpions, que celebraram seus 60 anos de história e os 40 anos de sua primeira visita ao Brasil no Monsters of Rock, terminou o dia de música com outro show de extrema competência. Não parece que o Scorpions tem 60 anos de carreira, ao apreciar a qualidade sonora da lendária banda alemã no palco.
Definidos com todas as letras como legítimos “Monstros do Rock”, o Scorpions não tinha deixado tanta saudade, pois já havia participado da última edição do evento, em 2023. Mas nem por isso, a banda deixou de trazer mais uma apresentação memorável. Antes do show começar, a banda fez questão de lembrar o público de seus 60 anos, e de que aquela noite seria para celebrar este legado.
Em seguida, a banda entra no palco. E, assim como queixos ficaram no chão com Halford cantando como cantou, eles continuaram lá, ao ver Klaus Meine, com seus 76 anos de idade, cantando como se estivéssemos no Rock in Rio de 1985, a primeira vez em que a banda alemã nos visitou.
A banda tem 60 anos de estrada e não é a toa. Além de Meine, que canta com uma beleza única, temos ainda os guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs, que abrilhantaram a noite chuvosa com as eternas Bad Boys Running Wild, Big City Nights e Still Loving You. Wind of Change, como não poderia ser diferente, fez parte da noite, com o público cantando junto e lanternas de celulares ligadas.
E, no final, ainda tivemos um escorpião inflável no palco, que embalou as últimas músicas, com o show terminando com outra música eterna: Rock You Like A Hurricane.
Sim, quando fomos apresentados para a lista do Monsters of Rock, houve por parte de algumas pessoas um sentimento misto, pois era esperado de que um festival que celebrasse três décadas de rock trouxesse nomes mais consagrados. Entretanto, quem esteve presente no Allianz Parque no dia de ontem, além de ser presenteados com apresentações de extrema qualidade de Judas Priest e Scorpions, ainda acompanhou outros shows tão competentes quanto, que comprovaram o acerto da organização em trazer nomes competentes do rock, que também são monstros do gênero.
Talvez não tenham o mesmo nome de outros gigantes do rock. Mas provaram, com sua qualidade e apelo com o público, que são sim bandas de qualidade e dignas de receberem o título de “monstros”. Pois todas as bandas cumpriram, com louvor, as suas missões em 2025: celebrar o rock, e os trinta anos de festival, com música de qualidade e competência, nas variadas vertentes do gênero.
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