“Foi um plano de Deus”: Nicko McBrain fala sobre a era com Blaze Bayley no Iron Maiden e o retorno de Bruce Dickinson

7 de maio de 2026

Em entrevista recente à revista Kerrang!, e compartilhada pelo Blabbermouth, o baterista Nicko McBrain do Iron Maiden comentou o período de cinco anos em que Blaze Bayley ocupou o posto de vocalista da banda, entre 1994 e 1999, e o caminho que levou à volta de Bruce Dickinson.

Para ele, a sequência de mudanças seguiu um rumo que só pode ser explicado como algo “dentro de um plano maior”.

Bruce Dickinson havia deixado o Iron Maiden em 1993, abrindo espaço para Blaze Bayley assumir os vocais. Nesse intervalo, a banda lançou dois discos de estúdio com o novo cantor: The X Factor e Virtual XI.

Esses álbuns tiveram vendas menores que os anteriores e ficaram entre os piores colocados no Reino Unido desde Killers, de 1981. A transição não foi simples. “Substituir Bruce por Blaze era uma tarefa complicada”, explicou Nicko McBrain. “O Bruce tem um tom mais agudo, enquanto Blaze é mais grave, e isso gerou dificuldade para parte dos fãs aceitarem a mudança. Tocamos em teatros menores e até em alguns clubes na Flórida.”

Mesmo assim, segundo o baterista, o que define o Iron Maiden permaneceu intacto. “O espírito da banda nunca enfraqueceu. Em certos shows, Blaze enfrentou desafios e alguns fãs comentavam que não era o Iron Maiden no auge, mas continuávamos sendo o Iron Maiden, só que em uma versão diferente. A essência não mudou nem um pouco.”

Nicko McBrain conta que criou laços fortes com Blaze Bayley. “Eu gostava muito dele. Me via como uma figura paterna e disse que ia ajudá-lo durante as turnês. Passamos bastante tempo juntos.”

No fim da turnê de Virtual XI, registrada em um documentário da época, Nicko McBrain percebeu que algumas apresentações não fluíam bem. “Começaram a aparecer rachaduras. Parecia que ou mudávamos algo ou a banda não ia aguentar.” Foi quando Bruce Dickinson retornou, trazendo também o guitarrista Adrian Smith.

O resultado veio logo em seguida com o disco Brave New World, que recolocou o Iron Maiden nas grandes arenas, incluindo o apoteótico show no Rock in Rio 2001, que rendeu gravação especial e é considerado até hoje como um dos maiores shows da história do heavy metal.

Nicko McBrain não escondeu que, na época do reencontro, ainda guardava mágoa pela saída de Bruce Dickinson no meio da turnê de Fear of the Dark. “Eu me senti traído. Tive que falar isso para ele logo no primeiro encontro, em Brighton. Estávamos no pub, coloquei o braço no ombro dele e disse: ‘Olha, cara, fico feliz que você voltou, mas não consigo mudar o que sinto sobre aquilo.’ Ele respondeu que não esperava menos de mim e que também me amava. Desde então, nunca mais tocamos no assunto.”

O baterista, que se converteu ao cristianismo em 1999 após uma experiência que descreveu como um chamado pessoal, resumiu a história de uma forma bem direta: “Acho que foi tudo plano de Deus — não do Rod Smallwood, nosso empresário de longa data. Quem mais poderia planejar algo assim? Um novo vocalista entra, depois o antigo volta trazendo o Adrian Smith junto, e a banda grava aqueles discos que nos recolocaram no mapa.”

Para Nicko McBrain, o importante é que a banda seguiu em frente com determinação, mantida principalmente pelo baixista e fundador Steve Harris, que apoiou Blaze Bayley do início ao fim. A reflexão do baterista mostra como momentos difíceis podem fazer parte de um caminho maior dentro da história do Iron Maiden.

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Junior Candido

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