Outward 2 mantém a aventura difícil, agora mais bonita e ainda cooperativa

2 de junho de 2026

Outward 2 é a sequência direta do RPG de sobrevivência da Nine Dots Studio e, logo nos primeiros momentos, deixa claro que não pretende abandonar as ideias que transformaram o jogo original em um cult favorito entre fãs de aventuras desafiadoras. Atualmente em fase de playtest, o novo título mantém a proposta de colocar o jogador no papel de uma pessoa comum tentando sobreviver em um mundo hostil, onde preparação, exploração e tomada de decisões importam tanto quanto a habilidade durante os combates.

Apesar de oferecer multiplayer cooperativo, inclusive com suporte para tela dividida, Outward 2 continua longe da proposta de um MMO. A experiência foi construída para ser vivida sozinho ou ao lado de alguns amigos, sem a presença constante de centenas de jogadores compartilhando o mesmo mundo. Essa abordagem ajuda a preservar a sensação de jornada pessoal que marcou o primeiro jogo, permitindo que cada descoberta, derrota ou vitória tenha um peso maior dentro da narrativa.

Uma das mudanças mais visíveis está na parte técnica. Desenvolvido na Unreal Engine, o jogo apresenta ambientes muito mais ricos em detalhes, com cenários amplos e um level design que incentiva a exploração em vez de simplesmente conduzir o jogador por um caminho pré-definido. Florestas, montanhas, ruínas e regiões selvagens parecem mais vivas, enquanto a direção artística continua apostando em criaturas exóticas e memoráveis. Entre elas estão monstros curiosos que misturam características de diferentes animais, incluindo algumas criaturas que lembram uma espécie de “tigre-baleia”, reforçando a identidade fantástica e pouco convencional do universo de Aurai.

O sistema de criação de personagem também vale atenção. O jogador pode definir aparência, histórico e diversas características do protagonista, moldando sua forma de interagir com o mundo. Como acontece no primeiro Outward, não existe uma única maneira de evoluir. Há diferentes caminhos envolvendo classes, equipamentos, habilidades e escolas de magia, permitindo a construção de personagens especializados em combate corpo a corpo, feitiçaria ou estilos híbridos.

O combate segue a linha dos action RPGs modernos, mas sem abrir mão da dificuldade característica da série. Existe uma clara influência de jogos soulslike na forma como o posicionamento, o gerenciamento de recursos e o conhecimento dos inimigos são importantes para sobreviver. Morrer faz parte da experiência, mas normalmente gera novas situações em vez de simplesmente resultar em uma tela de game over. Ao mesmo tempo, a necessidade de preparar equipamentos, reunir materiais e planejar expedições cria uma dinâmica que lembra, em alguns aspectos, a sensação de preparação encontrada em Monster Hunter.

A ambientação sonora também merece destaque. As músicas ajudam a reforçar a sensação de aventura e isolamento, enquanto os efeitos sonoros contribuem para a imersão durante a exploração e os confrontos. Por outro lado, uma ausência que pode ser sentida por alguns jogadores é a falta de narração nas falas dos NPCs. Em um jogo que busca dar mais destaque à narrativa e às histórias de seus habitantes, vozes completas poderiam tornar certos momentos mais impactantes e facilitar a conexão com os personagens.

Mesmo em seu estágio atual de desenvolvimento, Outward 2 transmite a impressão de ser uma evolução natural da fórmula criada pela Nine Dots Studio. Em vez de reinventar completamente a série, o jogo parece focado em expandir tudo aquilo que funcionou no original: exploração livre, sobrevivência, progressão flexível, cooperação entre jogadores e um mundo que recompensa a curiosidade. Para quem gostou do primeiro Outward, a sequência surge como uma continuação bastante promissora, agora apoiada por uma apresentação visual muito mais impressionante e por uma escala que parece maior em praticamente todos os aspectos.

Rapha

Gamer, Programador e Viajante no Tempo

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