100% atualizado, o Bomba Patch já removeu o patrocínio das bets das camisas dos times do jogo
Bomba Patch removeu as marcas de apostas das camisas dos clubes brasileiros após o governo proibir a publicidade de bets no país.
O Bomba Patch já tirou as casas de apostas das camisas dos clubes brasileiros. No sábado (26), a conta oficial do patch publicou um vídeo com a “novidade”: Bomba Patch sem Bets. No mesmo fim de semana em que o governo federal publicou a medida provisória que proíbe a operação e a publicidade das apostas esportivas no país, o jogo mais atualizado do futebol virtual brasileiro apareceu com os uniformes limpos.
No clipe, desfilam Emerson Royal do Flamengo, Arboleda do São Paulo, Gustavo Henrique do Corinthians, Vitinho do Botafogo, Fagner do Cruzeiro, Guga do Fluminense, Arthur Melo do Santos e Pedro Henrique de Vasco, entre outros, todos sem as marcas de casa de apostas na camisa. A faixa vermelha SEM BETS deixa bem claro a “novidade” do projeto 100% atualizado. Antes do vídeo compilado, a equipe ainda soltou uma sequência de prints, um por clube: “Flamengo sem Bets é no Bomba Patch”, “Cruzeiro sem Bets é no Bomba Patch”, e assim por diante.
A medida provisória foi assinada na sexta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela encerra a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, tanto esportivas quanto de jogos online. Novos depósitos já estão bloqueados. Os apostadores têm até 23h59 do dia 5 de outubro para sacar o saldo. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos precisam sair do ar. A publicidade, incluindo o espaço de patrocínio máster nas camisas, entra no mesmo pacote.
No Brasileirão, a maior parte da Série A tinha casa de apostas como patrocinadora principal, incluindo o nome do próprio torneio. E os clubes já começaram a calcular o rombo. O presidente do Fluminense falou em impacto acima de R$ 100 milhões, somando o contrato máster, placas de campo e lotes de camisa já produzidos. Estimativas de mercado apontam que o setor de apostas respondia por fatia relevante da receita de marketing da elite do futebol. Na prática, muita camisa que o torcedor via no campo (e no videogame) carregava logo de bet no peito.
Do lado do governo, os argumentos, via Agência Brasil, apontam que o transtorno relacionado ao jogo pode estar associado a problemas como ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, conflitos familiares e prejuízos financeiros.
O governo também cita o crescimento da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada a problemas com apostas. E citou um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde que estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos. Desse total, R$ 30,6 bilhões (quase 79%) estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
O Bomba Patch não esperou o calendário oficial. A atualização visual saiu no dia seguinte ao anúncio. Quem acompanha o projeto há anos reconhece o padrão. O patch nasceu no PES 6 / Winning Eleven 10 de PlayStation 2, no interior de São Paulo, e virou fenômeno justamente por trazer atualizações rápido demais: atualização de elenco já na rodada seguinte, uniformes novos, e atualizados com a notícia da semana. Já colocou Ronaldinho de presidiário, já tirou a seleção da Rússia depois da invasão à Ucrânia e cobriu o patch da La Liga com um selo antirracista depois dos ataques a Vinicius Júnior, isso sem falar quando não removeu a torcida dos estádios quando a pandemia de COVID explodiu e os esportes foram praticados com estádios vazios. Desta vez, o alvo foi o patrocínio que o governo acabou de vetar.
Enquanto os clubes ainda discutem contrato, camisas já estampadas e quem vai topar pagar para ficar no lugar da bet, o patch simplesmente removeu a marca e já colocou no ar. A reação na rede, obviamente, foi imediata, já que a cultura do “100% atualizado” sempre pega forte quando o Bomba Patch traz alguma novidade.
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