Análise Arkade: Rocket Arena mistura conceitos de Overwatch com Super Smash Bros

25 de julho de 2020

Imagina que loucura um jogo que mistura tiro em terceira pessoa, visual num estilo meio Overwatch, e mecânicas de vitória no estilo Super Smash Bros. Pois a EA lançou esse jogo recentemente, ele se chama Rocket Arena, e você confere agora nossas impressões sobre ele!

O que é Rocket Arena?

Rocket Arena é o mais novo lançamento “indie” da EA, que chega apadrinhado pela iniciativa EA Originals, selo que já nos entregou ótimos games, como Unravel e A Way Out. A produtora é a novata Final Strike Games, e até onde eu consegui descobrir, este foi o primeiro jogo deles.

Em uma primeira olhada, Rocket Arena parece qualquer outro shooter de arena 3×3 que tenta pegar carona no estilo mais cartunesco e estilizado de jogos como Overwatch e Fortnite. Porém, depois que a gente joga, seus diferenciais — que não são muitos — logo se destacam.

Como o “Rocket” do título sugere, aqui tudo é sobre foguetes e explosões. Praticamente todos os personagens possuem algum tipo de projétil explosivo, cuja principal função é mandar os adversários pelos ares.

Aí entra o segundo diferencial de Rocket Arena, e talvez o mais interessante: não há barras de vida no jogo. Seu objetivo não é destruir os inimigos, mas enfraquecê-los a ponto de atirá-los para fora da arena, mais ou menos como fazemos em Super Smash Bros e Brawlhalla.

Jogando

Assim que você começar o game, um bem-vindo tutorial irá lhe explicar o básico do gameplay, que na verdade é bem simples: cada personagem possui um ataque principal básico e duas habilidades únicas, que funcionam mediante um período de cooldown.

“Surprise”

Os controles seguem o básico dos jogos de tiro, com o diferencial que aí tudo é muito vertical: há pulos duplos, triplos e jetpacks ou poderes que vão manter você no ar por mais tempo, bem como uma esquiva — que também possui cooldown — e pode salvar sua vida em emergências.

Algumas artimanhas interessantes envolvem o uso passivo da sua arma principal. Se você atirar no chão, por exemplo, vai executar o famoso “rocket jump”, uma explosão que te joga pra cima. É possível fazer isso em paredes, também, para “escalar” partes do cenário em busca de itens e pontos estratégicos.

O que realmente faz diferença na hora do fight são as habilidades únicas de cada personagem. Há uma notável diferença no poder e na usabilidade destas habilidades, e está claro que a comunidade já escolheu alguns de seus favoritos com base em quem tem o poder mais apelão — o pirata Blastbeard está em todas as partidas, pois sua arma não demanda recarga e seu especial, Onda de Choque, é muito eficaz.

As habilidades apelonas do pirata já caíram no gosto da galera

De resto, o jogo segue a cartilha de outros shooters, com o diferencial de que aqui ninguém mata ninguém: os ataques enchem uma barra de “vulnerabilidade” dos oponentes, o que os deixa mais suscetíveis a serem lançados para fora da arena — lembrando que sempre há respawn, então todos podem continuar jogando após alguns segundos

O custo x benefício

No momento em que escrevo esta análise Rocket Arena possui 11 personagens, e basicamente 3 modos de jogo: o modo Arena entrega aleatoriamente três tipos diferentes de partidas — Megafoguete, que é estilo “king of the hill” e os jogadores devem assegurar grandes foguetes que caem pela fase. Foguetebol é tipo o Lucioball de Overwatch, e nosso objetivo é pegar uma bola e levar até o “gol” adversário. Por fim, temos a Caça ao Tesouro, onde os times devem coletar moedas e proteger seus respectivos baús. O que eu mais gostei foi o Foguetebol, mas como não dá para escolher o tipo de jogo no modo Arena (é aleatório), acabei jogando muito menos dele do que eu gostaria.

O modo Megafoguete é o que mais se repetiu…

Já o modo Nocaute é o “mata-mata” clássico, e ganha o time que alcançar o placar mais alto, mandando mais inimigos para fora da arena. Por fim, temos o modo Ataque dos Foguetobôs , que é um PvE de players contra ondas de bots controlados pela IA.

Confira uma abaixo uma partida completa deste modo PvE e entenda como o jogo funciona na prática:

O jogo tem um sistema “casual” de upgrades individuais para cada personagem, e em breve deve receber um sistema de partidas ranqueadas para quem almeja formar um time e “jogar sério”. A ideia é que Rocket Arena funcione em um sistema de temporadas, sendo atualizado esporadicamente, como acontece com diversos outros games atuais.

A questão é: boa parte destes jogos por temporadas são gratuitos, e todos podem curtir o básico do jogo sem gastar nada. Isso não é uma opção em Rocket Arena: a versão mais básica do jogo custa 149 reais, um preço relativamente alto para um jogo que, até o momento, não entrega muito conteúdo.

E o mais engraçado é que ele tem a maior pinta de fre-to-play: há skins, emblemas e toneladas de itens cosméticos que você pode destravar a) jogando muito ou b) gastando dinheiro real. É possível comprar packs da moeda do jogo com grana real para investir nessas bijuterias, algo bem comum em jogos competitivos gratuitos.

“Combustível” é a moeda do jogo, que pode ser comprada com dinheiro real

É perfeitamente possível curtir o game sem tudo isso, mas o fato dele custar 149 reais sem dúvida é desencorajador para muita gente. Rocket Arena se beneficiaria muito de um “starter pack” gratuito, com um ou dois personagens liberados em esquema de rodízio, para que os jogadores pudessem experimentar o jogo e decidir se ele vale o investimento.

Isso ajudaria inclusive a manter os servidores mais cheios, algo que pode vir a ser um desafio no médio/longo prazo. Jogando agora, poucos dias após o lançamento, já é bem comum ficar 4 ou 5 minutos esperando o pareamento encontrar partidas — o que nunca é legal.

Algumas skins podem ser compradas, outras exigem muuuito tempo de jogatina

Eu não me surpreenderia se em breve a EA resolvesse lançar uma demo, ou uma versão gratuita do jogo. Até espero que isso aconteça, na real. Esse é o tipo de jogo que só funciona se houver uma comunidade engajada e participativa… mas talvez essa comunidade precise experimentar o jogo antes de decidir se quer pagar por ele — sem contar microtransações.

Audiovisual

É difícil olhar para Rocket Arena e não lembrar de sucessos recentes como Overwatch e Fortnite. O jogo tem a mesma pegada: visual colorido, estilizado, com personagens cartunescos que soltam bordões e frases de efeito — em inglês, infelizmente o jogo não recebeu dublagens em nosso idioma.

A apresentação como um todo é muito simpática, combina com a vibe do jogo e roda muito bem (joguei no PS4 Pro). As arenas são bastante compactas — até porque este é um jogo 3×3 –, mas há muita verticalidade em cada uma, o que torna os combates mais dinâmicos caso os jogadores se comuniquem e saibam se movimentar.

Início de jogo

A trilha sonora também combina com o jogo, ainda que não seja particularmente marcante. A música dos menus — e do lobby de espera entre as partidas — logo enjoa. Algum tipo de mini-game ou partida rápida durante a espera é outro recurso que seria bem-vindo.

Conclusão

Rocket Arena é um jogo competitivo simples, mas que diverte, dentro de sua proposta. Porém, ele precisa de mais conteúdo — e mais gente jogando — para atingir seu potencial. Essa é a vantagem do formato por temporadas, sempre haverá coisa nova chegando… a dúvida é se haverá uma comunidade engajada esperando por estas novidades.

Quem não tem jetpack, voa com dragão de estimação!

Eu devo voltar a ele esporadicamente, mas sem grandes ambições de me dedicar ferrenhamente. Até gostaria de ter dois amigos empolgados para formar um time… mas não acho que o jogo valha o investimento. Pelo menos ainda não.

Então, fica aqui um apelo ao pessoal da EA: lancem uma versão gratuita do game, um “starter pack” com acesso limitado para que todos possam experimentá-lo e decidam se querem ou não gastar dinheiro. Seria mais justo, e ajudaria a criar uma comunidade interessada.

Rocket Arena foi lançado em 14 de julho, com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One. O jogo possui menus e legendas em português brasileiro.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

Mais Matérias de Rodrigo