Análise Arkade: Remaster de Onimusha 2: Samurai’s Destiny resgata um clássico da era do Playstation 2

17 de julho de 2025

Demorou mais de 6 anos, mas finalmente a Capcom lançou o remaster de Onimusha 2: Samurai’s Destiny, finalmente trazendo uma de suas mais icônicas séries de volta, não só com seus remasters (que estão demorando bastante para serem lançados), como um novíssimo game que está em produção!

Hoje, vamos voltar no tempo e explorar aquele que muitos consideram ser o melhor game da série! Então confira aí nossa análise!

A Ascenção de Nobunaga

Onimusha 2: Samurais’s Destiny é ambientado 10 anos após os eventos de Onimusha Warlords. Nesse meio tempo, conforme mostrado no game original, Nobunaga Oda, general travando uma intensa batalha para unificar o Japão, é morto. Porém, ele é trazido de volta à vida pelos Genma, demônios que invadiram a Terra em busca de completa dominação.

Samanosuke Akechi, protagonista do primeiro game, desapareceu após derrotar o rei dos demônios. Já Nobunaga continuou sua busca por dominação, recrutando não mais soldados humanos, mas os próprios Genma para seu exército, marchando pelo Japão causando todo tipo de carnificina. Um dos locais destruídos na busca de conquista de Nobunaga foi o vilarejo Yagyu, um local pacífico, mas que abriga poderosos segredos.

O game começa quando Jubei Yagyu retorna para seu vilarejo após uma longa viagem em busca de enriquecimento e treino de espada, apenas para encontrar o vilarejo destruído e todos os seus habitantes, incluindo sua própria família, mortos. Jubei jura vingança contra Nobunaga e inicia sua jornada contra a invasão dos Genma.

E não demora muito até ele entender porquê o vilarejo foi atacado, e ele é colocado rumo a seu destino: Jubei não é um mero humano. Seu pai foi um honrado samurai, mas sua mãe era uma Oni, uma antiga raça de criaturas poderosas que protegem o Japão, agora quase extinta após tratar uma longa guerra contra os Genma no passado. Por isso, Jubei tem o poder dos Oni dentro de si, sendo diferente de um Onimusha, como Samanosuke, que usa o Oni Gauntlet para se transformar. Jubei pode absorver as almas dos Genma com a palma de sua mão, sem a necessidade de um Oni Gauntlet.

A história então acompanha Jubei viajando em busca de cinco orbes sagrados criados pelos Oni, que juntos darão a Jubei o poder de derrotar de Nobunaga e suas legiões de demônios. E no caminho ele vai fazendo aliados que o auxiliam de várias formas diferentes, seja lutando ao seu lado, oferecendo conselhos e itens e até mesmo podendo ser controlados em certos trechos da aventura.

Um remaster simples e direto ao ponto

Assim como foi com Onimusha Warlords, o remaster de Onimusha 2: Samurai’s Destiny é simples, sem inventar nada novo e entregando o game original com melhorias visuais tanto em seus modelos 3D quanto nos cenários, formados pelo bom e velho estilo de imagens 2D estáticas.

Uma verdadeira melhoria adicionada foi nos controles, que podem ser jogados tanto no estilo tanque clássico, girando Jubei usando os direcionais da esquerda e direita e usando cima e baixo para andar para frente e para trás, ou usar controles analógicos para mover o personagem. Infelizmente, por conta do estilo de câmeras fixas, usar controles analógicos tem o mesmo problema de todos os remasters de games com essa perspectiva: Ao mudar o ângulo da câmera, o personagem fica travado na direção que estava andando anteriormente.

Isso significa que, se você mudou de tela apontando o analógico para cima, mas a próxima tela mostra o personagem entrando da esquerda para a direita, o personagem continuará andando na direção correta em relação ao mapa, mas para mudar de direção você precisa soltar o analógico para resetar as direções de acordo com o ângulo da câmera. Essa é uma inconveniência presente em todos os games desse estilo remasterizados, desde Resident Evil HD Remaster, Resident Evil 0, Code Veronica, Devil May Cry 1 a 3 e, claro, Onimsuha Warlords.

Outras adições muito bem vindas contém a possibilidade de trocar de armas durante o gameplay, sem precisar abrir o menu para trocá-las. botões dedicados para travar a mira em um inimigo e para carregar seu ataque (No PS2 isso era feito com o mesmo botão), e a possibilidade de se transformar manualmente em Onimusha, ao invés de se transformar automaticamente ao coletar a quantidade necessária de almas roxas.

Isso é claro além de compatibilidade com monitores widescreen e fontes de textos melhoradas para melhor leitura. E, algo raro de se ver em remasters da Capcom, o remaster de Onimusha 2: Samurai’s Destiny possui localização em português brasileiro! Todos os textos do game foram localizados em nosso idioma de forma muito bem cuidadosa! Isso é algo que infelizmente não víamos nos remasters da Capcom, que não adicionavam novos idiomas a seus games. Mas agora, finalmente aconteceu, e isso é um imenso motivo para celebração!

De toda a série Onimusha (contando apenas a série principal e não seus spin-offs), Samurai’s Destiny é o único game que nunca havia jogado. O primeiro game, Onimusha: Warlords, tive a chance de jogar pela primeira vez também em sua remasterização, e essa é uma série que tem um espaço especial em minha vida, o que sempre me faz questionar o que fez a Capcom demorar tanto para remasterizar seus games. Demorou, mas enfim está aqui!

Nostalgia dos anos 2000 com força total

Onimusha 2: Samurai’s Destiny estrega uma experiência com pura estética dos anos 2000. Mesmo eu nunca tendo jogado esse game na época, joguei muito Onimusha 3: Demon Siege (Que estou ansioso esperando um remaster, que agora é só questão de tempo), então estou muito familiarizado com o estilo do game.

Pessoalmente, tenho um ponto muito fraco para nostalgia e old school quando se trata de video games. Eu amo os gráficos poligonais de antigamente, as câmeras fixas e jogabilidade de tanque. E eu tenho um enorme fraco para games novos que evocam esse estilo. Crow Country sendo o principal exemplo. Toda a estética e controles desse game para mim são perfeitos.

Por que estou dizendo isso? Porque um ponto que sempre é levantado quando remasters de games da era do Playstation 2 são lançados é em como esses games são “datados”, como são “engessados” ou “complicados demais” para os padrões atuais. Muito bem, eu já iria jogá-los, não precisa me convencer ainda mais!

Esse é um ponto que acredito que mereça uma discussão dedicada, mas é uma contradição que vejo cada vez mais nas minhas fontes de consumo de notícias sobre games. Todos odeiam falar do aspecto mercadológico dos games, um assunto diretamente atrelado a decisões de investidores que não sabem nada de games e que no fim geram centenas de milhares de demissões mundo afora. Mas muitos criticam quando um game antigo é relançado usando como ponto que “o público não vai comprar por conta de suas mecânicas ultrapassadas”. Essa é uma discussão que nunca cheguei a abordar em minhas análises, mas gostaria de dedicar alguns parágrafos ao assunto, se me permitirem.

Para quem esse remaster foi feito? Ora, para mim, é claro, um adulto com mais de 30 anos que teve seu primeiro contato com video games na era do Super Nintendo e Mega Drive e acompanhou toda a evolução do Playstation, o fim de uma era com o Dreamcast, o Nintendo 64 e Wii, o nascimento do primeiro Xbox e por aí vai. Eu sou o público alvo porque eu consumo nostalgia e consumo muito. Porque eu acho que os games de antigamente eram melhores que os de hoje? Não. Porque a indústria (E me refiro a indústria que aglomera todo o dinheiro: as publishers e os AAA) deixou esse e outros estilos que amo tanto de lado, esquecidos por muito tempo.

É claro que Onimusha 2: Samurai’s Destiny é engessado. Se compararmos com Ghost of Tsushima, com Sekiro, com Assassin’s Creed Shadows e outros games com temática de samurai da atualidade. Mas é exatamente isso o que eu quero. Eu quero reviver a era do Playstation 2 pois aquela era foi ouro puro. Tivemos games incríveis, bons, medianos, ruins e péssimos, como em toda geração, mas eu quero reviver isso.

As câmeras fixas dificultam as coisas, principalmente em trechos de corredores apertados em que a tela fica mudando constantemente se você se mover um pixel para frente ou para trás, fazendo inimigos aparecerem no seu ponto cego e te atacando pelas costas sem você nem saber que ele estava ali. E isso acontece muito em Onimusha 2. Isso é motivo para críticas? É claro que é. É algo que pode ser considerado um ponto negativo, tornando a experiência extremamente frustrante em vários momentos? Com toda a certeza, eu passei muita raiva enquanto jogava para fazer esse review. E mesmo assim eu gostei de tudo isso, mesmo dessas inconveniências? Gostei muito mais do que eu consigo escrever!

Existe uma balança que preciso me atentar ao escrever esse review: Nem todo mundo jogou Onimusha 2 lá em 2002. E muita gente não era nem nascido nessa época, podendo ter um contato com a série agora com esses remasters. Assim, preciso ao mesmo tempo falar das melhorias em relação ao original e de como o game funciona, para que o público mais novo possa ter uma noção do que esperar, ao lerem esta análise.

Video Games são muito caros e passamos há muito da era em que podíamos comprar um game só porque parece legal e aí ver se vamos gostar ou não (E só podíamos fazer isso graças à pirataria). Então preciso fazer essa balança, apesar de reconhecer que pendo demais para o lado nostálgico, focando em descrever as melhorias em relação ao original, do que explicar o game detalhe por detalhe.

Escrevi tudo isso para chegar a este ponto: Onimusha 2: Samurai’s Destiny é um game pra galera mais velha, como eu, que estava com saudade desse clássico. Mas esse não é um game que exclui a geração nova. Na verdade, nenhum game faz isso! Você pode, a qualquer momento, ir no streaming e assistir Alien de 1979, A trilogia original de Star Wars, a trilogia O Poderoso Chefão, Débi e Lóide, o Máskara, e muitos outros filmes de antigamente que ainda são bons hoje. Você pode achar facilmente os livros de Lovecraft, A Divina Comédia, e até mesmo a Epopéia de Gilgamesh e A Ilíada. Então por que um game antigo não pode ser jogado pela geração mais nova?

É claro que esse game pode e certamente vai ser bastante engessado para um público acostumado com câmera livre, gameplay rápido e muitos recursos para customizar a experiência. O ponto é, talvez a molecada jovem goste ou não de Onimusha 2: Samurai’s Destiny. Mas, definitivamente vale a pena experimentar. Experimentar, isso é o que falta para a indústria, incluindo experimentar trazer o Old School de volta, e é o que falta para o público mais novo para entender todo o caminho percorrido até chegarmos aqui.

Conclusão

Onimusha 2: Samurai’s Destiny é mais uma visita ao glorioso passado do início dos anos 2000. Uma época em que a criatividade dominava o cenário AAA e produtoras e publishers não tinham medo de ousar. Mesmo sendo um game que nunca havia jogado até hoje, mas sempre quis jogar, sei que ele é exatamente como no passado. Porém melhor, com visual melhorado e melhorias de gameplay que deixam as coisas mais fluídas. E sendo um remaster que finalmente adicionou o nosso idioma! Algo que foi uma grandiosa surpresa e algo que definitivamente quero ver acontecendo mais e mais!

O final dessa análise acabou virando uma discussão sobre nostalgia x qualidade, sobre em que ponto a nostalgia pode anuviar o julgamento sobre a qualidade de algo que antigamente era bom, mas hoje podemos perceber que não era tão bom assim. Posso falar somente por mim, mas jogar o remaster de Onimusha 2: Samurai’s Destiny me fez ver de forma ainda melhor as qualidades do game, que em muito superam suas características obsoletas. E as câmeras fixas definitivamente não são obsoletas! E defenderei esse ponto até o fim!

Poder reviver o passado, não só do game em si, mas de sua época, que não sei para vocês, mas para mim é cheia de memórias felizes, especialmente sobre video games, foi algo incrível. Enquanto jogava não senti como se estivesse retirando a poeira de um game antigo obscurecido por games novos, mas sim me senti, tanto literalmente quanto figurativamente, como se estivesse jogando o game pela primeira vez. Isso, para mim, só evidencia algo que todos sabem: Quando um game é bom, ele transcende o tempo. E… que venha logo um remaster de Onimusha 3: Demon Siege, meu game favorito da série!

O remaster de Onimusha 2: Samurai’s Destiny foi lançado no dia 23 de maio com versões para PC, Playstation, Xbox e Nintendo Switch.

Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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