Ubisoft responde a processo por remover The Crew das contas de jogadores dizendo que “eles nunca foram donos de suas cópias”

A questão sobre o direito de posse ou propriedade de bens consumíveis é algo muito antigo. Na indústria dos video games, apesar de ser uma questão mais recente, pare que até hoje não foi definitivamente resolvida. Mas para a Ubisoft não há muito o que discutir: para eles, você nunca foi dono dos games que comprou.
Essa questão é bastante complexa. Se você compra uma cópia física de um livro, um DVD ou Blu-Ray de um filme, um CD de música, e uma cópia física de um game, você é dono daquele objeto físico, não dos direitos autorais do conteúdo dentro dele, o que é óbvio. Se você comprar uma versão física de Elden Ring, você é dono dessa versão física. Mas não do game em si, que pertence à From Software. O mesmo com Mario, The Last of Us e Halo. Já quando se trata do game de corrida The Crew, para a Ubisoft a questão é diferente, você simplesmente comprou um acesso pro tempo limitado a um produto digital. Mesmo se você tiver a cópia física do game.
Ano passado a Ubisoft desativou os servidores de The Crew e tornou o game injogável, tanto para quem tinha cópias físicas quanto para quem tinha cópias digitais. E não apenas isso, a empresa literalmente apagou o game das bibliotecas dos jogadores que tinham a versão digital do game. O game simplesmente desapareceu por completo.
Já tem um bom tempo que Yves Guillemot, CEO da Ubisoft soltou o comentário que os jogadores “precisam se acostumar com a ideia de que não são donos dos games que compram”. Inclusive, atualmente a própria Steam deixa um aviso no carrinho de compras de que suas compras na plataforma lhe concedem uma licença de uso para um produto digital. Com mais detalhas em uma página dedicada ao assunto.

Recentemente, a Ubisoft usou esse argumento para solicitar o encerramento de um processo movido por jogadores que se sentiram lesados pela completa desativação de The Crew, algo que inclusive vai conta o conceito de preservação de games. A Ubisoft alega em seu pedido que:
“O propósito pretendido e ordinário de The Crew era de prover os consumidores com uma licença limitada revogável para acessar seus conteúdos conforme os avisos inconfundíveis no pacote do produto e nos termos de uso da Ubisoft. Os autores [do processo] receberam exatamente isso por anos, e a Ubisoft dessa forma proveu The Crew consistentemente e de acordo com seu propósito ordinário anunciado”
A Ubisoft alega que, dado essa “condição”, já é tarde demais para a reclamação dos jogadores, o que invalidaria o processo. Alguns dos clientes envolvidos no processo apresentaram o contra-argumento de que vouchers com códigos de resgate para o game, obtidos em compras digitais, declaravam que tais códigos eram válidos até o ano de 2099, caso não fossem resgatados, declarando que isso vai contra a questão de “tempo” que a Ubisoft alega já ter expirado para a criação do processo.
Por enquanto ainda não houve resposta para o pedido da Ubisoft de anular o caso, que segue ativo no estado da Califórnia, nos Estados Unidos.
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(Via: Rock Paper Shotgun)