Por que os jogos de propaganda nas redes sociais só mostram pessoas perdendo?

14 de maio de 2025

Com certeza, você já viu essa cena, ao navegar no Instagram, Facebook, X ou TikTok, além de outras redes: um jogo de celular, divulgado em um anúncio, com jogadores falhando miseravelmente e perdendo ao cometer os erros mais absurdos, tomando decisões erradas que chegam até a “irritar”.

Mas isso tem um propósito. Essas propagandas, muitas vezes, despertam curiosidade ou até uma sensação de superioridade no espectador, que pensa: “Eu faria melhor que isso!”. Mas por que essas campanhas publicitárias insistem em mostrar pessoas perdendo? A resposta está na psicologia do marketing e nas estratégias usadas para atrair e engajar novos usuários.

A tática por trás das falhas exageradas

Especialistas em marketing digital entendem que mostrar falhas nestes anúncios trata-se de uma estratégia focada em chamar atenção e garantir engajamento. A ideia essencial, conforme visto por muita gente pelas redes sociais, é a de “desafiar” as pessoas que assistem a elas, dizendo algo como: “se você diz ser tão fácil, porque não você não vem e mostra como se faz”?

Buscando criar conexão emocional com o público, estes anúncios são minuciosamente projetados, nestas derrotas, para provocar as mais variadas reações para quem assistem a elas. Curiosidade, frustração ou até entretenimento ao assistir estes “burros perdendo”, são o que mantém, no mínimo, as pessoas presas a estes vídeos, quando se deparam com um.

Chamada de “efeito de superioridade”, as jogatinas erradas mostram para quem vê o vídeo, que todos são mais capazes de resolver os problemas do jogo do que quem jogou o game no anúncio. Isso pode ser o gatilho que fará com que as pessoas cliquem e experimentem o jogo.

Dopamina e o ciclo de recompensa

O nosso cérebro também é visado, com estas propagandas trabalhando com o sistema de recompensa presentes em nossas mentes. Estes jogos são projetados para liberar dopamina, o tão falado neurotransmissor associado ao prazer, estimulado o jogador a procurar vencer os games, para ter a liberação desta substância.

Assim, ao ver os jogadores perdendo nos anúncios, seguida pela promessa de vitória no jogo, transforma o game em uma oportunidade de vencer, chamando o jogador para a busca da satisfação de vencer. Um artigo do Estado de Minas diz que “embora a dopamina seja essencial para o funcionamento normal do cérebro e para a motivação, o uso excessivo de certas atividades que estimulam a liberação de dopamina, como as redes sociais, pode levar a um comportamento viciante”.

A Unimed Campinas, em artigo, explica que “o uso excessivo de telas, como em jogos e redes sociais, pode gerar dependência ao estimular a produção de dopamina com reforços positivos, como superar níveis ou receber curtidas”.

Assim, a derrota dos anúncios são gatilhos, para que o jogador se sinta convidado ou desafiado para buscar esta recompensa, de forma inconsciente.

Segmentação e apelo emocional

Vale lembrar também que, com a segmentação de publicidade de redes como Instagram e TikTok, os anúncios podem atingir de forma mais direta a pessoas propensas a se interessar pelo game. E, assim como no mundo dos games as pessoas convivem com temas como competitividade e superação, estes anúncios, com suas falhas, apelam para estes elementos.

Os vídeos, também, são bem curtos, com uma narrativa simples e de fácil assimilação: o jogador entra na arena de jogo, começa até que bem, toma decisões ruins e perde por causa disso.

Com cerca de 30 segundos de duração, tudo é feito perfeitamente no contexto de rolagem de feed das pessoas, se tornando uma peça fundamental para que estes jogos sejam vistos, o usuário se sinta impelido a baixar o game.

Críticas à estratégia

A estratégia funciona, pois mesmo quem não joga estes games, é exposto a estas propagandas e acaba comentando sobre elas. Mas, nos comentários destes vídeos, quando disponíveis, ou nas lojas em que eles estão, é comum ver reclamações e críticas a estes games.

Na maioria dos casos, as críticas apontam que os jogos são muito mais difíceis do que aparecem nos anúncios, ou são diferentes, com visual mais simples e até com outro formato de gameplay.

Ainda há, por parte de algumas pessoas, preocupação em relação a constante exposição a estes conteúdos, que alegam que tais anúncios tem como principal alvo os mais jovens, que são mais suscetíveis a tais estímulos.

Perder também é estratégia

Assim, é possível afirmar que “perder” nestes jogos, nos vídeos de anúncios dos mesmos, é parte de uma estratégia de marketing, que combinam segmentação, psicologia e apelo emocional para desafiar novos jogadores a “fazer melhor”.

Explorando a vontade humana de superar desafios e a busca de recompensa, algo normal nas divulgações de games, estas propagandas em especial usam elementos especialmente desenvolvidos para os locais nos quais são divulgados: as redes sociais.

E esta é uma estratégia de marketing bem eficiente já que conseguem chamar bastante atenção e, por si só, não oferece nada de errado. A polêmica, geralmente, está envolvida com a agressividade dos anúncios, e com os jogos em si, que podem ser diferente do que é apresentado nos vídeos.

Mas lembre-se, ao ver um anúncio destes, de não sair baixando qualquer jogo, de qualquer fonte, sem antes verificar a origem dele, se está disponível em lojas oficiais e, nestas lojas, qual é a avaliação média dos jogadores. E, tão importante quanto, observar como estes jogos lidam com vendas de conteúdo in game, o que pode evitar problemas ainda maiores, em alguns casos.

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Junior Candido

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