Melhores do Ano Arkade 2025: Ball X Pit

29 de dezembro de 2025

Ball X Pit é a prova de que, mesmo em um gênero saturado como o dos roguelikes, ainda existe espaço para criatividade. Em um nicho abarrotado de jogos que reciclam as mesmas estruturas, os mesmos loops e as mesmas ideias, ele se destaca por não tentar seguir a cartilha e, ao unir com maestria ideias muito peculiares, cria uma experiência viciante e torna-se um dos Melhores Jogos do Ano!

Publicado pela Devolver Digital, Ball X Pit aposta em uma mistura que, no papel, soa excêntrica demais para funcionar: ele combina a mecânica clássica de quebrar bloquinhos, imortalizada lá atrás por jogos como Breakout, com a estrutura de repetição típica dos roguelikes. A isso se somam diversos personagens desbloqueáveis, bolas com comportamentos distintos, chefes gigantes e, para completar, um sistema de”fazendinha” onde vamos gerir e expandir uma pequena vila. É uma salada de ideias que poderia facilmente dar errado. Mas, contrariando as expectativas, tudo aqui se encaixa de forma surpreendentemente coesa e dá muito certo.

A cada run, descemos por um enorme abismo localizado na borda do vilarejo que serve como nosso hub. É ali que enfrentamos hordas e mais hordas de inimigos, controlando heróis que funcionam como a “raquete” do Breakout, lançando bolas que ricocheteiam pelas paredes e causam dano aos monstros. A mecânica é simples, quase intuitiva, mas o jogo, com o perdão do trocadilho, vai muito além da superfície.

O grande diferencial está na variedade absurda de bolas que vamos desbloqueando ao longo das partidas. Existem bolas elétricas, de fogo, de ácido, bolas que causam terremotos, bolas vampíricas que drenam vida, bolas que disparam lasers, que se multiplicam, e muitas outras variações. Cada uma tem propriedades únicas que alteram completamente a forma como encaramos os combates. E como se isso não bastasse, o jogo ainda permite fundir projéteis diferentes, criando combinações ainda mais poderosas e imprevisíveis. Cada run vira um pequeno experimento de caos controlado — e o fato de cada personagem tem alguma particularidade deixa tudo ainda mais legal.

A camada de gerenciamento da vila complementa muito bem essa estrutura. Entre uma run e outra, investimos recursos, desbloqueamos melhorias, expandimos serviços e fortalecemos nosso ponto de apoio. Isso dá um senso claro de progressão, mesmo quando as runs dão errado, e ajuda a manter o jogador engajado a longo prazo. Não é apenas repetir por repetir, há sempre algo sendo construído, ajustado ou aprimorado — e melhorar a vila pode desbloquear novos personagens ou liberar vantagens para as próximas runs.

Esses dois momentos criam um loop de gameplay extremamente viciante: sempre existe aquela sensação de “só mais uma partida”, porque a próxima combinação pode ser ainda melhor, ainda mais absurda, ainda mais destrutiva. É o tipo de jogo que você começa jogando sem grandes expectativas e, quando se dá conta, já gastou horas descendo o abismo para “só mais uma run”.

Confesso que, com exceção de Hades II, não esperava colocar um roguelike nesta lista em pleno 2025. Digo isso porque o gênero já me cansou em muitos aspectos. Mas Ball X Pit conseguiu me surpreender. Ele não tenta ser mais profundo do que precisa, nem se leva a sério demais. Ele parte de uma mistura absurda, mas faz tudo com capricho, entregando uma experiência absurdamente divertida, criativa e difícil de largar.

Em um ano cheio de jogos seguros demais e criativos de menos, Ball X Pit ousou misturar ideias improváveis — e fez isso do jeito certo Por ser diferente, por ser inventivo e, acima de tudo, por ser extremamente viciante, Ball X Pit merece um lugar entre os Melhores Jogos de 2025.

Relembre nossa análise completa de Ball X Pit.





Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

Mais Matérias de Rodrigo