A humanidade pode colonizar o espaço como em Starfield em 2330? O que a tecnologia atual e estudos indicam

23 de abril de 2026

Imagine a humanidade em 2330 vivendo entre planetas e sistemas estelares próximos, com naves que saltam entre estrelas e colônias espalhadas pelo que o jogo Starfield chama de Sistemas Colonizados.

No jogo da Bethesda, ambientado exatamente nesse ano, as pessoas já deixaram a Terra para trás depois de um colapso no campo magnético do planeta, fundaram facções como as United Colonies e o Freestar Collective, e exploram artefatos antigos com grupos como a Constellation.

Mas será que isso é apenas ficção inalcançável, ou um cenário que a humanidade tem chances reais de repetir em pouco mais de 300 anos?

A resposta, com base no que temos hoje, aponta para um caminho viável de expansão gradual. Projetos da NASA e empresas como a SpaceX já colocam a colonização do Sistema Solar dentro do horizonte das próximas décadas.

Estudos sobre expansão espacial mostram que, com progresso contínuo em propulsão e habitats, a espécie humana pode se tornar multiplanetária de forma estável bem antes de 2330. E algo bem interessante faz a gente refletir sobre isso: o jogo escolheu uma direção visual que remete diretamente ao que a NASA construiu nas últimas décadas, algo prático e reconhecível, em vez de visuais exagerados.

O que Starfield mostra sobre a colonização no ano 2330

No universo do jogo, tudo começa em caráter de estudos iniciais, mas acelerou conforme a necessidade exigiu. Em 2050, os primeiros humanos pisam em Marte. Por volta de 2100, já vivem no espaço de forma permanente. Em 2156, chegam ao sistema Alpha Centauri, o mais próximo depois do nosso. E assim, como os europeus na América, surgem colônias e cidades como New Atlantis e Akila City, e uma rede de viagens interestelares que usa tecnologia de “grav drive” para saltos rápidos.

Um ponto central no lore é a saída da Terra, por necessidade. Por volta de 2150, cientistas anunciaram que o campo magnético do planeta está enfraquecendo e vai colapsar em cerca de 50 anos, ameaçando todas as formas de vida como conhecemos.

Isso acelera um esforço global de evacuação. Assim, a última frota de êxodo deixa a Terra em 2199. Alguns anos depois, em 2203, o planeta perde definitivamente sua magnetosfera, a atmosfera se dissipa no espaço e o mundo natal se torna inabitável. Bilhões de pessoas não conseguem sair a tempo, mas quem conseguiu sair do Titanic que virou o nosso planeta marcou o início da dispersão humana pelos sistemas vizinhos.

A história de Starfield traz uma proposta diferente dos futuros discutidos em produtos cyberpunks. Não traz um futuro com cidades decadentes ou mega corporações que mandam e desmandam no mundo. O jogo prefere explorar uma expansão humana natural, embora envolvida em questões políticas, mas também com exploradores independentes e novas descobertas.

A estética visual, batizada internamente pela Bethesda de “NASA-punk”, reforça isso: naves com aparência funcional, trajes espaciais que lembram os da era Apollo, interiores como os da Estação Espacial Internacional, mas evoluídos para encaixarem em um mundo no século XXIII. O lead artist Istvan Pely explicou que a ideia era criar algo, que mesmo sendo futurista, fosse prático e próximo do que já existe hoje.

A saída da Terra: o catalisador da expansão no jogo

Essa partida forçada da Terra por volta de 2150, culminando na inabitabilidade em 2203, funciona como o grande impulsionador da história de Starfield. Em vez de um fim, o evento obriga a humanidade a acelerar a colonização. O que era um plano de exploração se transforma em sobrevivência coletiva.

Facções como as United Colonies surgem exatamente para organizar esse novo começo, e a tecnologia de grav drive — que ironicamente contribuiu para o problema no campo magnético — vira a ferramenta que permite saltos para sistemas como Alpha Centauri já em 2156.

No jogo, isso não é tratado como um desastre apocalíptico, mas sim como o ponto em que a humanidade se expande pelo espaço, e deixa de depender de um único planeta. Colônias em Marte e além já existiam antes, mas a crise transforma a migração em algo sistemático e permanente.

O que a tecnologia de hoje já permite projetar

A turma da Artemis II em missão realizada em 2026. Imagem: NASA

Hoje, em 2026, os passos iniciais estão acontecendo. O programa Artemis da NASA visa retornar à Lua de forma sustentável, com pousos tripulados previstos para 2027 ou 2028, e bases permanentes como trampolim para Marte. A SpaceX, com a nave Starship, planeja missões não tripuladas para Marte ainda nesta década e tripuladas logo depois. Projeções da própria empresa falam em cidade auto-sustentável no planeta vermelho por volta de 2050.

Estudos independentes reforçam o otimismo. Relatórios da NASA sobre habitats em Marte e uso de recursos locais (como produzir oxigênio da atmosfera marciana) mostram viabilidade técnica. Pesquisas sobre naves auto-suficientes para viagens longas indicam que, com crescimento econômico e avanços em propulsão, projetos interestelares grandes podem se tornar factíveis a partir do final do século 23 ou início do 24. Não é algo imediato, mas está dentro do prazo de 2330 em cenários de progresso acelerado.

O contraste com narrativas cyberpunk é claro. Enquanto essas histórias mostram um futuro de desigualdade extrema e tecnologia que escraviza, o caminho que Starfield e os projetos reais sugerem é de expansão aberta, embora não perfeitos e não sem interferência corporativa ou política: mas, mesmo assim, com humanos trabalhando juntos para viver fora da Terra, usando tecnologia prática para explorar em vez de dominar.

Por que a Bethesda preferiu a estética NASA

A escolha visual do jogo não foi algo feito “só para ser bonito”. Ao mirar na NASA dos anos 1970, trazendo visual da época para funcionalidades de um futuro imaginário, Starfield cria um mundo que parece uma continuação natural do que vemos hoje na Estação Espacial Internacional ou nos trajes da Artemis. Isso torna o futuro mais palpável. Em vez de naves, viagens espaciais e tecnologias que parecem impossíveis, vemos designs que um engenheiro atual reconheceria: painéis solares, tanques de combustível, estruturas modulares.

Essa abordagem ajuda a imaginar o dia a dia real de colônias futuras. Astronautas da NASA já testam sistemas de suporte à vida e produção de combustível em Marte. A SpaceX fala em frotas de Starship para transporte regular, como uma espécie de metrô espacial. Juntos, esses esforços mostram que a colonização, como as já registradas na história e as futuras, são ideias possíveis, embora com suas características e diferenças.

Pois, se fizermos um paralelo, os medievais acreditavam na ideia de um “fim de mundo” onde o oceano desaguava, e sair da Europa, África ou Ásia para desbravar novos mundos era “loucura”. E ignorando pensamentos conspiradores ou exagerados, não se torna uma ideia tão distante assim colonizações espaciais em um futuro próximo, sendo eles como Starfield imaginou, ou não.

Desafios reais, mas um horizonte alcançável

A Terra, através da Artemis. Imagem: NASA

Claro que há obstáculos, ainda mais se observarmos este tema com a mentalidade e recursos que temos hoje em dia: distâncias enormes, radiação, custo inicial alto e a necessidade de economia espacial robusta.

Estudos sobre viagens interestelares lembram que, sem avanços em propulsão além dos disponíveis hoje, as distâncias entre estrelas exigem décadas ou séculos de viagem. Mas é possível ter otimismo, se assim você quiser. Pois em 66 anos, passamos da primeira órbita ao pouso na Lua para foguetes reutilizáveis e imagens impressionantes da Lua e da Terra.

Algo que seria considerado “magia negra” séculos atrás.

Em 304 anos, o progresso composto pode sim nos levar a colônias em vários corpos do Sistema Solar e, quem sabe, saltos para sistemas próximos. O jogo mostra exatamente isso: uma humanidade que se espalhou devagar, com várias iniciativas, independente dos contextos das épocas exploradas pelos jogos, mesmo depois de perder a Terra em 2203.

O que isso significa para nós? Se mantivermos o foco em exploração prática, como a NASA e a SpaceX fazem hoje, o cenário de Starfield deixa de ser uma fantasia tão distante. É claro, estamos lidando com tudo isso com a ótica da especulação, mas se tem uma coisa que a humanidade consegue fazer, para o bem ou para o mal, em ações que aprovamos ou rejeitamos, é surpreender.

E você, acha que vamos ver colônias estáveis em Marte ainda nesta geração? Ou é coisa para o século XXIII, se ele existir?

Fontes consultadas:

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Junior Candido

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