13 anos da última corrida da Indy no Brasil: quando o Sambódromo do Anhembi aprendeu a correr

Há exatamente 13 anos, em 5 de maio de 2013, a IndyCar realizou sua última prova em território brasileiro. A etapa, chamada de São Paulo Indy 300, aconteceu no Sambódromo do Anhembi, na capital paulista, e terminou com uma ultrapassagem na última curva da última volta. O canadense James Hinchcliffe, então correndo pela equipe Andretti, superou o japonês Takuma Sato (AJ Foyt) e garantiu a vitória.
A corrida ficou marcada por disputas intensas e incidentes que mudaram várias vezes a liderança, conforme narrado pela UOL, em matéria da época. Will Power, que havia vencido as três edições anteriores no mesmo circuito, abandonou logo no início após um problema no carro.
O brasileiro Tony Kanaan (correndo pela KV Racing na época) liderou por várias voltas, inclusive recebendo o ponto extra pela volta mais rápida, mas sofreu com o desgaste dos pneus e terminou em 21º lugar após uma pane seca na reta principal. Hélio Castroneves (na Penske) enfrentou toques e punições, completando a prova em 13º. Já Bia Figueiredo abandonou cedo, na sexta volta, por falha na caixa de câmbio.
James Hinchcliffe largou mais atrás, mas se manteve consistente e aproveitou os pit stops e as relargadas para avançar. Na penúltima volta, ele colou em Takuma Sato e, na curva final, fez a manobra decisiva. Marco Andretti completou o pódio em terceiro. Foi a segunda vitória de Hinchcliffe naquela temporada.
A Indy publicou a corrida completa para quem quiser relembrar a prova, em tempos os quais a categoria buscava sair mais dos EUA e preencher espaços em países estratégicos tentando uma globalização para a marca.
Do Rio para São Paulo: como a IndyCar chegou ao Brasil

A presença da categoria no país é mais antiga do que parece, começando antes mesmo de acelerar em nossas pistas, com Emerson Fittipaldi tentando a sorte pelas pistas da Indy após uma carreira vitoriosa na Fórmula 1. O brasileiro ganhou a Indy 500 em 1989 e 1993, e iniciou um legado que trouxe Gil de Ferran, Raul Boesel, Helio Castroneves e tantos outros para a categoria famosa por seus ovais e circuitos de rua.
O que fez com que o interesse com a categoria crescesse, com direito a corridas transmitidas pelo SBT, o que rendeu a primeira corrida em solo brasileiro em 1996, ainda na era CART (a nossa Fórmula Mundial), no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Naquela época, o evento acontecia em um oval no antigo circuito carioca, primeiro como Rio 400 e depois como Rio 200. A categoria correu por lá até 2000, e retornou ao Brasil apenas em 2010, já unificada como a IndyCar que conhecemos, quando a organização escolheu o Sambódromo do Anhembi para criar um circuito de rua temporário na região de Santana, aproveitando a reta onde as escolas de samba desfilam e o entorno da região, incluindo o distrito e a Marginal Tietê.
Entre 2010 e 2013, o Sambódromo do Anhembi recebeu quatro edições da prova. A escolha de São Paulo, em vez de voltar ao Rio, envolveu incentivos financeiros e logísticos oferecidos pelos organizadores locais. O traçado original usava a reta principal do sambódromo, trechos da Marginal Tietê e ruas próximas, formando um circuito de cerca de 5 km com alta velocidade e oportunidades de ultrapassagem, dentro do que se espera em uma corrida da categoria.
O Sambódromo hoje: casa da Fórmula E
A Indy não retornou mais ao Brasil desde então, se retraindo aos Estados Unidos, focando em sua icônica Indy 500 e em seus ovais e circuitos tradicionais. Mas dez anos depois, em 2023, o mesmo local abriga o ePrix de São Paulo da Fórmula E.
O traçado atual tem várias mudanças: ele é mais curto (cerca de 2,9 km), com 11 curvas, sentido oposto na reta em relação à Indy e foco em zonas de frenagem forte e gerenciamento de energia. A largada continua na reta do sambódromo, mas o percurso não usa a Marginal como pista e tem um layout mais técnico para os carros elétricos, além de um pit lane mais isolado, uma vez que a dinâmica da Fórmula E é diferente da Indy. A prova segue confirmada no calendário, inclusive para a era Gen4 a partir de 2026/27, com São Paulo sediando a estreia da temporada.
E a IndyCar volta ao Brasil?
Não há data confirmada para o retorno de uma etapa da IndyCar. No entanto, a categoria tem demonstrado interesse, com notícias a respeito pipocando aqui e ali. Em abril de 2026, o CEO da Penske Entertainment (os atuais donos da IndyCar), Mark Miles, e uma delegação visitaram o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO), para avaliar infraestrutura, logística e viabilidade de uma possível prova em 2027.
O governo goiano, que já conseguiu levar a MotoGP para o circuito e a emissora Band, que voltou a transmitir a IndyCar em 2026, participaram das conversas.
A IndyCar não corre no Brasil desde 2013, mas o país voltou a ter presença no grid em 2026 com o piloto Caio Collet (AJ Foyt). A categoria mantém 17 etapas no calendário atual e estuda novas praças internacionais, buscando uma nova exposição internacional, com o Brasil aparecendo como opção em discussões recentes.
Para efeito de comparação, nos tempos da CART (ou Fórmula Mundial), a categoria “dividida” da Indy corria, além do Brasil, no Japão, Austrália, Alemanha, Reino Unido e México, além da vizinha Canadá, onde chegou a correr em três cidades diferentes.
A última corrida de 2013 deixou lembranças mas abriu um “buraco na alma” do fã de corrida, ainda mais com uma corrida que teve brasileiros na briga pela ponta e um final dramático. Treze anos depois, o Sambódromo do Anhembi segue ativo no automobilismo mundial, agora com a Fórmula E, enquanto a IndyCar analisa caminhos para voltar.
E com o nosso país já recebendo a Fórmula 1 há tanto tempo, garantindo bom público com a Fórmula E e trazendo a MotoGP de volta, não esquecendo também das categorias nacionais que tem engajado muitos fãs, as portas da Indy seguem abertas para trazer mais velocidade para o fã brasileiro.
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