Análise Arkade: Disgaea Mayhem, um pseudo musou que faz jus ao nome em ser caótico e ao mesmo tempo divertido

Disgaea Mayhem é um jogo de RPG de ação que mistura o estilo alucinado de ação de jogos como Dynasty Warriors ao DNA da série Disgaea. O resultado é um spin-off frenético e recheado de conteúdo, confiura nossa análise!
Humor absurdo e a busca pelo pudim perdido
A narrativa de Disgaea Mayhem mantém o clássico tom satírico e irreverente da série, subvertendo os clichês de fantasia épica com uma motivação comicamente banal.
No jogo assumimos o controle de N.A., um mercenário calejado e fã de doces que é contratado por Tichelle, a filha do falecido rei demônio. Sua missão não é salvar o mundo, mas sim recuperar um pudim lendário, herança do antigo rei demônio, que foi roubado e devorado pelos antigos generais.

O humor nonsense do jogo permeia toda a narrativa, o que torna a jornada leve e muito “auto-irônica”, com muito espaço para piadas sobre a obsessão dos personagens por comida e dinheiro.
Do tabuleiro tático para a ação frenética
Aqui está a maior mudança do jogo e o ponto central de Disgaea Mayhem: o jogo abandona o tabuleiro isométrico por turnos e adota o combate direto em tempo real. Aqui iremos controlar N.A. diretamente e ele terá á disposição no seu arsenal sete tipos diferente de armas (como espadas, machados, manoplas e até armas de fogo). Trocar de arma muda instantaneamente o estilo de jogo e o conjunto de habilidades ativas.

No jogo também temos os Buddies, monstros que podemos levar conosco e são um adicional para sua equipe. Além de ganharem níveis junto do protagonista, os Buddies também podem equipar itens para ficarem mais fortes e podem até ser usados como armas — por meio de uma mecânica chamada Magichange.
O DNA mantido de Disgaea
Os desenvolvedores conseguiram unir a ação típica de um musou com o sistema mais amado da série Disgaea — o grind infinito, onde podemos chegar a níveis absurdos como 9.999 e causar danos que chegam na casa dos milhões (ou até bilhões).
Além disso temos a disposição o Item World que é uma mecânica onde podemos aumentar o nível de itens para deixá-los mais fortes, o Chara World que é um modo de tabuleiro ao estilo do clássico Jogo da Vida, o Cheat Shop — onde podemos decidir se queremos ganhar mais experiência, dinheiro ou mana no final de cada fase — e a Dark Assembly, uma espécie de conselho demoníaco onde ocorrerão votações para aprovar regras ou desbloquear complementos para as mecânicas citadas acima.

Item World
No Item World, você irá entrar literalmente no mundo de um item para lutar contra hordas de inimigos que estão impedindo que ele alcance todo seu potencial. Ao fazer isso, podemos aumentar o nível do próprio item (vale para armas, armaduras e acessórios).

Também iremos ganhar pontos que poderão ser usados no item para aumentar separadamente status (HP, ataque, defesa, etc) conforme acharmos conveniente. Também podemos liberar habilidades de outras armas (do mesmo tipo) obtidas anteriormente.
Neste modo, a cada horda de inimigos podemos escolher aumento de status para utilizar temporariamente durante a run atual. Também temos os innocents, que são monstros que habitam os itens, eles são um adicional para equipar nas armas.
A princípio esses innocents são monstros arredios que precisam ser “domados” e aparecem no meio das hordas. Após serem domados, eles passam a integrar o item, abrindo a possibilidade de transferir esses innocents para outros itens, assim como fundí-los (caso tenha vários iguais) para torná-los mais fortes.

Chara World
O Chara World é um jogo de tabuleiros onde controlamos os Buddies junto a Tichelle, esse modo é como se fosse o Jogo da Vida: temos que tirar a sorte nos dados e andar as casas correspondentes, respeitando um conjunto específico de regras.
O interessante é que nesse modo podemos ganhar bônus nos status do protagonista de forma permanente. Além disso, por aqui também podemos liberar habilidades passivas quando finalizamos uma fase.
Dark Assembly
Essa é a mecânica fundamental do jogo: é aqui onde iremos desbloquear os extras do jogo e deixar o personagem mais forte e habilitar recursos como a reencarnação. É também onde podemos triplicar os ganhos no final de cada fase (só dá para fazer 1 por vez).

A assembleia consiste em uma votação para liberar tais mecânicas. Há monstros que podem favorecer ou não o que é votado. Ao final da votação, caso uma demanda não seja aceita, você ainda terá uma opção de suborno (que não será barato) para aceitarem… ou você pode tentar forçá-los a aceitar caindo na porrada com eles (uma opção arriscada).

Cheat Shop
O Cheat Shop funciona de forma onde podemos aumentar a taxa de obtenção de recompensas permanentemente como experiência, dinheiro, mana e até os itens que iremos ganhar ao final das fases, além de aumentar o nível base das fases para alcançar níveis absurdos.

Audiovisual
No aspecto técnico e artístico, a transição para um jogo de ação exigiu uma adaptação cuidadosa do estilo tradicional da Nippon Ichi. O jogo entrega uma jogabilidade consistente sem engasgos durante o gameplay — mesmo no Switch 1, uma plataforma já mais antiguinha.

O design dos personagens continua sob as mãos de Takehito Harada, mantendo os expressivos traços estilo anime, coloridos e caricatos, que sempre concederam um charme único à série.
A transição para os modelos 3D mais dinâmicos em um jogo de ação funciona muito bem, permitindo que as animações de habilidades especiais sejam extremamente espalhafatosas, cheias de luzes e explosões com efeitos exagerados.

A trilha sonora faz aquele clima clássico de “Dia das bruxas divertido” composto por Tenpei Sato (frequentemente associado à série), combinando faixas de jazz rápido, rock e arranjos orquestrais excêntricos que combinam perfeitamente com o ritmo acelerado das batalhas em tempo real.
A dublagem conta com opções em inglês e japonês e brilha a dar o tom de comédia pastelão essencial para que a história absurda de Tichelle e N.A. funcione. Os gritos característicos dos Prinnies (“Dood!”) continuam impagáveis.
Conclusão
Disgaea Mayhem é uma aposta ousada para atrair um novo público que talvez achasse o combate tático por turnos um pouco lento demais. Mas, ele atualiza mecanicamente a franquia Disgaea sem alienar (nem ignorar) os fãs antigos da série.
Ao manter o humor pastelão da série principal, bem como mecânicas típicas que fazem o jogo ser um legítimo Disgaea, o que temos aqui é uma nova forma de jogar, que dá um aceno para o gênero musou, mas consegue unir a ação ao espírito de Disgaea, sem que nenhuma das partes se perca no processo.
Desenvolvido pela Nippon Ichi Software e distribuído pena NIS America, Disgaea Mayhem chega dia 23 de Julho para PC, Playstation 5, Nintendo Switch 1 (versão analisada) e Switch 2. O game conta com suporte a diversos idiomas (como japonês, francês, inglês e espanhol), mas infelizmente nada para o nosso PT-BR.