A história do Game Boy que sobreviveu a um incêndio na Guerra do Golfo e ainda funciona

Em 1991, durante a Guerra do Golfo, um Game Boy original da Nintendo passou por um incêndio em um acampamento militar no Oriente Médio. O console ficou com a frente queimada, botões derretidos e carcaça deformada, mas, mesmo assim, ligou e rodou o cartucho de Tetris quando testado.
O dono, o médico do Exército americano Stephan Scoggins, enviou o aparelho para reparo e acabou recebendo um novo como cortesia. O original virou peça de exposição por anos e hoje segue guardado pela empresa.
O caso começou quando Stephan Scoggins, enfermeiro registrado que servia na Operação Tempestade no Deserto, a famosa operação que envolveu uma coalizão entre os EUA e mais 30 países, sob apoio da ONU, levou o Game Boy para passar o tempo entre os turnos.
O portátil estava guardado na barraca dele quando o local pegou fogo. Não houve vítimas, mas os pertences de Scoggins foram atingidos. Ele escreveu para a Nintendo explicando a situação: “Felizmente, este Game Boy, vários cartuchos de jogos e alguns itens pessoais foram as únicas baixas causadas por um incêndio”.
A equipe técnica da Nintendo recebeu o aparelho e, à primeira vista, achou que não tinha mais conserto. A frente estava carbonizada e deformada pelo fogo, os botões A e B junto com o direcional derreteram, e a carcaça de plástico deformada deixava parte da placa-mãe exposta.
Mesmo assim, por curiosidade, inseriram um cartucho de Tetris, conectaram pilhas e ligaram. O som característico “ping!” do portátil saiu e o jogo começou a rodar. Os botões Start e Select ainda respondiam, e o console funcionava apesar dos danos visíveis.
Em julho de 1991, a revista Nintendo Power publicou o relato com um comunicado da empresa: “O Game Boy é ainda mais resistente do que imaginávamos! Claro que não recomendamos submeter seu Game Boy a uma prova de fogo, mas, neste caso, substituímos o aparelho de Stephan como cortesia especial da ‘Tempestade no Deserto’”. A empresa devolveu um Game Boy novo para Scoggins e guardou o danificado.
Por muitos anos, foi divulgado a informação de que um bombardeio iraquiano que havia causado o incêndio e deformado o Game Boy, mas isso foi apenas uma confusão de informação, que foi explicada anos depois.
Scoggins esclareceu ao site The Verge que não foi um bombardeio que ocasionou a famosa situação. “Não foi um bombardeio, foi a barraca que pegou fogo”, disse ele. Havia sim um ataque aéreo na região, mas os dois eventos foram confundidos com o tempo. O que sobrou foi um Game Boy chamuscado que, independente do que aconteceu na época, provou a robustez do projeto original.
Por que o Game Boy aguentava tanto?
Lançado em 1989, o Game Boy foi criado por Gunpei Yokoi com uma filosofia clara: usar tecnologia madura e barata, priorizando durabilidade, portabilidade, peso leve e longa duração de bateria.
O console era feito para crianças e para ser levado para qualquer lugar e viver várias situações, inclusive cair, levar pancada ou sujar. A carcaça de plástico resistente protegia os componentes internos simples, o sistema de cartuchos era firme e as pilhas AA comuns garantiam horas de uso sem gastar muita bateria, graças a sacada de não iluminar a tela, que se mostrou útil naqueles dias.
Essa construção sem frescuras foi o que permitiu o aparelho continuar funcionando depois do incêndio. O processador e o cartucho de Tetris escaparam do pior dano, enquanto a parte externa absorveu o calor. Não era à prova de tudo, mas foi projetado para aguentar o dia a dia real de quem joga.
Onde o Game Boy está hoje?
Por mais de duas décadas, o console ficou em exposição na loja da Nintendo em Nova York, no Rockefeller Center, com uma placa que dizia: “Este Game Boy foi danificado quando quartéis foram bombardeados durante a Guerra do Golfo de 1990-1991. Ainda funciona”.
Em 2023, a peça foi retirada da vitrine e enviada de volta para a sede da Nintendo nos Estados Unidos, em Redmond, no estado de Washington. Desde então, não há registro público de nova exibição. A Nintendo não comentou oficialmente o motivo da mudança, mas o aparelho continua guardado pela empresa.
A história circula entre fãs de games desde os anos 90 e mostra, de forma prática, como o Game Boy foi pensado para durar. Não era o mais avançado da época, mas o design simples e sólido fez diferença em situações que ninguém previu — inclusive um incêndio em plena guerra.
O que prova que tecnologias antigas eram realmente feitas para durarem mais, e no caso do Game Boy, comprovou que um projeto feito para criança derrubar no chão sem querer realmente cumpriu o seu objetivo de aguentar “qualquer coisa”.
Fontes consultadas:
- This Game Boy Survived a Bombing in the Gulf War – Esquire
- The Game Boy that survived the Gulf War has been removed from Nintendo New York – The Verge
- A Game Boy Survived an Iraqi Bombing During the Gulf War – Military.com
- The Nintendo Game Boy was a console designed to last for a lifetime (my lifetime) – CNet
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