Análise Arkade: Assassin’s Creed Shadows no Nintendo Switch 2

15 de dezembro de 2025

Assassin’s Creed Shadows chega ao Nintendo Switch 2 como um dos ports mais ambiciosos já realizados pela Ubisoft para um console híbrido. Originalmente lançado no início do ano para as plataformas (mais potentes) da geração atual, o jogo expande a franquia para o tão aguardado Japão feudal que os fãs tanto queriam.

As questões que um port desta magnitude levanta são: até que ponto uma plataforma híbrida pode abraçar um jogo AAA com mundo aberto tão vasto e mecanicamente complexo? O Nintendo Switch 2 dá conta de rodar o jogo satisfatoriamente? Como já analisamos o game no PS5, esta análise da versão Switch 2 do game vai ser focada em responder a esta perguntas.

O jogo, em si, é o mesmo, então não vou ficar aqui “chovendo no molhado”. Esta ainda é a jornada de vingança da shinobi Naoe e do samurai Yasuke, e ainda traz a combinação de ação, furtividade e exploração que a gente já espera de um Assassin’s Creed. A novidade aqui é poder levar tudo isso “no bolso”, para jogar em modo portátil e, quando chegar em casa, plugar o console no dock e seguir com a jogatina.

Jogando no Switch 2

Em se tratando de de tirar proveito das funcionalidades exclusivas do Switch 2, Assassin’s Creed Shadows não é especialmente ousado ou criativo. O que ele traz de diferente para o modo portátil é a navegação via touchscreen para menus, mapas e gerenciamento do esconderijo. Aqui não há, por exemplo, suporte ao modo mouse, a controles por movimentos, nem nada do tipo — como vimos no port de Cyberpunk 2077, por exemplo.

Ainda assim, a possibilidade de carregar um jogo deste escopo — mundo aberto enorme, expansivo, toneladas de sidequests e conteúdos opcionais — na mochila para jogar em qualquer lugar é um diferencial que tem seu apelo. Nesta época de fim de ano, com viagens, réveillon, etc., é muito cômodo pode levar o jogo para qualquer lugar de forma prática.

Um recurso legal — que nem deve ser exclusivo desta versão, mas vale a menção — é o suporte a cross-progression via Ubisoft Connect. Isso quer dizer que você pode exportar seu progresso de outra plataforma e continuar aqui, o que é muito bom para quem já tem uma campanha avançada em outra plataforma e quer continuar seu progresso durante uma viagem, ou algo assim.

Performance de AC Shadows no Switch 2

No aspecto técnico, o que mais impressiona é a solidez com que Ubisoft Quebec lidou com as limitações do Switch 2 — se comparado às demais plataformas atuais. Escolhas e concessões foram feitas de maneira inteligente, para garantir uma experiência de gameplay fluida e responsiva, tanto em modo portátil quanto acoplado ao dock.

O jogo mira um framerate de 30 FPS em ambos os modos (portátil e dockado), e usa tecnologias como DLSS e VRR (Variable Refresh Rate) para estabilizar a performance, fazer upscaling na resolução e reduzir a latência dos controles. São ajustes sensíveis para manter a responsividade do gameplay.

Cortes em efeitos visuais mais pesados — como iluminação por ray tracing, sombras dinâmicas e reflexos realistas — precisaram ser feitos. A draw distance é um tanto limitado e ocasionalmente rolam alguns pop-ins de texturas conforme a gente se aproxima dos objetos.

Na prática, boa parte dos cortes e ajustes necessários são equivalente aos que foram feitos para o jogo rodar no Xbox Series S — mas com otimizações pensadas para aproveitar as especificidades e a portabilidade do hardware do Switch 2.

Conclusão

Assassin’s Creed Shadows no Nintendo Switch 2 é um marco técnico e, ao mesmo tempo, um daqueles casos em que a gente pensa “que bruxaria é essa?”, dado o escopo do jogo. Como vimos, não é um port sem cortes e concessões, mas o resultado final é admirável pela fidelidade à versão original e pela forma como o jogo preserva sua experiência de gameplay.

Jogar Assassin’s Creed Shadows no Nintendo Switch 2 é uma prova de que o console está mais do que pronto para receber títulos de grande porte com qualidade. Com escolhas técnicas sensatas e ajustes inteligentes, não é preciso sacrificar a experiência para jogar um grande mundo aberto em qualquer lugar.

Esta portabilidade costuma ser o meu argumento para defender a chegada de qualquer jogo grande aos consoles da Nintendo. Mais do que uma plataforma para jogar exclusivos da Nintendo, o Switch 2 pode, sim, ser um console para jogar muitos outros games — inclusive AAAs. É só uma questão de fazer um port bem feito. E nisso, a Ubisoft anda mandando bem.

Assassin’s Creed Shadows chegou ao Nintendo Switch 2 no início de dezembro. O jogo está 100% localizado para o português brasileiro.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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