Análise Arkade – Assassin’s Creed Shadows leva esperança em dose dupla para um Japão afundado na guerra

18 de março de 2025

Desde o primeiro Assassin’s Creed, lá em 2007, os fãs da franquia sempre desejaram ver os lendários assassinos agindo nas sombras em aventuras no antigo Japão. E a razão é óbvia: seja com a honra dos samurais ou com os ataques pelas sombras dos shinobis, este universo tem tudo a ver com o jeitão de gameplay da série.

Assim, quase 20 anos depois do game de estreia, e com a franquia viajando pela Península Itálica Renascentista, pela Guerra de Independência dos EUA, pela Grécia Antiga, pela Inglaterra dos tempos dos Vikings e tantas outras épocas mais da história da humanidade, enfim chegou a hora da série visitar o Japão Feudal, em Assassin’s Creed Shadows.

Chegamos, enfim, ao ano de 1579, nos últimos anos do período Sengoku, onde viveremos vários eventos aos olhos de Naoe, uma shinobi determinada e disposta a trazer a paz para seu povo, e Yasuke, um personagem inspirado em uma figura histórica que veio da África, em uma época de intercâmbio entre portugueses e japoneses, e que no game é tratado como um lendário samurai, com sua busca por identidade enquanto ajuda Naoe em sua nobre missão.

Naoe e Yasuke, duas formas diferentes de se jogar o mesmo game

Antes de qualquer coisa, vamos falar de ambos os protagonistas de Assassin’s Creed Shadows. Vamos, em um primeiro momento, ignorar qualquer discussão já feita sobre eles e falar sobre ambos os personagens em caráter de gameplay. Como é possível jogar com ambos a aventura, a Ubisoft resolveu “dividir” elementos de gameplay entre ambos, usando suas origens e treinamentos para influenciar a jogatina.

Assim, Naoe, como boa shinobi que é, traz para o game a boa e velha jogabilidade stealth. Ela pode usar o escuro ao seu favor (até lembrei um pouquinho de Splinter Cell por isso), pode escalar muitas coisas, de montanhas a castelos, e até usa um gancho com corda para ajudá-la no processo. Jogar com ela significa ser a literal sombra do game, correndo por telhados e surpreendendo seus inimigos.

Yasuke é a representação dos jogadores que preferem bancar o Rambo e chutar portas, já que ele faz isso literalmente. Com um porte físico e armaduras dignas de Aldebaran de Touro, Yasuke é a força física em pessoa, capaz de lutar com vários inimigos, dominar o arco e flecha como ninguém e invadir locais com a cara e a coragem, pronto para qualquer combate. No entanto, seu gameplay “assassino” é limitado, já que ele sofre para escalar alguns locais e não é o personagem mais indicado para stealth, por ser grandalhão e desajeitado.

Além de que, em tese, samurais não eram conhecidos na história por ações na sombra, com exceção de um certo Jin Sakai, que teve lá seus motivos para agir assim em sua jornada.

No entanto, ambos os personagens podem ser controlados pelo jogador, sendo trocados como em um GTA V, porém de forma não tão prática. Se por um lado é fácil trocar de personagem no mapa usando os pontos de viagem rápida, por outro a troca de ambos acontece no menu de equipamentos, uma solução não tão prática, quando já temos o sistema de troca de personagens que GTA V introduziu.

Também é possível trocar de personagens em momentos da história, além de que algumas missões são realizadas exclusivamente por Naoe ou Yasuke. E, no geral, o ideal é jogar com os dois, e dominar o controle de ambos, para aproveitar o game da melhor forma. Obviamente, Naoe é a minha escolha em missões que percebo que o stealth é mais vantajoso, enquanto Yasuke é o meu personagem para invasões e combates mais complexos. O que torna o game bem interessante e com um gameplay que traz um pouco de variedade.

Ah, e acabou a “festa da águia”. Você não tem mais um “drone” para marcar os pontos para você. No lugar, você terá uma visão de intuição, que é melhor utilizado por Naoe, que o ajudará a identificar alvos, tesouros e elementos importantes. Sendo necessário subir nos telhados para ter a melhor visão possível, assim como uma shinobi de respeito deve fazer.

Bom, vamos lá. Antes de tudo, temos de lembrar que Assassin’s Creed se inspira em momentos reais da história, mas sempre contou com liberdade de criar suas próprias histórias. E isso acontece novamente aqui. Naoe, por exemplo, é de uma espécie de vila de shinobis da região de Iga, e que busca, através de seus ideais e eventos vividos, garantir um mundo melhor, em meio a um Japão em constante guerra e caos.

O Japão de AC Shadows é um Japão mergulhado na guerra. Para contextualizar, e separar alguns elementos de Ghost of Tsushima, que muita gente considera o “AC que a Ubisoft ainda não havia feito”, vamos contextualizar ambos os games, para entender melhor a proposta do jogo da Ubisoft. A aventura de Jin Sakai acontece em 1274, durante a invasão mongol. E, por isso, no game, como podemos ver, existe um invasor e os japoneses, em especial os samurais, que precisam proteger suas ilhas do poderoso inimigo.

Assassin’s Creed Shadows começa em 1579, entrando na era final da era Sengoku. Não falando do jogo em si, mas da era histórica no qual o game se inspira, era um momento de guerra entre os próprios japoneses, com os senhores feudais levando a arte da guerra em todo o lugar. No meio, o povo que sofre em meio a este contexto, com a guerra em si, e com o caos gerado, que rende crimes dos mais variados tipos.

E, ainda, temos a presença portuguesa que, por alguns anos, teve livre acesso ao Japão, inclusive para evangelizar com apoio da Igreja Católica. Neste contexto, temos os mosquetes, as “espingardas” da época, trazida pelos europeus, e que é uma das armas do jogo. E também temos o contexto de escravidão, quando portugueses já possuíam escravos vindos da África, entre eles Yasuke, que entra no contexto do game através deste intercâmbio, que desencadeia vários eventos, que o transformam em um samurai.

Não há muitas evidências históricas em relação a este samurai negro, embora as que existam são legítimas. Mas de qualquer forma, sua presença é bem apresentada no game, e todos aqueles que pararem de reclamar e darem uma chance ao game, entenderá bem o motivo de sua presença. Tanto ele quanto Naoe se encaixam muito bem não só no gameplay como na história do jogo, até porque a narrativa aqui é um pouco diferente.

É claro que vamos falar de assassinos e templários, senão o game teria de ter outro nome, mas a jornada, desta vez, é um pouco mais pessoal. Nós vamos, missão após missão, conhecendo mais os personagens, suas motivações, e testemunhando um Japão sombrio, envolvido em uma guerra com seu próprio povo, e sem expectativas de mudanças. É neste contexto que viveremos a aventura do game, em um ambiente narrativo que vale a pena conferir.

Um Japão desolado, mas lindo. Nas quatro estações.

Visualmente falando, AC Shadows capricha, e muito, em seus aspectos visuais. Diferente de Ghost of Tsushima, que apresenta um Japão mais colorido e até um tanto “romântico”, o Japão de Shadows é mais triste, mas nem por isso menos bonito. Por estar envolvido em uma guerra, o mundo do game conta com vilarejos queimados e destruídos, castelos em ruínas, corpos de gente morta em algumas estradas e um ambiente mais “cinza”, do que aquele Japão colorido que estamos acostumados a ver.

No entanto, há uma parte bela neste mundo também, com castelos incríveis, santuários belos e florestas repletas de flores. Para mostrar que nem mesmo a guerra foi capaz de destruir toda a beleza daquele lugar. É possível usar até três recomendações gráficas, nos consoles, para aproveitar o game da sua maneira preferida:

  • Performance, que leva 60 FPS ao game, mas limita o Ray Tracing
  • Fidelidade, que aproveita toda a capacidade gráfica do game, mas o trava em 30 FPS
  • Balanceado (a minha escolha), que ainda mostra a beleza visual do jogo, com bom uso de Ray-Tracing, mas com um pouco mais de quadros por segundo, atingindo os 40 FPS.

No PS5 Pro, as opções são semelhantes, embora exista as melhorias técnicas que o console consegue entregar, enquanto o Xbox Series S roda o game travado nos 30 FPS, com 1620p de resolução.

Tudo no game é bem feito, especialmente as construções, marca registrada de uma franquia que sempre caprichou na arte de criar prédios históricos em seus games. O jogo está tão bonito, que raramente usei viagens rápidas no game, preferindo cavalgar por longas distâncias, tanto para descobrir novos locais, quanto pra apreciar as paisagens variadas.

Que ficam ainda mais variadas com o conceito de estação que o jogo oferece. Um conceito de estação, que pode mudar sozinho com o passar do tempo ou ser trocado pelo jogador no menu de mapa, permite que o jogo mude sua estação, deixando-o mais adequado com o verão, outono, primavera ou inverno. Ou seja, a neve ou as flores irão variar de acordo com a estação, que também influenciam no gameplay do jogo, como a entrega de recursos por batedores, ou a severidade de busca por parte de inimigos, caso você esteja com o status de procurado/a.

Crie sua própria liga, faça a sua parte pelo Japão

Uma das motivações principais dos personagens está em trazer paz ao Japão. E isso pode ser feito através de várias formas. Além do círculo principal de missões, onde temos que limpar a famosa “listinha de alvos”, também temos cidadãos comuns, que irão pedir as mais variadas missões. E também temos personagens que irão comprar a ideia de nossa missão e, mediante algumas missões, entram para a nossa liga.

E, para mantê-los ativos, precisamos cuidar do nosso esconderijo. Diferente de Valhalla, onde devemos criar um assentamento completo para os vikings que ali viviam, em Shadows temos apenas que nos preocupar com a função prática de um esconderijo, construindo e evoluindo locais para ampliar as capacidades de evolução de armas, utilização de aliados ou busca por recursos.

Em Shadows, os aliados são importantes no gameplay, assim como a própria busca por evolução. A árvore de habilidades, por exemplo, precisa ser desbloqueada nível a nível. Ou seja, não adianta somar um monte de pontos, pois você estará limitado apenas ao nível em que está. Será preciso orar em santuários, saquear castelos, meditar e fazer outras atividades para obter pontos de conhecimento, que desbloquearão novos níveis, e aí sim, você poderá ampliar as capacidades de ambos os personagens.

E essa integração personagens-aliados-esconderijo é essencial para quem quer explorar ao máximo ao game, pois só assim você terá sempre as melhores armaduras, os melhores recursos e apoio dos aliados nos momentos mais difíceis.

As sombras revelam uma excelente aventura japonesa

Como sempre falo em todos os meus reviews, e aqui não sendo diferente: não estou aqui para dizer se um game vale a pena para você ou não. Quem decide isso é você, através do que relato aqui em relação ao game, e em relação às impressões que eu posso compartilhar com você. E o que eu digo aqui é que, de fato, eu adorei jogar Assassin’s Creed Shadows.

Os protagonistas são bons de se jogar e suas formas diferentes de controle tornam a aventura um tanto mais variada. Além de quê, reclamações a parte de alguns, eles encontram contexto sim no game, o que faz com que suas presenças não sejam “forçadas” e sim partes importantes da narrativa. Vai por mim, se a questão que você tiver com o game envolve sua narrativa, ela é muito boa e te encoraja a continuar jogando, para saber mais.

O gameplay, embora ainda com muitos elementos dos últimos jogos da franquia não é mais tão frenético como em Odyssey ou Valhalla. Parece que Mirage fez realmente bem para a Ubisoft, já que a abordagem mais “pé no chão” do game garante combates mais técnicos, com o jogador precisando saber atacar e defender na medida certa, já que nem no modo mais fácil do game é possível sair apertando os botões feito doido achando que vai vencer todo mundo assim.

O modo de gerenciamento também é bem feito, pelo menos pra mim, embora eu compreenda que isso possa ser algo mais tedioso para algumas pessoas, que querem ir logo para a ação, e não ficar “brincando de The Sims” construindo coisas pro seu esconderijo. Mas, de uma forma geral, Assassin’s Creed Shadows é um daqueles games, na minha opinião, que entrega mais pontos positivos do que negativos, e que realmente é divertido de se jogar.

O game está bem feito, lapidado e, se você quer saber, em mais de 30 horas de gameplay, não presenciei nenhum bug que atrapalhou a jornada. Até os pedestres, que a gente sempre “atropelava” com o cavalo, agora dão licença, e nada de esquisito apareceu durante meu tempo de jogatina.

Mas, se você esperava que este Assassin’s Creed seria um retorno para as raízes da série, com alma samurai, isso pode te desanimar. Já que a estrutura do game ainda é baseada em seus antecessores mais recentes. Mas nem por isso, é tão grande ou frenético ou acelerado como estes games. O mapa é grande, mas não tanto, tem muito conteúdo, mas sem aquele monte de coisa no mapa sem sentido, e posso dizer que é uma versão mais equilibrada do passado recente da série.

Entretanto… ao jogar o game, do jeito que está, me passa uma questão na cabeça: porque não aproveitar este know-how inteiro e, enfim, refazer o primeiro Assassin’s Creed, dona Ubisoft? Não sou um incentivador de remakes a torto e direito, mas sei que alguns games precisam desta revisita, e a primeira entrada da série está entre eles, até porque o nosso Altair merece um cavalo decente para as suas aventuras, e fazer seu parkour de uma forma mais divertida.

De qualquer forma, Assassin’s Creed Shadows chega no dia 20, para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC. E junto do game, temos a estreia do Animus Hub, que traz um acesso direto via linha do tempo para os games da franquia, que é necessário você os possuir, ou será levado para a tela de compra deles. Além disso, o Hub também traz projetos especiais que entregam “chaves” para recompensas especiais, e permite o arquivo de arquivos, vídeos e peças chave da franquia, como se você mesmo fosse o usuário do famoso sistema da Abstergo.

Aproveite, também, para enfrentar anomalias do Animus e participar de eventos sazonais no game, que também entregam recompensas especiais. Não se trata de um game feito com a “excelência” que a “turma dos GOTY” espera (como praticamente todos os jogos da Ubisoft, que realmente não mostra ligar muito para estas coisas), mas com certeza podemos ver muito capricho por parte da Ubisoft, que tem ouvido um pouco do feedback da comunidade e lapidado, em seus dois últimos jogos, o jeito Assassin’s Creed de se jogar. Além disso, quem gosta da proposta dos jogos da produtora, terá aqui um vasto parque de diversões repleto de conteúdo.

Se você já quiser comprar o game para Xbox, você pode comprá-lo neste link, nos nossos parceiros, a Nuuvem. Também é possível adquirir o game no PS5. Na Nuuvem, você compra este e mais outros games em até seis vezes sem juros no cartão de crédito, e com preços especiais.

Aproveite e garanta o Nintendo Switch OLED com Frete Grátis na Amazon

Confira nossas notícias diretamente no Telegram

E conheça nosso servidor no Discord

Junior Candido

Conto a história dos videogames e da velocidade de ontem e de hoje por aqui! Siga-me em instagram.com/juniorcandido ou x.com/junior_candido

Mais Matérias de Junior