Análise Arkade: Atelier Yumia The Alchemist of Memories & The Envisioned Land – uma aventura cheia de mistérios em um continente devastado

4 de abril de 2025

Nos últimos anos os jogos estão aos poucos mudando mecânicas para alcançar novos jogadores. Recentemente tivemos vários jogos que fizeram esse papel, agora foi a vez da série Atelier com o novo jogo da série.

Atelier Yumia foi desenvolvido pela Gust e distribuído pela Koei Tecmo, ele é uma nova entrada para a série de mesmo nome trazendo uma nova protagonista em uma nova aventura. Lançado no dia 21 de março para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch e Steam, o jogo conta com a direção de Junzo Hosoi que ficou a cargo de outros jogos da série (Atelier Marie Remake, Atelier Ryza entre outros da série e Fatal Frame: Mask of the Lunar Eclipse).

Atelier Yumia The Alchemist of Memories & The Envisioned Land entrou nessa onda e mudou algumas mecânicas apostando para tentar cativar novos jogadores e agradar o público que não é muito fã de jogos de RPG de turno, tornando o combate mais dinâmico e viciante no estilo ação, lembrando um pouco o sistema de luta de Tales of Arise. Essa aposta foi justamente para captar mais jogadores do lado ocidental, já que muitos preferem jogos com mais ação.

A História e um reino devastado

Em Atelier Yumia conhecemos Yumia Liessfeldt e seu companheiro Flammi, um pequeno familiar feito com alquimia. Juntos eles estão participando de um grupo de reconhecimento que está explorando as ruínas de um grande império chamado Aladis que desapareceu após um misterioso cataclisma que deixou uma vasta destruição do reino, com a ajuda dos irmãos Isla e Viktor, dois exploradores que foram designados com a missão de acompanhá-la.

Seu papel é ajudar as pessoas a encontrar respostas para o fenômeno, já que boa parte do lugar está cheia de mana e pessoas normais não conseguem andar por esses locais sem sentir náuseas e enfraquecidas. Por ser uma alquimista, somente ela consegue ir nesses locais, mas ela também terá que lutar contra a discriminação por ser uma alquimista, já que alquimistas nesse jogo não são vistos com bons olhos, já que o grande cataclisma foi desencadeado por alquimia.

Já dá para sentir aquele preconceito só na fala…

A história do jogo é um pouco mais sombria que os jogos anteriores e nessa parte temos que procurar respostas para os acontecimentos do grande cataclisma e ao mesmo tempo mostrar para as pessoas que a alquimia não deveria ser tratada como tabu e também Yumia procura respostas sobre o passado dela e de sua mãe que também era alquimista como ela.

É um mapa com bastante coisas escondidas para serem achadas.

O mundo de Aladis é dividido por vários locais para exploração, aqui temos vários tipos de biomas como florestas, temos vilarejos dos nativos da ilha, ruínas do antigo império e locais chamados de “Manabounds” que são locais onde a mana está fora de controle e cabe a nós consertar isso.

Também adquirimos uma moto para ajudar no trajeto.

O mapa do jogo é bastante amplo e cheio de locais para se explorar e também puzzles não tão complexos para acessar baús e ativar locais inacessíveis com tesouros únicos e locais para ganhar upgrades permanentes da protagonista.

esses pequenos cristais estão espalhados por todo o mapa e os pontos que ganhamos utilizamos para melhorar permanentemente a personagem.

Novas mecânicas e jogabilidade

Em Atelier Yumia as principais mudanças estão sendo o combate e a criação de itens (alquimia). Diferente dos seus antecessores, aqui o combate já é voltado mais para um Action RPG onde torna as lutas mais dinâmicas e mais rápidas em alguns casos, mas também não fica somente no “esmaga botão” para ganhar, já que temos sempre que observar o que o inimigo irá reagir.

O jogo tem um sistema parecido com o Tales of Arise onde podemos colocar uma função (golpe) para cada botão do controle e cada uma delas poderá ser executada uma certa quantidade de vezes, assim tornando a luta mais elaborada.

Conforme avançamos no jogo, também contamos com armas elementais que são criadas através de alquimia e ajudam a explorar as fraquezas dos inimigos, isso tudo para complementar o combate com mais dinamismo. Já que, no início, essas ações são limitadas a um tipo de ação somente.

Aqui eu demonstro um pouco do combate do jogo!

Um novo sistema de Alquimia

Em Atelier Yumia você terá uma mecânica inovadora para a série que, diferente dos anteriores, aqui a protagonista faz um novo tipo de alquimia, pois ela usa o poder dela para manipular a mana e criar objetos ou itens usando esse princípio, já os anteriores era preciso ter uma espécie de caldeirão para fazer alquimia.

É preciso estar nesse altar para sintetizar novos itens.

A alquimia do jogo se consiste em utilizar os materiais que pegamos no mundo e usá-los para criar objetos como armas e itens usáveis para as batalhas, além de itens que ajudarão ao avanço da história e em missões secundárias.

Quando achamos uma nova receita de algum item precisamos primeiro liberar ele para depois sintetizá-lo.

Quando achamos uma nova receita de algum item precisamos primeiro liberá-lo para depois sintetizá-lo.
Quando vamos criar um item iremos mexer diretamente do núcleo do item e temos que escolher bem os materiais, pois os mesmos irão dar mais força ao item final, aumentando a mana e a ressonância do item. Então, quanto melhor a qualidade do material, melhor a qualidade do item que iremos criar.

Vale mencionar que o jogo dá ao jogador a opção de criação automatizada para criar esses itens, caso esteja com pressa para entregar esses itens de missão.

No jogo temos locais apropriados para esse tipo de mecânica chamados de altares, e também temos que nos atentar para a mana que a personagem possui, já que ela também utilizará dessa mana para a criação de itens e também ela será utilizada na exploração dos locais onde a mana está fora de controle, agindo como um escudo. Então, conforme andamos por esses locais, ela será utilizada.

Coleta de itens, criação de ferramentas de campo e construção

No jogo precisamos muito pegar materiais para se utilizar da principal mecânica dele que é a alquimia, então temos bastante recurso espalhados no mapa. Caso nos deparamos com algum material não coletado, o jogo nos avisa, pois na hora de coletar um item, caso ele não tenha sido pego anteriormente, um sinal de interrogação aparecerá indicando ao jogador que ainda não pegamos todos os tipos de itens daquele local e eu simplesmente adorei esse indicativo que o jogo dá.

Jogos de coleta de itens deveriam ter essa função.

O jogo traz também a criação de ferramentas de exploração que ajudarão muito no jogo como bandagens para curar os personagens fora de batalha, bombas de fumaça para fugir das lutas, luvas para usar as tirolesas que ficam espalhadas no mapa e munição para a arma da Yumia, pois com ela podemos pegar recursos que estão fora de alcance e também atordoar inimigos antes das lutas. Além de outros itens que vamos liberando conforme avançamos no jogo.

As tirolesas ajudam muito na translocação do mapa.

No jogo também podemos criar bases para servir de ponto de viagem (fast travel). Aqui temos uma variedade de objetos de criação de cenário, podemos criar paredes, telhados e até aparatos para preencher os locais que criamos e também temos criações já totalmente prontas para colocar nos locais.

Simplesmente só temos que ter todo o material que é pedido na hora da criação. Eu diria que essa segunda opção é uma para pessoas como eu que têm uma certa preguiça de criar tudo do zero, obrigado aos desenvolvedores por colocarem isso no jogo.

Audiovisual

Graficamente o jogo é parecido com o seu antecessor Atelier Ryza 3, mas com um tom mais sombrio por conta da história, deixando o cenário menos colorido como o antecessor. O jogo tem uma ampla visão do cenário e até possui opções no menu de configurações onde podemos escolher o que priorizar, como gráfico ou desempenho, assim deixando ele até mais bonito que o antecessor.

Vale comentar que o jogo, apesar de ter um gráfico simplório, ele entrega um gameplay rápido e sem engasgos na transição de batalha e tem um fast travel instantâneo quando o fazemos na mesma região do mapa (pelo menos na versão de PS4) e sobre a câmera que, dependendo de onde estamos, poderá dar umas engasgadas.

A parte do áudio ficou a cargo dos compositores Kazuki Yanagawa, que compôs várias músicas para outros Ateliers da série, além de Nights of Azure, e Akiyuki Tateyama, Kujira Yumemi, que são compositores de diversos animes como Meu Casamento Feliz (Netflix) e o Reino das Sete Magilâminas (Crunchyroll).

Conclusão

Atelier Yumia The Alchemist of Memories & The Envisioned Land é uma nova aposta da empresa a querer captar novos fãs para a série, juntando o gameplay mais de ação e com um novo sistema de alquimia, um mundo vasto cheio de mistério e locais únicos para se explorar e uma história um pouco mais elaborada e cheia de mistério para fisgar esse novo público.

Apesar de muitos fãs de carteirinha da série não terem gostado do novo sistema de alquimia, acabaram se entregando para o sistema de combate que é bastante viciante e a história que te prende bem no início, pois trata assuntos como preconceito, perdas e uma forma de superá-las.

O jogo foi lançado dia 21 de março para Steam, PlayStation 4 (versão analisada), PlayStation 5 e Xbox Series X/S. O jogo conta com dublagem em japonês e legendas em Inglês, Francês, Alemão, Espanhol, Japonês e Russo (mas nada de português, infelizmente).