Ir para o conteúdo

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o “lado B” da Capcom

Apostando na nostalgia e na preservação de clássicos como Capcom Vs. SNK, Capcom Fighting Collection 2 é uma coletânea robusta onde nem todos os jogos são bons.

Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom

A Capcom continua revirando o baú dos seus clássicos de luta! O lance é que, quase tudo o que havia de mais relevante nesse baú já foi revisitado… o que faz desta Capcom Fighting Collection 2 um pacote, no mínimo, curioso. Vem saber mais?

Uma seleção curiosa

Lançada em maio para PCs e consoles da geração passada, esta compilação celebra uma época muito específica — entre 1998 e 2004 — e reúne jogos 2DS e 3D.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 2)

Temos aqui alguns dos melhores crossovers que a Capcom já criou — fora da franquia Marvel Vs. Capcom — ao lado de jogos que são “clássicos cult” e até outros que, ouso dizer, são totalmente desconhecidos da maior parte do público.

Eis aqui os jogos disponíveis em Capcom Fighting Collection 2:

Publicidade
  • Capcom vs. SNK: Millennium Fight 2000 Pro
  • Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millennium 2001
  • Capcom Fighting Evolution
  • Street Fighter Alpha 3 Upper
  • Power Stone
  • Power Stone 2
  • Projekt Justice (sequência de Rival Schools)
  • Plasma Sword: Nightmare of Bilstein

Capcom Vs. SNK: os maiorais

Os dois crossovers com a SNK são os óbvios destaques da coletânea, por sua qualidade ímpar — e também por trazerem embates entre personagens das empresas que dominavam os fliperamas entre os anos 1990 e 2000.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 3)

CvS: Millennium Fight 2000 Pro é a evolução do primeiro capítulo de um embate muito sonhado pelos jogadores, uma vez que combinava lutadores de Street Fighter e The King of Fighters (e alguns poucos convidados de outras franquias).

A ideia de confrontos do tipo Ryu x Kyo, Ken x Terry ou Iori x Akuma era o “sonho molhado” dos frequentadores das casas de fliperama, e ver isso acontecendo de forma oficial (sem mods ou mugens) é simplesmente épico.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 4)

Mas isso era só o começo: foi em Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millennium 2001 que a brincadeira ficou séria. De fato, CvS2 é considerado até hoje um dos jogos de luta mais profundos já feitos, graças à combinação de sistemas como Ratio e Groove, que permitem personalização de equipes e estilos de luta.

Isso, somado a um elenco mais permissivo de personagens — que englobou também franquias como Rival Schools e Samurai Shodown –, bem como artes icônicas no estilo de cada empresa, colocou de vez CvS2 no hall dos grandes crossovers dos videogames. É sem dúvida, muito superior ao que vimos em SvC Chaos, o “lado SNK” da briga.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 5)

De fato, só a presença deste jogo — com melhorias de qualidade de vida, personagens secretos liberados e jogatina online com rollback e netcode — já é motivo mais do que suficiente para colocar este pack no radar dos fãs.

Publicidade

Outros jogos 2D

Mas não para por aí: entre os jogos 2D, temos ainda Street Fighter Alpha 3 Upper, que é meio que uma “versão final” do jogo, lançada exclusivamente em arcades japoneses, e que depois recebeu um port para Game Boy Advance. Adoro Street Fighter Alpha 3, mas já pude rejogá-lo em outras coletâneas da Capcom, de modo que esta versão não é particularmente relevante.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 6)

Por fim, temos Capcom Fighting Evolution, um projeto que é tão audacioso em sua proposta quanto criticado por ser desbalancado e inconsistente. O game de 2004 é um crossover de franquias da própria Capcom, que traz como diferencial o fato de que cada lutador carrega o sistema de combate de seu jogo original. O resumo é que esta ideia funciona melhor na teoria do que na prática.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 7)

Um título relevante para a proposta de uma coletânea como essa — que visa resgatar jogos emblemáticos, torná-los acessíveis a novas gerações e oferecer um panorama histórico da evolução da desenvolvedora e servir como uma ferramenta oficial de preservação histórica — mas com uma jogabilidade que deve ser revisitada com ressalvas.

Os jogos 3D

O restante dos títulos escolhidos para este pacote são, ouso dizer, representam um momento mais experimental, uma época em que a Capcom tentava ir além do que a consagrou nos jogos de luta. Ou seja, saem de cena Ryu, Ken e os charmosos sprites 2D, entram jogos poligonais 3D desajeitados que vão do party game ao duelo de espadas.

Siga o Arkade no Instagram @revistaarkade Seguir

Power Stone e Power Stone 2 parecem mais experimentos de uma era pré-Smash Bros da Nintendo do que um verdadeiro jogo de luta da Capcom. Os personagens são extravagantes e as lutas meio que são resolvidas “na marra” com a utilização das tais pedras do poder do título, que devem ser coletadas para que seu personagem possa, de fato, eliminar os oponentes.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 8)

Power Stone 2 evolui a fórmula e continua divertido, especialmente em partidas locais para 4 jogadores, mas ainda é um jogo bastante fora da curva no acervo da Capcom. Vale ressaltar que o que temos aqui é a versão arcade, que oferece menos conteúdo que a icônica edição de Dreamcast.

Project Justice é a sequência do clássico cult Rival Schools, que continua as tretas entre estudantes em confrontos 3×3. Acho curioso eles terem incluído este jogo aqui e não o próprio Rival Schools — que, se bem me lembro, não esteve na parte 1 da coletânea. Apesar disso, é um jogo competente, com ótimo character design e um modo história robusto para cada trio.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 9)

Plasma Sword, por sua vez, é um jogo com foco em armas brancas, que parece uma tentativa da Capcom de aproveitar o hype de outros jogos da época, como Soul Calibur e Battle Arena Toshinden. Não é lá um jogo muito bom, e, tal qual outros jogos 3D da época, não envelheceu com a mesma graça dos 2D.

Publicidade
Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 10)

Falando bem honestamente, se era para incluir jogos de luta 3D de qualidade questionável, eu preferia que a Capcom tivesse revisitado a saudosa série Street Ex Plus. Jogos poligonais horrorosos e que nem de longe são bons como os clássicos 2D da saga, mas que, acredito, tem mais apelo nostálgico para muita gente do que o desconhecido Plasma Sword.

Recursos e audiovisual

Tal qual outras coletâneas recentes da Capcom, aqui temos um trabalho primoroso para quem busca replicar fielmente a experiência dos arcades originais. É possível desbloquear versões japonesas e ocidentais dos games e aplicar filtros de CRT, zoom e upscaling.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 11)

Como em outras coletâneas recentes da Capcom, o modo treino é bastante robusto, permitindo alternar entre títulos, visualizar hitboxes e aprimorar combos em um nível competitivo — se não for o seu caso, as opções de acessibilidade facilitam as coisas. E por falar em competição, o já mencionado rollback netcode garante partidas online estáveis e fluidas, com modos ranqueados, lobbies e modo espectador.

Para completar de vez a viagem ao passado da Capcom, temos mais uma vez um museu digital recheado de materiais originais.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 12)

No total, são mais de 700 imagens e mais de 300 músicas disponíveis, (incluindo remixes contemporâneos), com direito a artes conceituais oficiais, layouts de adesivos de arcades, esboços, propagandas da época e muito mais.

Conclusão

Para fãs que cresceram torrando o dinheiro da mesada em fichas de fliperama, uma parte desta Capcom Fighting Collection 2 é um prato cheio — especialmente CvS2 e CvS Millennium 2000 Pro, títulos de qualidade ímpar que envelheceram bem e continuam excelentes.

Análise Arkade: Capcom Fighting Collection 2 traz alguns clássicos e o "lado B" da Capcom (imagem 13)

A outra parte, composta por jogos menos conhecidos e até um pouco inconsistentes, representa um lado B da Capcom que talvez nem todo mundo conheça. Se Power Stone 2 ainda consegue entregar um pouco de diversão casual, títulos menos lembrados como Plasma Sword — ou mesmo de qualidade duvidosa, como Capcom Fighting Evolution — estão aqui basicamente como curiosidade histórica.

No fim das contas, Capcom Fighting Collection 2 é mais do que apenas uma compilação de jogos antigos: é um documento de preservação que celebra a história da Capcom em uma de suas eras mais experimentais.

Capcom Fighting Collection 2 está disponível para PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch, rodando em consoles atuais via retrocompatibilidade.

Próxima matéria Locadora do Paraná completa 32 anos de portas abertas e conta parte da história do “Brasil gamer” que não aparece tanto, mas existe Especiais Locadora do Paraná completa 32 anos de portas abertas e conta parte da história do “Brasil gamer” que jogava por um real a hora A Cruel Games, locadora de Araucária, preserva fotos e memórias de 32 anos do Brasil gamer, das TVs de tubo às lan houses.
Plataformas
PC
Lançamento
15 de maio de 2025
Desenvolvedora
CAPCOM Co., Ltd.
Publicadora
CAPCOM Co., Ltd.
Gênero
Ação
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

Mais matérias de Rodrigo Pscheidt

Buscar no Arkade