Melhores do Ano Arkade 2025: Hell Clock

28 de dezembro de 2025

Desenvolvido pela empresa brasileira Rogue SnailHell Clock é um RPG de ação isométrico com elementos roguelite muito peculiar. Na obra, nós acompanhamos a jornada de Pajeú, um ex-escravizado e combatente da Guerra de Canudos que, após uma série de eventos sobrenaturais, precisa encontrar a alma de Antônio Conselheiro nos confins do inferno e libertá-la dos demônios que a aprisionaram.

Com quatro atos da história principal, verdadeiras hordas de inimigos para enfrentar, excelentes dublagem e trilha sonora e um visual de primeira qualidade, Hell Clock me surpreendeu muito positivamente em 2025. Com um nível de qualidade que é raro de ser ver atualmente no gênero dos roguelites, vivenciar a jornada de Pajeú através dos quintos dos infernos, do cangaço e de outros lugares me fez redescobrir meu gosto por um gênero tão saturado atualmente.

A genialidade do jogo já começa em sua história, já que ele não tenta reproduzir os eventos históricos em um ARPG. Na verdade, acompanhamos a alma de Pajeú após o massacre de Canudos, com ele tentando entender tudo o que aconteceu e, ao mesmo tempo, precisando encontrar a alma de Antônio Conselheiro. Com toda essa contextualização e referências históricas bem embasadas, o jogo consegue trazer identificação e autenticidade sem tentar ser educativo demais.

A história está ali para quem quiser entendê-la, podendo inclusive ser pesquisada fora do jogo para ser melhor compreendida. Mas não se torna em momento algum chata, monótona ou impede o jogador de se divertir com o game. Na verdade, ela serve exatamente para o oposto: gerando identificação e imersão a um ponto que você passa a querer continuar aniquilando demônios não para subir de nível, mas quase como uma catarse mesmo.

Em Hell Clock temos uma junção perfeita e muito bem temperada do que vemos na franquia Diablo e no muito querido Hades. Em sua jogabilidade padrão, precisamos correr contra o tempo para avançar cada vez mais fundo nas masmorras, mas quando o tempo acaba ou Pajeú morre em batalha, retornamos para a casa inicial, e devemos começar tudo de novo.

Sua estilização claramente inspirada em Hades consegue tranquilamente caminhar com as próprias pernas, já que usa também referenciais brasileiros de arte para trabalhar principalmente seus quadros de história. Servindo como o tempero mais saboroso por cima de um visual cheio de personalidade, temos também uma trilha sonora de qualidade ímpar, que une a melancolia presente na trilha de Diablo 2 com instrumentais característicos do sertão nordestino brasileiro.

Por tudo isso, Hell Clock foi um dos meus pontos altos de 2025 experimentando novos jogos e mantenho minha recomendação para que todos experimentem ao menos a demo do game que está disponível na Steam!

Relembre nossa análise completa de Hell Clock.

Gilson Peres

Gilson Peres é Psicólogo, Mestre em Comunicação e aqui no Arkade fala principalmente sobre Realidade Virtual, jogos de PC e novas tecnologias desde 2019.

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