Análise Arkade: Death Stranding 2 On the Beach é maior, melhor e 100% A Hideo Kojima Game

Death Stranding 2: On the Beach chegou chamando muito mais atenção do que se esperava, não só por melhorar tudo em relação ao primeiro game, mas por conseguir o feito de atrair até mesmo aqueles que acharam o game original estranho demais! Mas não se iluda, se Death Stranding 2 não fosse estranho, não seria um game de Hideo Kojima, e vamos falar tudo sobre o game agora mesmo!
Recapitulando

Se você está aqui, certamente jogou Death Stranding, não é? Para o propósito desse primeiro trecho da análise, vamos considerar que você jogou o game original. Se ainda te restam dúvidas sobre a história do game e o que realmente aconteceu em seu final, recomendo, antes de seguir adiante, o nosso Depois do Fim publicado lá em 2019. E agora, vamos continuar.
Death Stranding se passa em um futuro aparentemente próximo, em que o mundo dos mortos vazou para o mundo dos vivos, num evento que ficou chamado de Death Stranding, ou “Encalhamento da Morte”. Isso aconteceu com o surgimento das EPs, as Entidades da Praia, que nada mais são do que espíritos de mortos se manifestando no mundo dos vivos. Quando um desses espíritos entra em contato com um humano, uma EP gigante aparece, e se essa EP devorar um ser vivo, ocorre uma obliteração, uma enorme explosão que varre tudo ao redor do mapa, deixando apenas uma gigantesca cratera com alcatrão em seu fundo.

O Death Stranding ainda é acompanhado pela Timefall, um estranho evento temporal causado pela chuva. Qualquer coisa que seja atingida pela Chuva Temporal envelhece em questão de segundos. Sementes viram plantas, secam e morrem, metal enferruja e corrói, e seres vivos envelhecem e morrem em instantes.
Tudo isso está diretamente ligado a Sexta Extinção, que está prestes a atingir o mundo e colocar um fim em toda a vida. Sam, interpretado por Norman Reedus, junto da ajuda de Fragile (Léa Seydoux), Deadman (Guillermo Del Toro), Heartman (Nicolas Winding Refn), Die-Hardman (Tommie Earl Jenkins) e outros aliados, conseguem impedir a sexta extinção, que estava sendo acelerada por Higgs (Troy Baker), que teve contato com Amelie, a Entidade de Extinção que seria responsável por iniciar o fim, e ficou obcecado em ele mesmo colocar um fim em tudo.
Após isso, Sam passou a viver isolado do mundo com Lou, a pequena bebê que ele carregava consigo como um BB – Bridge Baby, conectando-o ao mundo dos mortos e ajudando-o a evitar as EPs. E é aqui que a história de Death Stranding 2: On the Beach começa, meses após o fim do primeiro game.
Sam partindo para conectar o mundo

Meses após o fim do primeiro game, Sam passou a viver com Lou, agora uma bebê com quase 1 ano de idade, na fronteira do México, ainda trabalhando como Portador, fazendo entregas para abrigos isolados. Um dia, Fragile aparece, oferecendo um trabalho importante para levar alguns itens a uma instalação no México. Enquanto Sam estava fora, Fragile e Lou são atacadas por estranhas pessoas vestidas de vermelho, e infelizmente Lou acaba sendo enviada para longe por Fragile, usando seus poderes de “pular” através da Praia (a fronteira do mundo dos mortos), e acaba sendo dada como morta.
Meses depois, Sam, agora com cabelos grisalhos por causa do trauma de perder sua filha adotiva e vivendo em completa miséria, é tirado do sofrimento novamente por Fragile com um novo trabalho: Conectar o mundo inteiro à Rede Quiral, a rede que Sam ajudou a conectar a UCA (Cidades Unidas da América – Que antes era conhecido com os Estados Unidos). Não só isso, Die Hardman, que virou presidente da UCA, renunciou ao posto e desapareceu, com o governo da UCA sendo considerado obsoleto e substituído por uma empresa privada com seu próprio presidente, cuja função é atender as necessidades da população, conforme identificado na Rede Quiral.

Assim, Sam parte em sua jornada (primeiramente pintando o cabelo para esconder o grisalho), começando pelo México, até descobrir o surgimento de um Portal Tunelar, um verdadeiro portal que leva ao outro lado do mundo, surgido ao se conectar mais abrigos à Rede Quiral. Com isso, Sam vai para a Austrália com o objetivo de conectar o país, e assim tentar ajudar todo o mundo a sobreviver ao Death Stranding, que ainda continua a afetar o planeta inteiro.
Mas, logo ao chegar na Austrália Sam descobre que Higgs está de volta, junto de um exército de “robôs-fantasmas” e distribuindo armas para grupos de ladrões espalhados pelo país. As motivações de Higgs, no entanto, são um mistério, exceto por um importante detalhe: Ele quer tornar a vida de Sam e Fragile em um inferno, por eles o terem derrotado no passado.
Uma história mais direta, mas sem deixar os mistérios de lado

Death Stranding 2: On the Beach é um game bem mais simples de entender do que seu antecessor. Isso, é claro, se você tiver um bom entendimento do primeiro game. Felizmente, é possível assistir uma retrospectiva dos eventos do primeiro game, além de termos a inclusão de um glossário incrivelmente completo no menu, explicando de forma bastante clara praticamente tudo de ambos os games, com informações passadas sendo constantemente atualizado com informações novas conforme você as descobre.
Dessa vez, Sam está a bordo da DHV Magalhães, um veículo que tem a forma da cabeça do Metal Gear REX do primeiro Metal Gear Solid, e que consegue navegar nas correntes de Alcatrão, que existem no subsolo. A bordo da DHV, Sam viaja pelo México e Austrália conectando novos abrigos à Rede Quiral, com a DHV servindo como sua base principal, em que ele interage com os vários personagens que encontra.

Cliff, enigmático personagem interpretado por Mads Mikkelsen no primeiro game, não está presente aqui, pois sua história foi concluída. Mas o game nos apresenta outra figura enigmática, Neil, um homem aparentemente preso no mundo dos mortos, revivendo momentos de intenso sofrimento envolvendo elementos, como fogo, água e terra, sempre fortemente armado e com uma bandana na testa, fazendo-o ficar a cara de Solid Snake, inclusive em suas táticas de batalha. Neil aparece em momentos chave, levando Sam para o mundo dos mortos para enfrentá-lo.
E, no mundo dos mortos, Sam conhece Tomorrow, interpretada por Elle Fanning, uma mulher que aparentemente nasceu no mundo dos mortos, mas está viva, e possui os poderes da Chuva Temporal, podendo envelhecer coisas com suas mãos, além de conseguir afundar no chão e nadar no alcatrão.

Além dela, temos Rainy, interpretada por Shioli Kutsuna, uma mulher que consegue invocar a chuva temporal livremente. Mas, dentro de um raio de cerca de 1,5m dela, a chuva restaura ao invés de destruir. E ainda temos Tarman (George Miller), piloto da DHV, que perdeu a mão num acidente com alcatrão, com sua mão ficando presa no mundo dos mortos, mas ainda existindo. Esse grupo todo é liderado por Charlie, uma pessoa misteriosa que esconde sua identidade, aparecendo como uma cabeça de manequim utilizando efeitos especiais para falar.

E não podemos esquecer de Dollman, um homem que teve sua alma presa dentro de um boneco. Dollman acompanha Sam em suas jornadas, pendurado em sua cintura, ajudando com conselhos, conversas e podendo ser jogado para frente e ser usado como uma câmera remota para ver adiante e marcar inimigos.
Todo esse grupo está viajando junto para conectar o mundo e impedir os planos de Higgs, seja quais eles forem, enquanto tentam desvendar mais mistérios do Death Stranding e tentar impedir a Sexta Extinção definitivamente.

Mas enquanto a história é bem estruturada e fácil de entender, os novos mistérios apresentados adicionam aquela boa e velha confusão que Kohima gosta de colocar me seus games. Por exemplo, nenhum bebê está mais nascendo no mundo e ninguém sabe o porquê. Ao atingir sete meses de gravidez, os bebês “congelam no tempo” dentro do ventre de suas mães, ainda estando vivos, mas completamente inertes, e não conseguem nascer. Além disso, mais e mais pessoas com DOOMS (poderes especiais concedidos pela conexão com a Praia, passaram a surgir. Isso sem contar no novo presidente e na APAS, que apesar de ajudarem Sam com tudo, escondem muitos mistérios.
Assim, ao jogar Death Stranding 2: On the Beach, você terá pleno entendimento da história principal se focar nas missões principais, e se fizer isso não levará muito tempo para terminar o game. Mas a quantidade de missões secundárias é enorme, oferecendo não só novos equipamentos desbloqueáveis, como muitas informações complementares para a história e o mundo do game.
O mesmo gameplay, mas agora com muito mais ação
Death Stranding 2: On the Beach mantém o mesmo gameplay de seu antecessor: Coloque suas cargas na mochila, organize-as para evitar perder o equilíbrio e siga em frente para realizar suas entregas. Todos os recursos do game original estão aqui assim como eram. Mas agora, o game já desde o começo possui bastante ação e mobilidade.
Andar é ainda parte importante do gameplay, mas se você não quiser, não precisa andar para todos os pontos de entrega. Bem cedo no game já é possível desbloquear veículos e ir de um local ao outro com velocidade e segurança. Mas, ao mesmo tempo que o game adiciona bastante mobilidade, também adiciona muito mais perigos. Seja com os Mulas, os Sobrivencialistas as EPs e os Robôs-Fantasmas.

Dessa vez há muito mais inimigos no mapa para atrapalhar sua jornada. Os Mulas são ladrões de carga que usam armas não letais, com foco em bastões elétricos. Os Sobrivencialistas, por outro lado, são renegados que não se importam em matar, mesmo que isso cause o surgimento de mais EPs e potenciais Obliterações. Esses inimigos usam armas de fogo letais e são bem perigosos. As EPs continuam sendo os fantasmas que aparecem na Chuva Temporal, mas agora há novos tipos delas, com EPs vermelhas, que resistem a ataques com armas sanguíneas, as EPs douradas – extremamente rápidas, mas que dropam muitos cristais ao serem derrotadas, e as EPs vigias, que são gigantes e conseguem ver, diferente das EPs comuns. Já os Robôs-Fantasmas são o maior perigo disparado. Sendo muito rápidos, resistentes e utilizando diversos tipos de armas de fogo e espadas, causando dano imenso em Sam.

E, uma coisa que gostei muito no game, é que o número de chefões é alto! Seja os chefões da história, como Neil, robôs e EPs gigantes, quanto as EPs gigantes encontradas livremente ao explorar o mapa. E uma coisa muito legal é que, após avançar cerca de metade da história, você libera um tipo de granada que captura EPs gigantes. E essas EPs capturadas podem ser chamadas por você para lutarem a seu lado, quase como uma versão mortal de Pokémon!
Por conta disso, agora o jogador precisa planejar muito bem quais equipamentos leva em viagem ao realizar entregas. O menu do game permite traçar rotas e já ter uma noção do que encontrar, se você vai para regiões montanhosas, com chuva temporal, com rios, ou próxima a inimigos. Com isso, é preciso sempre pensar bem em quais armas levar, se vai levar escadas e cordas de escalada e etc.
Ah, e ainda há mais! Dentro da DHV você pode participar de treinos em VR, bem ao estilo de Metal Gear Solid, realizando missões que ensinam combate mano a mano, uso de armas, stealth, equilíbrio e muito mais! No game original, as missões VR foram adicionadas na versão Director’s Cut, mas aqui elas fazem parte do game base!
Muito mais opções de construções e interações sociais

O principal recurso e característica narrativa e mecânica de Death Stranding é sem dúvidas seu multiplayer assíncrono e construção de estruturas. Apesar de você não poder jogar diretamente com outros jogadores, você pode ver influência deles em todo lugar que olhar. Você encontra pegadas de outros jogadores (Se se muitos jogadores usarem o mesmo caminho, uma estrada improvisada aparece!), placas, monumentos erguidos em locais em que eles descansaram, cogumelos em lugares que alguém urinou, e uma imensa variedade de estruturas construídas que aparecerão no seu mundo.
Torres de vigia, pontes, tirolesas, estradas reconstruídas, veículos abandonados, cargas perdidas, tudo isso povoa o mundo do game de forma incrível, e de forma ainda maior e melhor que o game original! Enquanto você vai jogando, vai desbloqueando novas estruturas que pode construir em seu mundo não só para ajudar você, para ajudar os outros. Cooperação é a chave aqui, tanto sua com os outros quanto dos outros com você!

Ao pegar um caminho pela primeira vez, em uma área fora da rede quiral, você pode ter dificuldades em atravessar um cânion, um rio turbulento, ou escalar rochas íngremes. E muito provavelmente esse caminho precise ser atravessado múltiplas vezes. E ao conectar essa área na rede, você pode encontrar uma ponte, escada, ou outra estrutura deixada por outro jogador que passou por ali antes! Você mesmo pode construir algo em um local que aparentemente não tem nada e sua construção vai ajudar outras pessoas!
Tudo fica ainda melhor com os novos tipos de estruturas disponíveis, por exemplo a rampa de salto, que permite que Sam literalmente voe pelo ar e caia sem sofrer dano algum. Ou o transponder, que não é bem uma construção útil, mas habilita Fast travel onde instalado (mas você não pode levar cargas usando um).

Há ainda as estradas, agora muito mais longas e mais custosas de se construir, demandando cooperação dos jogadores, em conjunto, para extender suas vias. E, uma adição muito boa são os monotrilhos, que conectam minas com centros de distribuição. Você pode usar os trilhos para transportar imensas quantidades de carga, que seriam impossíveis de levar nas costas ou mesmo com veículos. Os monotrilhos ainda servem de transporte entre estações. Infelizmente eles não conectam todos os locais do game, estando restritos a certas áreas, mas são excelentes para se coletar recursos importantes.
E assim como no primeiro game, tudo o que você faz é recompensado em curtidas, que elevam seu nível de portador e desbloqueiam upgrades passivos extremamente úteis. Por isso, sempre que alguma estrutura de outro jogador o ajudar, não deixe de mandar umas curtidas. Elas não são somente um número no perfil do jogador, as curtidas realmente ajudam muito!
Audiovisual

O salto de qualidade visual de Death Stranding 2: On the Beach é surreal! O primeiro game era muito bonito em sua época, mas ao compará-lo com sua sequência é possível ver o tamanho da evolução! Todos os personagens estão fotorrealisticamente fiéis ao atores reais que os interpretam, até mesmo na forma como a pele se estica e contrai quando eles falam ou se movem!
Os cenários são incrivelmente detalhados. Só a área inicial do game, em que encontramos Sam e Lou numa região montanhosa na fronteira do México, é absurdamente bem detalhada. Tudo fica ainda mais impressionante com os efeitos do clima. A chuva realmente molha objetos e cenários, e há ainda eventos climáticos que podem ocorrer de vez em quando, com rios alagando ou secando, nevascas muito intensas e até terremotos causando deslocamento de pedras!

E não apenas isso, se você for descuidado e deixar Sam ser devorado por uma EP gigante (exceto nas batalhas contra chefões), uma obliteração destruirá permanentemente uma área grande do mapa, impossibilitando que ela seja atravessada.
A interpretação dos personagens não precisa nem mesmo de comentários, pois seus próprios atores realizaram motion capture para todas as cenas do game. Mas, vale muito o destaque para a localização do game, 100% em português brasileiro! Todos os diálogos, todos os textos, tudo está localizado em nosso idioma, e o trabalho de dublagem conta com gente grande! Só para dar dois exemplos, temos Carlos Campanille e Luiz Antônio Lobue, as vozes de Freeza e Piccolo, respectivamente, aqui no Brasil!

Por fim, temos a trilha sonora do game, que é magnífica. Contando novamente com músicas da banda CHVRCHES, do grande Woodkid, além de contar com músicas de diversos outros artistas, incluindo Low Roar. E, você pode ouvir as músicas do game a qualquer momento! Basta abrir o menu durante o game e criar uma playlist para ir ouvindo enquanto joga! Conforme você avança, vai desbloqueando novas músicas tanto desbloqueadas em cutscenes, quanto obtidas como recompensa por realizar entregas.
Conclusão

Death Stranding 2: On the Beach melhora tudo em relação ao primeiro game. O visual, a trilha sonora, a interpretação de seus personagens e etc. E apresenta uma história menos complicada de se entender, apesar de que é preciso ter entendido bem a história do primeiro game para não ficar confuso aqui. Mas, graças ao glossário no menu, sempre que você ficar em dúvida com algo, é fácil encontrar a informação que você precisa.
O game oferece tanta coisa para o jogador usar que as vezes fica até difícil encontrar uso para tudo, ainda mais quando outros jogadores podem ter tido a mesma ideia que você e construído exatamente a estrutura que você precisa em algum local específico.

O primeiro Death Stranding foi um game de recepção mista por conta de seu foco maior em andar a pé para realizar as entregas. Death Stranding 2: On the Beach ainda é sobre isso, mas já desde o começo te dá muitas ferramentas para facilitar sua vida e sua jornada do ponto A ao ponto B. E, a adição de muito mais ação na fórmula deixa tudo bastante desafiador e divertido! Tudo depende do jogador planejar bem suas rotas, itens e veículos que vai ou não utilizar e seguir adiante!
Eu sou suspeito quando se trata de games criados por Kojima, mas ver que Death Stranding 2: On the Beach atraiu até mesmo quem não foi muito fã do primeiro game é algo que evidencia muito bem as qualidades do game! Se você jogou o primeiro e gostou, então só vai sem medo, pois essa sequência é excelente!
Death Stranding 2: On the Beach está disponível para Playstation 5.
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