Análise Arkade — Dune: Awakening é um sensacional sandbox com uma Arrakis mortal

Nas primeiras vezes que vi que Dune: Awakening estava em produção, sinceramente não dei muita bola. Com a enxurrada de jogos genéricos de sobrevivência e sandbox que temos no mercado hoje, poucos games realmente demonstram uma criatividade ímpar como foi Palworld, por exemplo.
Mas quanto mais eu via coisas sobre esse projeto, mais me interessava por ele. Além do fato de utilizarem uma das franquias mais clássicas da ficção científica que fora “revivida” recentemente com os brilhantes filmes de Denis Villeneuve.
Agora, depois de ter jogado Dune: Awakening por bastante tempo, consigo dizer que o novo game da Funcom demonstra muito bem como eles aprenderam bastante durante os anos que trabalharam em Conan Exiles.
Além de ser um projeto claramente de maior escopo, Dune: Awakening também traz um cuidado muito maior desde seu acesso antecipado, tanto na ambientação incrível do rico universo dos livros de Frank Herbert, como também com mecânicas de jogo que fazem dele um excelente game de sobrevivência e sandbox.
Pegue sua moto de areia e seu traje destilador e vem comigo entender os motivos para tantos elogios nessa reviewcompleta.

O mesmo universo um pouco diferente
Você pode até jogar Dune: Awakening sem se importar com a sua história e contextualização do universo dos livros e filmes, mas sinceramente seria desperdiçar uma das melhores partes do game. Para um jogo de sobrevivência em mundo aberto com mecânicas sandbox, esse daqui possui um foco bem interessante na contextualização de todo esse universo complexo que é a franquia Duna.
E já de antemão vemos o cuidado extremo que a equipe teve em manter esse game coerente com a franquia, mesmo com liberdades poéticas.
Na premissa do game, ninguém menos que Paul Atreides, o protagonista das duas primeiras partes da história original, surge em uma visão para explicar que nós jogadores fazemos parte de um futuro paralelo àquele que acontece nos livros.
No universo de Dune: Awakening, a mãe do Lisan al-Gaib deu à luz uma menina ao invés de Paul, o que já é suficiente para mudar completamente a sequência de eventos que conhecemos da obra original.

No jogo, o planeta desértico Arrakis foi dividido entre as casas Atreides e Harkonnen, com ambas disputando o domínio local de igual para igual e sob a autorização do Imperium. Nesse contexto conflituoso, nosso personagem é escolhido por uma das bruxas Bene Gesserit para ir ao planeta encontrar os vestígios do povo Fremen, que fora dizimado pelas duas casas que ocupam Arrakis.
Porém, após um ataque arquitetado contra nossa nave, precisamos sobreviver com a ajuda de figuras dúbias e construir nosso próprio caminho na região conhecida como a Bacia de Hagga.
A história principal em si é interessante, mas o que chama mesmo a atenção são as histórias que fazem a contextualização daquele universo no dia a dia de uma Arrakis diferente, mas ainda assim familiar a tudo que vemos nos livros e filmes.
Inclusive existem até personagens da obra original que dão as caras por aqui eventualmente, já que a história seguiu outro rumo e determinados personagens são plausíveis de surgirem no enredo.

Definitivamente um bom jogo sobre Duna
Toda essa contextualização deixa bem claro o respeito que o pessoal da Funcom teve com o material original ao desenvolver Dune: Awakening. Pegando bastante da identidade estética presente nos filmes de Denis Villeneuve, temos toda a arquitetura, visual de veículos, de vestimentas e armas bem únicos e característicos da franquia.
Fora os equipamentos específicos que vêm diretamente dos livros, como o litrifão de armazenamento de água, o dispositivo de sugar o sangue dos corpos caídos de inimigos para extrair sua água e a roupa que armazena fluidos.
Além de tudo isso estar presente no game, também fazem parte de mecânicas de jogo que ditam a aventura de várias maneiras. A água, por exemplo, é o recurso mais necessário e cobiçado para se viver em Arrakis e isso está muito presente na jogabilidade, com esse sendo um dos únicos atributos de sobrevivência presentes em nosso personagem (não possuímos fome, por exemplo).
Além da desidratação, a própria iluminação diurna do planeta pode te matar, gerando insolação caso você fique muito tempo sob a luz solar.

Aqui outro detalhe incrível: basta estarmos sob a sombra de qualquer objeto que conseguimos nos proteger do sol de Arrakis. Isso me surpreendeu principalmente pelo fato de termos um ciclo de dia e noite com iluminação dinâmica, que faz as sombras “andarem” no decorrer do dia tal qual ocorre na vida real. E mesmo assim essas sombras continuam representando um “abrigo” contra o sol escaldante do planeta desértico.
Todos esses detalhes tornam a experiência de jogar Dune: Awakening bem diferenciada se comparada a qualquer outro survival sandbox que vemos por aí, dando uma personalidade própria para o jogo muito bem-vinda.
Mesmo se compararmos o novo título com Conan Exiles, o outro jogo de sobrevivência da Funcom, as diferenças são gritantes, embora tenhamos sim alguns pontos de mecânicas em comum, como a liberdade de escalar quase qualquer objeto e algumas escolhas estéticas específicas.

Arrakis mais mortal que nunca
Mas independente dos detalhes, o protagonista do jogo sem dúvidas é o próprio planeta Arrakis. A ambientação desértica feita na Bacia de Hagga é estupenda. Arrisco dizer que é um dos ambientes de deserto mais ricos em detalhes e cheio de variedade que já vi em um jogo. Existem microregiões com características específicas e aparências variadas.
Você verá no decorrer das dezenas de horas de jogo picos de cânions, desfiladeiros nos quais a luz não chega, verdadeiros mares de areia com os famigerados vermes gigantes, regiões com grandes rochas, areias movediças, regiões cheias de radiação e muito mais.
A quantidade de variações de biomas presentes aqui, ao mesmo tempo que todos mantêm a estética desértica e sempre fogem do óbvio de “oásis e dunas”, é incrível.

Como o jogo é em sua maior parte focado em mecânicas PVE, mesmo se tratando de um MMO, temos justamente nas interações com o planeta, seus biomas e ameaças a espinha dorsal do que é a jogatina aqui.
Então prepare-se para coletar recursos em minas profundas abandonadas, escapar do verme gigante sempre que faz grandes viagens (já que eles são o verdadeiro nêmesis do jogo, ameaçando a vida dos jogadores constantemente), precisar correr atrás de água, mapear os diversos biomas existentes com sensores e muito mais.
Mas não se engane: o efeito “esponja de balas” simplesmente não existe aqui. Mesmo que você tenha dezenas e mais dezenas de horas de jogo, um erro básico pode causar a sua morte. Inimigos continuam mortais mesmo depois de muito tempo de jogo, assim como os próprios efeitos do planeta.
Mesmo que tenhamos mais defesas e métodos de sobrevivência com o tempo, não é como se o planeta amaciasse as coisas pra gente no decorrer do processo.

Um MMO para vários gostos
Outro ponto que me chamou bastante atenção durante minha experiência jogando Dune: Awakening foi a forma que equilibraram desafios e fatores mais “for fun” enquanto também estabeleceram bem os limites entre PVP e PVE.
Como comentei agora há pouco, os desafios de Arrakis são muito bem traduzidos em mecânicas de jogo, tornando a experiência de jogo aqui bem desafiadora em certos pontos.
Ao mesmo tempo, temos algumas facilidades de jogo muito bem-vindas se compararmos a experiência onlinede Dune: Awakening com outros games sandbox recentes como o já citado Palworld, Ark ou o próprio Conan Exiles.
Em Dune temos limitações bem justas para a construção de bases, com o jogador tendo uma área em 3D pré-estabelecida para sua construção. É permitido ter uma dessas áreas por região do jogo, mas para cada uma você precisará pagar um imposto para uma das duas facções do game (Atreides ou Harkonnen).

Mas o principal disso é evitar que jogadores abusem da regra de proximidade de construções (que impede um jogador de construir algo muito próximo da construção de outro jogador). Além disso, as regiões nas quais bases são construídas são obrigatoriamente PVE, impedindo que jogadores mal-intencionados destruam bases de terceiros enquanto estes estiverem deslogados, por exemplo.
Então nada de ir dormir ou ter sua vida fora do jogo e, ao retornar, descobrir que perdeu tudo que levou horas para construir.
Mas ao mesmo tempo, se você é amante do PVP e curte conflitos contra outros jogadores, em Dune: Awakening temos regiões específicas dos mapas que jogadores precisarão se enfrentar em troca de recursos específicos que ajudam na confecção de armas mais poderosas.
Além de um dos maiores conteúdos endgamedo jogo ser justamente uma região PVP enorme chamada de Deserto Profundo, com jogadores disputando a famigerada especiaria de Arrakis em combates armados em grande escala.

Evolução de personagem e combates
Em Dune: Awakening não temos somente a máxima de “você é o que você veste”. Embora os equipamentos e armas sejam muito importantes para os status do seu personagem, temos também um sistema de classes que dá acesso a árvores de habilidades passivas e ativas bem variadas e, como tudo no jogo, muito bem contextualizadas na ambientação da franquia Duna.
Entre as classes do jogo, temos as famigeradas Bene Gesserit, focadas em magias usando melange; Mestre-Espadachim, para combates corpo a corpo; Planetologista, para sobrevivência; Soldado, para combates a distância; e os Mentat, focados em tecnologia.
Mas não se prenda a uma única árvore de classes, já que, mesmo escolhendo uma ao criar seu personagem, existem missões e interações no decorrer do jogo que te ajudam a liberar as demais árvores de habilidade com mestres específicos.

Interessante também comentar também que muitas das habilidades ativas provenientes dessas classes não envolvem simplesmente skills de ataque. Temos habilidades de movimentação úteis tanto durante o combate quanto fora dele, facilitando a movimentação por Arrakis de alguma maneira.
Já os combates, que podem ser bem travados dependendo de como o jogador os entende, são também bastante influenciados por essas habilidades.
Os combates em Dune: Awakening são bem cadenciados e estratégicos, com boa parte das mecânicas levando em consideração os famosos escudos Holtzman, um campo de proteção baseado em vibração que protege contra objetos de alta velocidade, como balas e projéteis., mas é mais vulnerável a objetos de baixa velocidade, como armas brancas e pulsos de ar.
Com isso, o jogador precisa constantemente alternar entre ataque corpo a corpo e a distância, além de usar tecnologias e habilidades específicas de forma estratégica para contornar as defesas de cada inimigo.

Experiência mais que completa
Dune: Awakening me surpreendeu bastante em seu saldo final. Com praticamente nenhum problema técnico que estrague a experiência de jogo, sistemas online muito justos e equilibrados, nível de progressão e também de liberdade muito vistosos, estética e mecânicas de jogo muito bem adaptadas para o universo de Duna, e um nível de dificuldade que nunca deixa o jogador verdadeiramente acomodado, este é sem dúvida um dos melhores sandbox de sobrevivência do mercado atual.
E isso se expressa em seus números de lançamento também, alcançando 175 mil jogadores simultâneos na Steam em seu primeiro final de semana, mais que o triplo do ápice de jogadores em Conan Exiles em 8 anos.
Além disso, já temos um calendário oficial de futuras atualizações de conteúdo para o jogo até o final de 2026, com a promessa de pelo menos 10 anos de conteúdo para o jogo pela Funcom. De fato, uma pedida quase obrigatória para qualquer jogador fã de jogos de sobrevivência e sandbox e para aqueles apaixonados pela franquia Dune.
Dune: Awakening foi lançado em 10 de junho de 2025 e está disponível inicialmente para PCs (via Steam), mas possui previsão de ser lançado futuramente para PlayStation 5 e Xbox Series X|S. O game possui textos completamente traduzidos para português brasileiro.