Análise Arkade: Elden Ring Nightreign foge do “padrão”, mas entrega muito desafio em um co-op intenso

11 de julho de 2025

Elden Ring Nightreign já havia deixado uma boa primeira impressão quando jogamos o seu beta lá no início do ano. Com o game enfim lançado, e passado algum tempo dessa data, pudemos jogar bastante e agora enfim traremos nossa análise completa do game!

Antes de prosseguir, dê uma conferida em nosso preview, que aborda bastante sobre o gameplay e as funcionalidades do game. Para que esta análise não seja tão repetitiva, vou focar nos elementos adicionados com o lançamento, como novos personagens, chefões e eventos que acontecem no game. Além, principalmente, da experiência em si. Então, vamos lá!

Caçando o Lorde da Noite

A história de Elden Ring: Nightreign, ainda que seja um spin-off, tem seu pontapé inicial nos eventos canônicos de Elden Ring. A Ruptura, a guerra entre os Semideuses, que lutavam para obter o poder e controle das Terras Intermédias após o Elden Ring (Ou Anel Prístino na tradução brasileira) ser destruído, teve um efeito inesperado, dando vida a uma abominação, a própria Noite em si.

A Noite tornou-se uma entidade vida, cobrindo tudo com uma chuva corrosiva que apagava as próprias memórias da terra. A Noite se manifesta através dos Lordes da Noite, terríveis criaturas que comandam seu avanço, encontradas somente após sobreviver a um ciclo de três dias. Um grupo de guerreiros decidiu lutar contra o avanço da Noite, ficando conhecidos como os Notívagos, guerreiros das mais variadas origens que lutam não só para destruir a noite e torná-la novamente apenas parte do ciclo diário, mas para recuperarem suas próprias memórias, perdidas a cada derrota sofrida em sua luta.

Um objetivo principal e quests individuais de personagens

Elden Ring: Nightreign é uma curiosa mistura de elementos de Battle Royale com PvE. Exploramos o mapa de Limveld, uma área severamente afetada pela Noite. Jogando em grupos de até três jogadores, o objetivo é simples: Explore o mapa, que vai ficando cada vez menor conforme a Noite avança, que é onde entra o elemento de Battle Royale, com um círculo diminuindo a área segura do mapa. Estar fora desse círculo significa que seu personagem sofrerá dano constante. Ao final de cada dia, enfrentamos um poderoso chefão e ao derrotá-lo, o próximo dia se inicia e o mapa é aberto novamente.

No terceiro dia, os jogadores são transportados para um outro local, sem inimigos, em que podem se preparar para enfrentar o Lorde da Noite. Cada um dos Lordes da Noite são enormes chefões incrivelmente poderosos e desafiadores, exigindo não só poder de ataque, mas estratégia dos jogadores para vencer. Assim, o objetivo é derrotar todos os lordes da noite e colocar um fim no terror da Noite.

Mas, não apenas isso. Cada personagem tem uma história própria, contada através de um códice encontrado na base principal, que é uma versão alternativa da fortaleza da mesa redonda de Elden Ring. Quanto mais jogamos com um personagem, mais e mais detalhes de suas histórias vamos liberando. Incluindo habilitar um modo em que exploramos suas memórias. Nesse modo, ao explorar a base principal, um filtro de névoa cobre os cantos da tela. E ao iniciarmos uma busca por partidas, um objetivo novo aparece, normalmente envolvendo derrotar algum Lorde da Noite específico. Ao cumprir esse objetivo, mais detalhes sobre o personagem são desbloqueados.

Assim, o game incentiva o uso de todos os diferentes personagens, com muito conteúdo para ser desbloqueado. Além é claro de personagens extras, como a Revenant (Traduzida como Espectro no game), personagem que dominou os corações dos jogadores, sendo uma boneca baixinha capaz de invocar fantasmas para lutar por ela. Para desbloqueá-la, é necessário vencer dois Lordes da Noite e derrotá-la em batalha. Com isso, mais personagens devem ser adicionados futuramente, mantendo o game atualizado.

Modificadores e chefões novos

Uma adição que o game final recebeu são as modificações do mapa, que acontecem quando você termina uma Run. Essas modificações alteram drasticamente o mapa, adicionando áreas novas com desafios bem intensos para os jogadores enfrentarem, se assim quiserem. Em minhas jogadas, encontrei mais predominantemente a abertura de uma gigantesca cratera cheia de lava e estruturas subterrâneas cheias de inimigos poderosos e chefões opcionais incrivelmente fortes.

Vencer esses chefões, no entanto, oferece as melhores armas possíveis do game, o que ajuda e muito na batalha contra o Lorde da Noite. Em resumo, as runs de Elden Ring: Nightreign são verdadeiras balanças de risco e recompensa. Enfrentar riscos severos sempre premia com recursos imensamente valiosos. Mas, obviamente, é preciso que os jogadores estejam preparados se forem enfrentar esse perigo. Assim, uma equipe sincronizada e que se ajuda é essencial. Todo o trabalho em equipe é crucial, pois se apenas um jogador decidir não ser cooperativo, as coisas podem, e normalmente vão, ficar muito terríveis.

Além disso, recentemente o game passou a receber versões alternativas dos Lordes da Noite, muito mais poderosos e difíceis de se enfrentar. Essas batalhas são eventos com tempo determinado, sendo substituídos por outros chefões após algum tempo. Enfrentar os Lordes da Noite normais já é um desafio imenso, enfrentar suas versões ainda mais poderosas, é sofrimento puro, que é exatamente o que um fã de Elden Ring procura ao jogar.

Nível de dificuldade e sincronia entre jogadores

Elden Ring: Nightreign é um game com ritmo bastante acelerado. Os personagens podem correr em alta velocidade pelos cenários e escalar sem dificuldade, além de não sofrerem dano por queda, o que deixa a exploração algo simples, sem empecilhos. As batalhas seguem no estilo padrão, com ações para os equipamentos das mãos esquerda e direita.

Cada personagem tem suas próprias habilidades ativas e passivas. O Selvagem possui um grapling hook capaz de trazer inimigos para perto e um canhão preso no braço que causa uma explosão de curto alcance imensa. A Reclusa absorve magia dos inimigos, recuperando MP e criando um ataque após coletar 3 essências mágicas, e seu supremo faz com que jogadores recuperem vida ao atacar inimigos marcados. E por aí vai.

Um personagem surpreendentemente muito legal de jogar é o Olho de Ferro, um arqueiro muito ágil e capaz de atacar com velocidade á distância. Outro bastante interessante é o Executor, cujo gameplay puxa muito de Sekiro, focado em Parries no tempo exato para absorver ataques e retornar ataques poderosos, além de poder se transformar numa imensa criatura muito poderosa.

Explorar o mapa e enfrentar inimigos básicos é bastante simples, e os chefões opcionais normalmente não são tão difíceis, o que ajuda muito a subir de nível rapidamente para os verdadeiros chefões, que aparecem ao final de cada dia. Esses são muito difíceis e rápidos, necessitando muita atenção dos jogadores para serem vencidos. Muitos chefões, inclusive, aparecem em grupo de dois ou três, o que deixa tudo muito caótico.

E os Lordes da Noite são criaturas incrivelmente poderosas com muito HP, levando tempo para serem derrotadas. E não só isso, elas nunca ficam paradas no mesmo lugar, movendo-se constantemente e deixando a vida dos jogadores mais e mais complicada.

Morrer é algo bastante punitivo aqui. Quando um jogador é derrotado, ele cai no chão, podendo ser revivido por seus companheiro na base da porrada. A cada queda, o medidor para ressuscitá-los aumenta mais e mais, demandando muito mais golpes para trazê-los de volta. Durante a exploração, se um jogador morre e o tempo de ressureição acaba, ele volta ao jogo, perdendo 1 nível de seu personagem, que felizmente é recuperado ao interagir com as runas em seu local de morte. Durante os chefões, não há tempo de espera para ressuscitar. Os jogadores ficam caídos até serem ajudados. Mas, se todos os três jogadores forem derrotados, é fim de jogo.

Aí entra a sincronia entre os jogadores, é extremamente necessário que eles se ajudem para o sucesso das runs. Basta um jogador não ajudar que tudo pode desandar rapidamente. É possível jogar o game em modo solo, mas nesse caso você tem somente 1 vida. Se for derrotado, já era. Explorando o mapa você tem 3 chances, mas nos chefões, é 1 chance apenas.

Em minhas partidas encontrei grupos muito bons que levaram as runs a sucessos magníficos, e grupos em que cada um corria pra um lado e ninguém conquistava nada, com as runs terminando de forma prematura e vergonhosa. Elden Ring: Nightreign é um game cooperativo que demanda cooperação (obviamente), do contrário, nada será conquistado.

O nível de dificuldade do game é, então bastante alternado, indo de sequências de batalhas fáceis a momentos de terror puro e mortes instantâneas. Por isso, os jogadores precisam traçar rotdas pelo mapa e explorar o máximo de locais possíveis, derrotando chefões opcionais para ganhar níveis, armas melhores e buffs permamentes.

Audiovisual

Elden Ring: Nightreign é, assim como o game original, belíssimo. O mapa é uma versão alternativa de Limgrave, a área inicial de Elden Ring, sendo bastante familiar, inclusive reutilizando trechos inteiros do mapa original. Os inimigos que encontramos são exatamente os mesmos de Elden Ring, sem segredo aqui.

Porém, os chefões, com exceção dos Lordes da Noite, são importados que quase todos os Souls-Like da Fromsoftware! De Dark Souls a Elden Ring, infelizmente não contando com inimigos de Demon’s Souls, Sekiro ou Bloodborne. Você pode chegar no final de um dia e enfrentar a Duke’s Dear Freja de Dark Souls II, um Dragão Ancião, ou até mesmo o Rei Sem nome de Dark Souls III!

Os personagens que podemos controlar são todos incrivelmente estilosos. Especialmente a Duquesa, a Espectro, a Reclusa e o Executor. Cada personagem possui skins diferentes, incluindo skins de outros games da Fromsoftware, como Skin de Artorias, de Solaire e etc, desbloqueadas conforme se avança e os jogadores derrotam mais e mais Lordes da Noite.

A trilha sonora para o game é nova, e incrivelmente bela e potente, nunca decepcionando. As batalhas contra os Lordes da Noite são um show a parte, com o céu explodindo de multitudes de cores e com temas incrivelmente envolventes.

Conclusão

Essa análise, no fim, acabou ficando mais curta do que o normal, isso porque, como já mencionado lá no início do texto, cobrimos muitas das características do game em nosso preview. Assim, o foco aqui ficou em comentar mais sobre os novos recursos adicionados e e no resultado geral de Elden Ring: Nightreign.

Quando o game foi anunciado, não foi exatamente o que os jogadores esperavam. Não se tratava de uma nova DLC ou sequência anunciada, sendo um game com foco em multiplayer cooperativo, anunciado de surpresa. Muito provavelmente, e digo isso por experiência pessoal, talvez a sensação inicial tenha sido a mesma de quando a Capcom lançou sua várias tentativas de games multiplayer de Resident Evil, todas falhando de forma poderosa (Não contando aqui a série Outbreak, que apesar de ser multiplayer, pode ser jogado inteiramente em modo single player).

Felizmente esse não foi o caso. Elden Ring: Nightreign é um game bastante divertido! Esse game é, de certa forma, um jeito de atender aos pedidos dos jogadores para um Multiplayer completo para Elden Ring, que assim como os outros Soulsborne da Fromsoftware, possuem multiplayer situacional, que termina assim que um chefão é derrotado. Talvez essa não seja exatamente a resposta que os jogadores queriam, mas para quem está mais interessado no fator multiplayer, então esse game é um prato cheio.

Em minhas jogatinas as vezes é difícil encontrar partidas, comigo precisando cancelar a busca e tentar de novo algumas vezes. Em certos dias a busca é instantânea, em outras leva mais tempo. Eu não sou fã de games multiplayer, e no caso dos games da Fromsoftware, gosto de ir do começo ao fim sozinho, absorvendo toda a raiva e mortes pelo caminho. Mas Elden Ring: Nightreign, apesar de poder ser jogado sozinho, foi feito para juntar a galera e ir para a luta!

Elden Ring: Nightreign foi lançado no dia 30 de maio com versões para PC, Playstation 4 e 5 e Xbox One e Series X/S.

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Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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