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Análise Arkade – de volta para o passado com Just Dance: Decades of Hits

Analisamos Just Dance: Decades of Hits, sua seleção musical por décadas, as coreografias e as escolhas que moldam a nova edição.

Paulo Roberto Montanaro
Análise Arkade: de volta para o passado com Just Dance: Decades of Hits

Depois de uma série de edições anuais com coleções atualizadas dos principais hits do momento, a franquia Just Dance chega em 2026 com uma proposta reformulada e uma roupagem que pretende uma permanência maior ao não estabelecer uma data de validade, sobretudo se comparada à de seus antecessores.

Porém, a ideia da viagem no tempo, revisitando clássicos e pérolas quase esquecidas das últimas cinco décadas, ironicamente, parece se importar mais com o passado para compreender o que a marca precisa fazer para seguir relevante no futuro.

Análise Arkade: de volta para o passado com Just Dance: Decades of Hits (imagem 8)

Qual é a música?

Aproveitando a compartimentalização proposta pelo jogo, vou listar aqui a seleção musical desta edição por décadas. Começando pelos anos 1970, que contam com:

  • “Mamma Mia” — ABBA
  • “ABC” — Groove Century (no estilo de The Jackson 5)
  • “Crocodile Rock” — Elton John
  • “Come and Get Your Love” — The Heartliners (no estilo de Redbone)
  • “The Singing Garden” — Hyacinth

Para os mais experientes de nós, são ótimas lembranças de uma época marcada pelas discotecas, pelos visuais extravagantes e por ritmos mais dançantes. É uma seleção vívida e, particularmente, a minha favorita, mesmo que (infelizmente) eu não tenha idade para ter vivido o auge da música Disco.

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A década de 1980 segue com:

  • “It’s Tricky” — RUN-DMC
  • “Uptown Girl” — Billy Joel
  • “Into the Groove” — Madonna
  • “Jump” — Metal Russell (no estilo de Van Halen)
  • “Celebration” — Equinox Stars (no estilo de Kool & the Gang)

De longe, o período que mais me frustrou. É uma época em que as baladas românticas e o pop coreografado explodiram em popularidade e elevaram alguns dos principais artistas de todos os tempos ao estrelato. As canções presentes estão longe de serem ruins e uma ou outra entrou para as minhas playlists no streaming, mas passam longe de representar o período em uma coleção como esta.

Análise Arkade: de volta para o passado com Just Dance: Decades of Hits (imagem 6)

E se, por um lado, Madonna e Billy Joel estão aqui representados (mesmo com canções muito mais icônicas ainda ausentes da seleção histórica de Just Dance), por outro, tantos outros ficaram de fora, como o próprio Michael Jackson em seu auge, Bon Jovi ou Prince.

E mesmo sabendo que a presença do rock ‘n roll nunca foi foco em Just Dance, uma edição que celebra as principais tendências de um período poderia trazer uma maior amplitude com, por exemplo, uma ou outra canção mais dançante da tríade clichê do metal Guns N’ Roses, Metallica e AC/DC, só para ficar nos mais óbvios. Já que abriu a porteira com Van Halen, porque não?

Já os anos 1990, que muitos de nós quarentões vivemos em sua plenitude, vêm com:

  • “Wannabe” — Spice Girls
  • “Just a Girl” — No Doubt
  • “Around the World” — Daft Punk
  • “Sing Hallelujah!” — Dr. Alban
  • “Coconut” — SMiLE.dk

Aqui novamente há ausências notáveis que serão sentidas por todo mundo que arriscou um ou outro passinho, seja em casa, seja nas baladas que tanto fizeram sucesso com base nos videoclipes que víamos na MTV.

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A seleção tem ótimos achados e algumas unanimidades, mas onde estão as boybands noventistas tão importantes para a época? Onde estão os artistas que representam aquelas batidas inevitáveis em qualquer festa com 15 ou 500 pessoas, em ritmos como o dance (ou sua vertente ainda mais popular na época, o eurodance), além do pop e do hip-hop?

Análise Arkade: de volta para o passado com Just Dance: Decades of Hits (imagem 5)

Os anos 2000, por sua vez, elevam o nível com:

  • “Stronger” — Britney Spears
  • “Bye Bye Bye” — *NSYNC
  • “No Scrubs” — TLC
  • “Feel Good Inc.” — Gorillaz
  • “Starlight” — The Supermen Lovers feat. Mani Hoffman
  • “In Too Deep” — Sum 41

Neste recorte, o equilíbrio é um pouco melhor retratado na passagem da tendência do grunge e do eurodance para um estilo mais ligado ao pop e ao R&B contemporâneo. Alguns sucessos são facilmente reconhecíveis e outros certamente merecem atenção, ainda que as coreografias não sejam especialmente marcantes, à exceção de “Bye Bye Bye”, que ganhou nova vida graças à sua presença no recente filme Deadpool & Wolverine.

Mesmo que possamos, por gostos pessoais, esperar algumas outras presenças, a seleção é bastante cirúrgica em representar um momento de explosão musical graças aos meios digitais de acesso e compartilhamento.

A década de 2010 mantém o nível elevado com:

  • “Turn Down for What” — DJ Snake & Lil Jon
  • “Danza Kuduro” — Don Omar feat. Lucenzo
  • “Hello” — Martin Solveig & Dragonette
  • “Santa Tell Me” — Ariana Grande
  • “Give Me Everything” — Pitbull feat. Ne-Yo, Afrojack & Nayer

Novamente, as preferências individuais podem pesar, e confesso não ser a minha época favorita quando se trata da indústria musical, mas há de se reconhecer que cada uma destas músicas é um ícone de seu gênero no período.

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Destaque óbvio, considerando o nosso contexto tupiniquim, para “Danza Kuduro”, que se tornou um verdadeiro marco cultural por aqui pela sua presença na telenovela Avenida Brasil e por ter passagens em um português muito confortável para nós, brasileiros.

A década atual traz quantitativamente mais faixas que as demais e também é aquela que apresenta novidades surpreendentes que não se encaixam bem neste tipo de cronologia. São elas:

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  • “HOT TO GO!” — Chappell Roan
  • “Manchild” — Sabrina Carpenter
  • “Midnight Sun” — Zara Larsson
  • “NUEVAYoL” — Bad Bunny
  • “drop dead” — Olivia Rodrigo
  • “MORE & MORE” — TWICE
  • “Across All Time” — Lyra Gigavolt
  • “Supersonic” — Lyra Gigavolt
  • “Hi Lyfe” — Cult of Sound

É, definitivamente, o momento em que a coletânea salva seu fator de universalidade, com faixas que fogem (um pouquinho) do eixo norte-americano — algo que se prova uma das maiores lacunas nas décadas anteriores.

Esta falta não é só uma questão de representatividade latina ou de outros centros, mas interfere até na leitura desta história musical, totalmente deficiente para qualquer um fora dos Estados Unidos.

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Além disso, é evidente a diminuição de faixas novas — numericamente nem tanto, já que cai de 40 para 35 —, mas que parece ainda mais pungente pela menor variabilidade entre elas. Decades of Hits parece apostar na fidelidade do público para cobrir lacunas, seja pelo acesso ao acervo de outras edições, seja pela assinatura do Just Dance+ e seu catálogo enorme criado anteriormente.

Se considerarmos só a seleção deste ano, é possivelmente uma das menos inspiradas de há muito tempo. Soma-se a isso o fato de grande parte das músicas mais antigas serem regravações, substituindo as originais. Por mais que isso garanta uma certa padronização na textura sonora, acaba deixando de lado as vozes, o charme e a aura das versões que marcaram sua época.

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Uma campanha, afinal

A melhor forma de trilhar esta verdadeira jornada pela linha temporal do jogo é, seja sozinho ou acompanhado de até mais cinco amigos dançarinos, adentrar o Adventure Mode. O modo funciona bem como uma campanha narrativa que nos leva na pele da personagem Lyra, acompanhada pelo pai, o Dr. Gigavolt, figura que, coincidentemente (ou não), lembra outro certo doutor do cinema apaixonado por fazer turnês por linhas temporais.

Dividido em seis mundos temáticos – cada um dedicado a uma década a partir dos anos 1970 até os tempos atuais, refletindo a seleção musical vista acima – o jogo traz fases dedicadas principalmente às canções, com níveis mínimos de pontuação para avançar e com algumas etapas de quiz que cobram conhecimentos básicos de música e de cultura pop.

Na prática, não é algo tão diferente do que já vimos antes, com a ressalva de que a sequência de canções a serem dançadas passa pela cronologia das décadas. Podemos escolher a ordem das faixas daquele mundo até acumularmos experiência e alguns poucos pré-requisitos necessários para abrir o pacote seguinte.

Cada vitória traz diálogos contextuais de nossos protagonistas, bem como recompensas de títulos e cosméticos para o perfil. Mesmo as derrotas permitem que alguns prêmios sejam conquistados como incentivo para uma nova tentativa. Por mais que essa roupagem possa parecer supérflua para quem só quer seguir para a próxima dança, a jornada funciona como uma visita guiada pela história que aqui se pretende contar.

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O novo-velho Just Dance

No mais, os fãs de longa (ou pelo menos média) data se sentirão bastante confortáveis aqui, por mais que a interface se pareça muito mais com um feed do que com um menu organizado e objetivo, pois a integração como plataforma segue reunindo esta iteração com as anteriores, sobretudo o conteúdo lançado a partir de 2023.

Confesso que a dinamicidade das playlists continua sendo um problema para quem quer simplesmente acessar uma lista por ordem alfabética (ou qualquer outra) da edição deste ano. Contudo, minha percepção é obviamente afetada por ter feito a análise de várias versões do jogo no passado, além de o meu espaço pessoal estar contaminado pelas preferências da minha família.

Ainda assim, é inegável que, enquanto unificação de um sistema pronto para festas, Just Dance continua sendo uma central de entretenimento pronta para ligar e sair balançando o esqueleto, sobretudo quando estamos acompanhados. Talvez esta seja a edição com maior amplitude de acessibilidade de todos os tempos.

Há rotinas pensadas para grupos diversos – “Wannabe”, das Spice Girls, garante que cinco pessoas possam viver o grupo em sua plenitude, principalmente se a sala de casa for espaçosa o suficiente. Além disso, há cada vez mais versões alternativas, variando dificuldade e intensidade de movimentos, que vão desde opções para se dançar sentado em uma cadeira até o exigente modo Extreme.

É um alívio também saber que o jogo parece ainda mais otimizado, mesmo para plataformas já bem estabelecidas. Esta análise foi feita com base na versão do jogo para o Nintendo Switch original – prefiro os Joy-Cons ao uso do smartphone com aplicativo – e os tempos de carregamento, a estabilidade de transmissão e a fluidez de movimentos se provaram inabaláveis, inclusive em grupos maiores de pessoas. Em resumo, um desempenho inquestionavelmente perfeito.

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Conclusão

Just Dance: Decades of Hits é, em vários aspectos, um suspiro de ar fresco para uma franquia que parecia tender à estagnação, algo perigoso por preceder o esgotamento de fórmulas. Não é algo especialmente inovador, mas pode apontar para caminhos interessantes e possibilidades mais criativas para o futuro.

A seleção de faixas é o seu ponto menos brilhante, não só pela leve diminuição de quantidade, mas principalmente pela representatividade questionável das décadas retratadas e pela pouca diversidade de ritmos e regionalidades fora do eixo norte-americano. É um recorte compreensível, com algumas músicas que pessoalmente me apeteceram muito, mas que abre mão de olhar para fora e conversar com outros públicos, como nós, latinos.

Por outro lado, a navegação por esta história em uma campanha com personagens, diálogos e minigames de quiz funciona bem, salvo o fato de que quem escolhe jogar com o apoio de um smartphone precisa ficar alternando para os controles do console para navegar pelos menus e pelas fases da campanha, um incômodo pequeno diante do todo, mas que evidencia desencontros de design.

Análise Arkade: de volta para o passado com Just Dance: Decades of Hits (imagem 12)

Segue sendo, para os irremediavelmente tímidos ou para os mais desinibidos, uma das melhores recomendações para festas com amigos, churrascos em família ou simplesmente aquele descarrego no final do dia. Contudo, vale a pena mesmo pelo acúmulo com o denso e valioso catálogo anterior e com uma assinatura irrestrita daquilo que veio antes.

Isoladamente, o jogo tem prazo de validade curto e alcance de interesse aquém em comparação direta com seus antecessores. A nostalgia musical tem um apelo cada vez mais forte, e olhar para o passado é incrível, mas só quando nos permite voltar ao presente e curtir o novo em perspectiva.

Just Dance: Decades of Hits foi lançado mundialmente no dia 13 de outubro de 2026 para Nintendo Switch, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, com a versão para Nintendo Switch 2 chegando em 10 de novembro do mesmo ano. O jogo está totalmente localizado em menus e legendas para o português brasileiro.

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