Análise Arkade: MIO Memories in Orbit, um metroidvania que merece sua atenção

Analisar MIO: Memories in Orbit é mergulhar em um dos metroidvanias mais visualmente impactantes dos últimos tempos. Desenvolvido pela Douze Dixièmes (mesma de Shady Part of Me) e publicado pela Focus Entertainment, o jogo se destaca por fundir uma estética de “quadrinho vivo” com uma jogabilidade que exige precisão além de um desafio justo e não punitivo.
Ambientação e Narrativa
No jogo você assume o papel de MIO, um robô que é despertado em uma espécie “embarcação” (a Nau), uma gigantesca arca tecnológica à deriva. O que antes era um refúgio de inteligência artificial agora é um labirinto decadente, tomado por vegetação exuberante e máquinas hostis.

Aqui a historia não é entregue de bandeja. Você precisará descobrir o que aconteceu por meio de memórias perdidas, como textos e objetos além de interações com robôs danificados que ainda habitam a embarcação.

A embarcação (Nau) é tratada como um organismo vivo, onde cada setor é administrado por uma inteligência artificial e cada uma tem um papel a desempenhar nesse local. A transição entre os ecossistemas tecnológicos e naturais cria uma impressão constante de que o mundo está morrendo mas ainda assim é belo.

Mecânicas e Jogabilidade
A jogabilidade de MIO é focada em fluxo e verticalidade: aproveitamos a agilidade da personagem em movimentos acrobáticos utilizando habilidades desbloqueáveis conforme avançamos.
Temos, por exemplo, um gancho, que usamos para acessar novas áreas (e também pode ser usado como arma durante as lutas), bem como habilidades de planar e escalar paredes no estilo aranha. A fluidez do jogo lembra títulos como Ori and the Blind Florest — o que é um baita elogio.
Confira um pouco de gameplay de exploração abaixo:
Os modificadores chegam ocupando um local de destaque no jogo, pois nos permitem personalizar habilidades de exploração e utilizá-las também em combate.
Existem vários modificadores no jogo e sempre temos que ver a melhor opção de combiná-los — uma vez que há um limite de quantos modificadores simultâneos podem ser instalados — assim como fazemos com os medalhões em Hollow Knight.

Direção de Arte e Som
Este é, sem dúvida a cereja do bolo em MIO: Memories in Orbit: a direção de arte tem uma pegada meio “Visual de HQ” que usa a técnica de arte feita à mão com texturas em aquarela que lembram animes clássicos e quadrinhos europeus.
O uso inspirado das cores cria um belo contraste entre a decadência industrial e o avançar da natureza, concedendo ao jogo uma identidade visual única. De fato, este é um jogo tão rico visualmente que cada screenshot parece uma ilustração digna de ser emoldurada.

A trilha sonora faz uso de melodias usando corais de vozes etéreas que reforçam o tom melancólico e solitário da exploração, mas ganha intensidade durante as batalhas contra os chefes. A trilha sonora de MIO foi composta por Nicolas Gueguen que também havia trabalhado no jogo Shady Part of Me da mesma produtora.
Conclusão
MIO: Memories in Orbit é um jogo que pode ser uma resposta para quem busca um Metroidvania que prioriza a atmosfera e a fluidez de movimentos — ou seja, preza um gameplay ágil e responsivo.
Se você gosta de jogos como Hollow Knight pelo desafio e da série Ori pela beleza e mobilidade, MIO: Memories in Orbit está num ponto de equilíbrio muito satisfatório entre os dois. Os próprios desenvolvedores afirmam que o jogo não busca ser punitivo, mas sim desafiador — e quem for explorá-lo será bem recompensado. E como um bom Metroidvania, o mundo de MIO é bem vasto.
MIO: Memories in Orbit será lançado no dia 20 de Janeiro, com versões para PC (Steam), Playstation 5, Nintendo Switch (versão analisada), Nintendo Switch 2 e Xbox Series X/S. O jogo conta menus e legendas em português brasileiro.