Análise Arkade — Monster Hunter Stories 3 Twisted Reflection, entre erros e acertos um bom monster taming

Sendo provavelmente o spin-off de maior sucesso da franquia Monster Hunter, a série Stories foi iniciada no longínquo ano de 2016 no, já extinto portátil, Nintendo 3DS. Agora, nada menos que uma década após seu início, chegamos ao terceiro game da franquia com Monster Hunter Stories 3 Twisted Reflection. O game disponível para todos os consoles atuais e também para PC carrega muitas melhorias em relação aos seus antecessores, mas a principal é o visual.
Mas para além do visual exuberante que o jogo mostra, com mapas maiores e maior quantidade de monstros domáveis, será que o terceiro capítulo da série representa uma evolução para a série spin-off? Vamos descobrir nessa review completa! Mas vale lembrar que já analisamos o segundo game da franquia aqui no Arkade, além também da versão remasterizada do primeiro jogo que chegou em 2024.

Monster Hunter e reinos medievais?
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection nos apresenta não só um novo reino como também uma nova realidade. O jogo se passa numa espécie de universo paralelo ao dos jogos anteriores da franquia, colocando a temática de domesticação de monstros em um cenário mais político e medieval que destoa bastante dos games anteriores, não só pela ambientação, mas também por se levar bem mais a sério.
Se nos primeiros jogos da franquia éramos montadores novatos que conheciam o mundo na pele do protagonista da história, aqui a coisa é diferente. Em Twisted Reflection assumimos o papel de ninguém menos que o príncipe de um reino que também é o líder dos chamados Rangers, uma equipe de domadores de monstros que faz pesquisas de campo e analisa as variações de ecossistema que existem no mundo.

Mundo esse que é cheio de mistérios. O principal deles, de início, são os fenômenos conhecidos como Crostalização, uma espécie de cristalização em formato de ovo que vem ocorrendo por décadas, levando diversas espécies de monstros à extinção (entre eles o próprio Rathalos, que virou o “Pikachu” da franquia Stories). Até onde se sabe, nosso protagonista é o montador do último Rathalos vivo, o que coloca o Reino de Azúria numa vantagem estratégica e tanto se comparado ao reino rival, chamado de Vermeil.
O enredo começa a se complicar a partir dos conflitos políticos entre os dois reinos que, vale ressaltar, não estão nem completamente certos nem de todo errados em suas disputas. O que torna a narrativa cheia de tons de cinza até bem interessantes para um game do gênero. Isso torna Monster Hunter Stories 3 o game com narrativa mais madura da série, talvez até da franquia Monster Hunter como um todo.

Narrativa com deslizes
Como comentei há pouco, a história de Monster Hunter Stories 3 Twisted Reflection é muito boa, cheia de nuances e representando um amadurecimento e tanto se comparado com a história dos jogos anteriores da série. Entretanto, mesmo que seu enredo seja excelente, a forma com que tudo é contado talvez não seja dos melhores. Isso por conta do excesso de diálogos expositivos e cenas cinemáticas longas demais no decorrer da jogatina.
Desde o início, o jogo para a jogatina quase que de cinco em cinco minutos para explicar algo, colocar um diálogo expositivo ou então apresentar uma cinemática que, às vezes, passa dos cinco minutos de duração sem pausas. Isso no início de um JRPG é até comum de se ver por aí. O problema é que após mais de vinte horas de campanha esse ritmo continua. Se você se aventurar em missões secundárias da história então, pode durar ainda mais.

Isso faz a história em si demorar para engrenar e ter um excesso de barrigas desnecessárias, muitas vezes ocupadas com quests lineares e o jogo constantemente impedindo você de explorar a região em sua totalidade simplesmente porque você precisa ouvir um diálogo específico do NPC antes que vai te segurar por uns 40 minutos em uma missão monótona, sendo que, com um mapa tão exuberante e rico em detalhes, você só queria explorar tudo e, principalmente, colecionar monstros.
Esse ritmo estranho de se contar a história do game pode gerar um “efeito de força de atrito” já de início, que nem todo jogador vai conseguir superar. Com o jogo toda hora te mostrando cenas do mundo semi-aberto do game e também das criaturas incríveis que o habitam, a sensação (especialmente nas primeiras horas) é como, quando você é criança, o dia está radiante, você está ao lado de uma belíssima piscina… mas sua mãe não te deixa entrar na água pois você acabou de almoçar. Esta analogia fez sentido?

O melhor visual da série até então
Mas se a narrativa do game possui muitos pontos questionáveis, o mesmo não pode ser dito do seu visual. Monster Hunter Stories 3 Twisted Reflection consegue deixar ainda mais bela a identidade visual que nos foi apresentada em Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin. Mas ainda segue tornando o game, ao mesmo tempo que muito belo e cheio de cores, também muito leve e bem otimizado.
O jogo conta com diversos mapas diferentes que são bem maiores do que os dos games anteriores, além de serem muito melhor preenchidos com vida. Como desde o início já temos a opção de voo (que é mais um planar nas primeiras horas), temos possibilidade de bastante exploração vertical já no começo da campanha. A exploração através de habilidades específicas de alguns monstros segue com habilidades como escalar, nadar, cavar e quebrar objetos.

Além disso, temos uma trilha sonora que, em alguns momentos acompanha muito bem o ritmo da jogatina, trazendo um complemento emocional interessante para tudo que estamos fazendo no game. Entretanto, em outros momentos, a trilha sonora se torna repetitiva demais e, às vezes, até irritante, não acompanhando sempre o nível de qualidade visual que Monster Hunter Stories 3 nos apresenta.
Mudanças no sistema de combate
A base do sistema de combate característico da série se mantém aqui com o “jokenpo” entre Força (vermelho), Rapidez (azul) e Técnica (verde) o qual coloca golpes de Força sempre superando os de Técnica, que por sua vez sempre superam os de Rapidez que, por fim, sempre superam os de Força.
Essa lógica simples divide os monstros em grupos e é complementada com o aspecto elemental que pode aumentar ou diminuir o dano causado e recebido de acordo com a relação entre elementos de cada monstro — algo bem parecido com o que vemos na franquia Pokémon.

O sistema de partes quebráveis dos monstros maiores também retorna, tendo relação direta com os tipos de armas que utilizamos (entre perfuração, esmagamento e corte). Mas uma das novidades de Monster Hunter Stories 3 está na presença de alguns monstros indomáveis que são afetados pelo fenômeno da Crostalização, se tornando muito mais fortes e tendo algumas partes quebráveis de seu corpo causando efeitos de dano passivo caso sejam acertadas.
Essas lutas são como “mini-bosses” espalhados pelos mapas do jogo que, ao serem derrotados, liberam novas criaturas e aumentam o nível de dificuldade daquele mapa de diversas formas. Isso torna algumas lutas muito mais estratégicas e com mecânicas específicas do que os embates dos games anteriores, dando mais variedade para as batalhas mais acirradas do jogo.

Além disso, temos também um novo sistema de criaturas mais raras de aparecer nos mapas, que lembram bastante o esquema dos Pokémon Brilhantes da franquia da Nintendo. Mas aqui, a mecânica é ainda mais interessante, uma vez que, além das cores dos monstros serem levemente diferentes do original, eles também apresentam um elemento diferente! Na minha jogatina, por exemplo, encontrei um Arzuros do tipo água inédito que simplesmente foi chocado de um ovo com atributos excelentes. Isso torna o fator colecionismo na captura dos monstrinhos ainda mais divertida.
Mensagem ecológica bem forte
Mas para além dos combates em si, uma das inovações que considero mais interessantes de Monster Hunter Stories 3 Twisted Reflection é o seu sistema de devolução de monstros à natureza. Isso porque, no contexto da história do game, o grupo liderado pelo nosso protagonista — os Patrulheiros — é responsável por pesquisar e defender os diversos ecossistemas do reino de Azúria (e posteriormente do mundo como um todo).

Deste modo, levando em consideração o contexto de diversos monstros estarem entrando em extinção, por diversas vezes durante a história principal e também por conta própria, precisamos recolher ovos de criaturas raras para chocá-los em nossos criadouros e soltá-los de volta na natureza para preservar aquela espécie. Isso é muito bacana pois, além de um baita mensagem educativa sobre preservação ambiental (talvez a melhor mensagem que a franquia já passou nesse aspecto), temos todo um sistema de mecânica de jogo envolvendo isso de forma criativa e engajante.
Isso porque os mapas e biomas diversos que o game vai apresentado possuem espécies de monstros específicas. Mas aquela região pode ser upada e melhorada com o tempo, liberando novas microrregiões e possibilitando a captura de novos monstros inacessíveis anteriormente. Para isso, é preciso resolver o problema do monstro indomável daquela região específica (que citei anteriormente) e coletar/chocar ovos de criaturas mais raras. Quanto mais ovos você chocar e devolver para a natureza, mais fácil será de encontrar aquela espécie depois, mas não só isso.

O nível de atributos dos monstros (algo parecido com os IVs de Pokémon) depende diretamente dessa oferta da espécie na natureza. Com isso, sejam espécies mais comuns ou mais raras, quanto mais indivíduos você devolve para o bioma daquela espécie em específico, maior o rank da espécie como um todo se torna, possibilitando o farm de ovos ainda mais fortes indo do rank C ao S. Deste modo, quanto mais criaturas você choca e devolve para a natureza, mais bem sucedida aquela espécie se torna, liberando ovos mais raros e poderosos para você, faciltando o farm de criaturas mais poderosas.
Entre erros e acertos, um ótimo Monster Hunter Stories
Em relação ao jogo anterior da franquia, o nível da história segue o mesmo, com momentos emocionais interessantes e alguns pontos de clímax bem épicos. Já na narrativa, temos claramente uma piora dos pontos negativos do jogo anterior aqui, com diálogos ainda mais expositivos e um ritmo de cinemáticas ainda mais limitador que antes. Entretanto, se você conseguir superar esses probleminhas ou esses fatores não te incomodarem, aqui temos um ótimo JRPG e um excelente monster taming a disposição.
É interessante notar como, a cada novo game, o spin-off da franquia Monster Hunter se torna cada vez mais relevante em seu sub-gênero e cada vez com mais “personalidade própria” se comparado com a linha principal de jogos da franquia. Isso é ótimo, pois deixa claro como a série ainda tem muita lenha pra queimar e tem seu próprio caminho a traçar, alcançando talvez o panteão dos melhores monster taming juntamente com franquias icônicas como Pokémon e Digimon.
Monster Hunter Stories 3 Twisted Reflection foi lançado em 13 de Março de 2026 e está disponível para PC, Playstation 5, Xbox Series e Nintendo Switch 2.